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Algas

Pesquisa no RN estuda microalgas como fonte de biocombustível


Tribuna do Norte - 29 ago 2019 - 09:43

Uma pesquisa desenvolvida no Rio Grande do Norte quer ser uma das força-motrizes da Petrobras para alavancar as microalgas como uma nova fonte de biocombustível no país. Tocada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) em parceria com a estatal, o objetivo é fazer com que as microalgas sejam uma alternativa aos combustíveis derivados do petróleo, que possa ser utilizada em carros ou em qualquer outro veículo com motor a diesel.

As atividades da planta piloto estão sendo feitas na fazenda Samisa, na zona rural de Extremoz, na Grande Natal, localidade onde a UFRN desenvolve outros projetos de ordem biológica e química. A reportagem da Tribuna do Norte visitou as instalações da fazenda. Ao todo, são oito tanques abertos do tipo raceways.

Destes, o complexo conta com quatro de 4 mil litros e dois de 20 mil litros. As algas são enviadas, mensalmente, a outras duas universidades parceiras do projeto: a Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O uso das microalgas como fonte de biomassa para produção de biocombustível vem sendo cogitado pela comunidade científica há décadas e já vem dando resultados em países do mundo inteiro. As pesquisas começaram nos Estados Unidos e no Japão, nas décadas de 70 e 80.

Entre as vantagens citadas pelos pesquisadores para o uso das microalgas ao invés de outras matérias-primas de fontes renováveis, são o fato delas não precisarem de larga escala para produção, não ter sazonalidade, isto é, há uma safra contínua, além de não depender de condições específicas de solo. Aliado a isso, a produção da microalga, que não precisa de grandes extensões para cultivo, contribui para a redução do gás carbônico (CO2) do ar.

“Se você pensar que o RN pode desenvolver cultivo de algas, a vocação está testada. Imagine que um fazendeiro do RN nos procure para montar uma fazenda de microalgas para vender biomassa. Os resultados que temos aqui são reais em condições normais de temperatura e pressão. Eu não tenho laboratório abrigado, circuito fechado”, explica o professor Graco Aurélio Viana à TN.

Só no ano passado, por exemplo, foram produzidos 2.042 quilos da microalga, que são enviadas às universidades justamente para retirada do óleo vegetal e viabilização do combustível. “O resíduo é zero. A gente tira o óleo e o que resta da alga é utilizada para ração animal e viabilização de fertilizante”, explica o coordenador científico do projeto pela Petrobras, Leonardo Bacellar.

O projeto teve a sua concepção iniciada em 2010, por meio de solicitação da própria Petrobras e fazendo parte ainda do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), criado em 2004. Em 2012 o projeto chegou a passar por dificuldades financeiras, mas conseguiu seguir em frente após aporte financeiro da estatal petrolífera e segue produzindo a biomassa. As expectativas é de que a geração ultrapasse as três toneladas em 2019.

“A gente manda, em média, 200 a 250 quilos por mês para Viçosa para eles extraírem o óleo. Quem mais produz biomassa para biocombustíveis somos nós”, reforça Graco Aurélio Viana.

O projeto, inclusive, chegou a vencer o Prêmio de Inovação Tecnológica, no ano passado, promovido pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). O objetivo é reconhecer resultados associados a projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação para o setor de petróleo, gás natural e biocombustíveis desenvolvidos no Brasil por instituições de pesquisa credenciadas pela ANP.

Encarado pela Petrobras como a nova possibilidade aos combustíveis fósseis, Leonardo Bacellar explica ainda que as próximas etapas do projeto, além de aumentar a escala dos tanques, é levar os resultados e sistemas para um modelo econômico conceitual, para avaliar a economicidade do produto. Ainda não há um prazo para essa questão.

Números:
- 2.042 kg é a quantidade de microalgas produzidas em 2018 pelo projeto;
- 3.000 kg é a projeção para 2019;
- 200 a 250 kg é a média mensal de algas enviadas às universidades parceiras;

Ícaro Carvalho – Tribuna do Norte