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O preço do biodiesel


BiodieselBR.com - 31 out 2012 - 15:56 - Última atualização em: 01 nov 2012 - 17:51
rubens freitasA Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), entidade responsável pelos leilões de biodiesel, está disposta a ouvir o mercado para discutir a formulação do Preço Máximo de Referência (PMR). A afirmação é de Rubens Cerqueira de Freitas, superintendente adjunto de abastecimento da ANP, que apresentou a  palestra “Conduzindo os leilões de biodiesel” na Conferência BiodieselBR. A formação do PMR tem sido um dos maiores telhados de vidro do sistema de leilões, frequentemente criticado pelos produtores.

Contudo, ainda não vai ser desta vez que a ANP vai liberar a planilha de cálculo do PMR para que o setor saiba exatamente quais são os critérios usados. “Não podemos passar a planilha. Mas queremos discutir as variáveis que influenciam no preço para afinar o cálculo do PMR”, explicou Freitas.

Segundo o superintendente, “todos os custos dos quais temos conhecimento” na produção do biodiesel são levados em consideração no cálculo. “Sempre convidamos todos para esse debate”, defendeu. Freitas reconheceu, no entanto, que há fatores que influenciam o preço do combustível e que nem sempre estão refletidos no cálculo. Mas minimizou o impacto disso nos custos dos produtores.

É o caso do PMR calculado para o 27º Leilão de biodiesel. “A gente tenta sempre fazer [o cálculo] bem próximo da época de divulgar o edital. Uma semana depois o preço do óleo de soja no mercado internacional aumentou. Houve algumas reivindicações do mercado para que isso fosse revisto. Duas semanas depois o óleo de soja havia recuado para um patamar inferior ao utilizado no cálculo do PMR”, relatou.

Freitas disse que o papel da agência é representar os interesses do consumidor. “As distribuidoras defendem o interesse delas. Os produtores defendem o interesse deles. E tem que ser assim mesmo, porque se eles não defenderem, quem é que vai defender? E qual é o papel da ANP? É fazer uma média ponderada? A ANP cuida do interesse do consumidor”, detalhou.

O leilão é apenas uma parte do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB), disse o superintendente da ANP. Segundo ele, as mudanças implantadas a partir do último leilão “vão evitar práticas abusivas”. “Esperamos uma oferta maior nos próximos leilões para que a ANP possa executar o papel de proteger o consumidor”, explicou.

A principal mudança, apontou Freitas, é a atuação dos produtores junto aos distribuidores. “Agora os produtores não têm a certeza de que vão vender o produto. Os distribuidores é que vão comprar, e eles vão levar em consideração não só os critérios de preço e os fluxos logísticos, [mas também] a qualidade do biodiesel e a regularidade do combustível. Essa é a mudança principal. Esse modelo vai vigorar nos próximos leilões.”

O objetivo principal da ANP, apontou, é garantir o abastecimento num mercado que vê um crescimento contínuo no consumo. “O consumo de diesel continua descolado do PIB. Com isso o mercado de biodiesel já passou dos 2,5 bilhões de litros. Por isso o leilão faz parte do processo de abastecimento do país”, destacou.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com

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Tags: C2012