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Exportação: Europa pode não ser uma boa opção para o Brasil


BiodieselBR.com - 31 out 2012 - 15:56 - Última atualização em: 01 nov 2012 - 14:39
jose berges
O Brasil ainda nem exporta biodiesel, mas pode ver suas chances de começar a vender esse biocombustível para a Europa desaparecem. Tudo dependerá do resultado das discussões sobre os impactos ambientais decorrentes das mudanças no uso de solo para a produção de matérias-primas para os biocombustíveis. A previsão é do executivo José Berges, da Evonik Degussa, fabricante de produtos químicos.

O biodiesel de soja, apontou Berges, teria dificuldade para cumprir a meta de redução nas emissões de gases do efeito estufa. De acordo com as diretrizes da União Europeia (UE), o biodiesel feito de soja contabiliza uma redução de emissões de apenas 31% em relação ao mesmo volume de óleo diesel fóssil – o que já o coloca abaixo da meta de 35% estabelecida pela legislação europeia. Para dificultar, a meta sobe para 50% em 2017 e para 60% em 2018. O cenário inviabiliza outras matérias-primas importantes para a indústria de biodiesel, como, por exemplo, a canola.

Não seria o fim da indústria, mas, segundo o palestrante, quem tiver interesse em acessar o mercado europeu terá que recorrer a certificações individuais que atestem que seu produto atinge o índice de redução exigido. “Mas isso custa dinheiro e tempo”, avaliou.

O empresário analisou as chances de o mercado europeu ser uma boa oportunidade de negócios para o biodiesel nacional. O Velho Continente tem uma legislação comum a todos os países-membros da União Europeia, que estipula metas de consumo de combustíveis renováveis. Segundo Berges, se cumprida, essa legislação resultaria no consumo de 20 milhões de toneladas de biodiesel na região por volta de 2020. “A produção europeia não consegue atender a essa demanda”, informou.

Atualmente a Europa produz parte significativa dos 13 milhões de toneladas de biocombustível consumidos por ano no continente. No entanto, já não há mais espaço para uma expansão significativa da capacidade de produção, indicou Berges. Isso torna os europeus dependentes de fornecedores internacionais. Os primeiros a explorar esse filão foram os Estados Unidos, mas depois de uma prolongada disputa comercial em torno de subsídios dados pelo governo norte-americano, a Argentina e a Indonésia se tornaram os principais exportadores do produto.

Ambos os países, no entanto, são alvo de um processo antidumping movido pela Comissão Europeia e, se punidos, podem acabar perdendo sua dianteira.

Soja

Um dos empecilhos para o biodiesel brasileiro no mercado europeu é o fato dele ser feito principalmente a partir de soja. Além das dificuldades em atingir as metas de redução nas emissões, a norma europeia estipula metas de qualidade que são mais facilmente atingidas pelo combustível feito com canola, principal matéria-prima do produto europeu. 

Para Berges, a qualidade é um ponto importante para garantir a aceitação do produto no mercado europeu. O executivo relatou que a gasolina com adição de etanol teve sua implantação na Alemanha interrompida por conta da reação ruim do mercado consumidor. “É uma questão de percepção pública”, avaliou. Para tentar a sorte no mercado europeu, o representante da Evonik disse que é importante que o produtor vá “além da especificação” e controle bem o processo de produção.

Concorrência

O biodiesel fabricado usando oleaginosas como matéria-prima enfrenta uma concorrência importante na Europa, alertou Berges. Trata-se do biodiesel produzido a partir de resíduos, como óleo de fritura reaproveitado. É que a legislação local prevê uma dupla contagem para esse tipo de combustível, o que significa
que o uso de metade do volume estipulado já garante o cumprimento das metas da legislação.

Berges apontou que os critérios de dupla contagem têm levado a situações absurdas e até suspeitas. Recentemente, em alguns mercados europeus, o óleo usado passou a ser comercializado por preços superiores ao do óleo virgem. Por isso, um volume inesperadamente grande de óleo usado tem aparecido no mercado.

Somadas à recessão na qual está a economia europeia, a dupla contagem e as importações de biodiesel da Argentina e da Indonésia resultam num mercado estagnado, apesar da perspectiva de aumento de consumo baseada nas metas estabelecidas em lei. “Se a legislação for cumprida, a Europa vai ter que importar combustível”, adiantou Berges. “Mas eu não apostaria meu dinheiro nisso.”

Rosiane Freitas – BiodieselBR.com

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