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Verticalização no biodiesel: tendência irreversível


BiodieselBR.com - 31 out 2012 - 15:56 - Última atualização em: 01 nov 2012 - 17:55
joao manjabosco
O mercado de telefonia brasileiro passou por uma transformação a partir de 1998, quando foi desmembrado e privatizado. Desde então o que se viu foi a concentração do serviço em algumas empresas, além da unificação das vendas de diferentes produtos: telefonia fixa, móvel, tevê a cabo e acesso à internet. Na opinião do gerente da unidade de biocombustíveis da Camera Agroalimentos, João Artur Manjabosco, embora seja bastante distinto, o mercado de biodiesel parece estar trilhando o mesmo caminho, com a produção cada vez mais na mão das empresas verticalizadas.

Na telefonia, o mercado agora convive com quatro grandes empresas (Oi, Claro, GVT e Telefônica) que vendem soluções completas (fixo, móvel, TV por assinatura e internet). O setor ainda demanda altos investimentos, mas registra um Ebtida (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) na faixa de 20% a 35%. “De 1995 para 2005 vemos como a telefonia se concentrou na ponta. O mesmo vai acontecer no biodiesel”, prognosticou.

Na indústria de biodiesel, Manjabosco indicou que o processo ainda está na primeira fase, com altos investimentos mas Ebtida na casa dos 10% a 20%. Mas, defendeu, já se verifica uma tendência à fusão de empresas, bem como movimentos de venda de usinas de pequeno e médio porte. “O que vemos é um mercado verticalizado, com soluções que vão do produtor de matéria-prima ao distribuidor de combustível”, explicou. Ele apontou algumas vantagens da verticalização, entre elas a sinergia operacional e a garantia de matéria-prima e de insumos.

No entanto, também indicou a existência de problemas. O sistema verticalizado exige maiores investimentos, tem custos fixos maiores e impõe maior dificuldade no relacionamento com os agricultores familiares.

O executivo apresentou um estudo que calcula a quantidade de investimentos requeridos para a criação de uma usina verticalizada no Brasil: um valor total da ordem de R$ 360 milhões. “Essa é uma barreira de entrada. Investir é oneroso. Claro que ninguém aqui investiu tudo isso de uma vez só. Quem entrou [no sistema verticalizado] é quem já era esmagadora”, explicou.

A principal beneficiada do desenvolvimento do programa nacional de biodiesel, apontou o executivo, foi a soja. “E vai continuar assim. Não faz sentido colocar outro óleo se ele é mais caro. Ele deve ficar no país. Só estamos aqui por conta desse óleo que não está indo embora”, relatou. “A soja continuará importante e isso não é problema porque temos muito óleo pra tirar da exportação.”

Para Manjabosco o momento agora é de aproveitar a definição do novo marco para discutir os desafios que a verticalização traz para o mercado. “Temos que evitar um excesso de concentração. Talvez limitar a 20%, 25%, 30% a participação por grupo, porque é uma questão de segurança nacional”, recomendou. O país também deve optar pelo sistema que julgar melhor. “Temos que decidir se queremos 100% verticalizado ou o modelo argentino, que garante incentivos para usinas pequenas e médias.”

Ele destacou ainda que é preciso observar essas tendências, uma vez que o mercado brasileiro recebe influências não só do agronegócio, mas do mercado internacional de biodiesel. “Temos players que não estão aqui. A gente nem sabe quem são, mas que modificam nosso mercado”, alertou.

Rosiane Freitas – BiodieselBR.com

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