BiodieselBR
Publicidade

[CBBR 2023] A qualidade do biodiesel brasileiro

O tema da qualidade do biodiesel voltou à pauta no painel de encerramento da Conferência BiodieselBR 2023

BiodieselBR.com 7 min de leitura

Meses atrás, a questão da qualidade do biodiesel voltou aos holofotes. Poucos dias antes do governo decidir sobre retorno ao B12, um grupo composto por 9 entidades empresariais ligadas à cadeia do biodiesel publicou uma nota na qual se opunha ao aumento da mistura obrigatória com base em acusações de que o biodiesel seria o responsável pelo aumento de uma série de problemas de qualidade detectados no óleo diesel B. Os fabricantes contestam essa noção.

Essa polêmica, que encerrou os debates da Conferência BiodieselBR 2023, foi o tema do painel “Uma discussão sobre a Qualidade do Biodiesel Brasileiro” que contou com palestras do superintendente de fiscalização da ANP, Francisco Neves; o CEO da Actioil do Brasil, Gilles-Laurent Grimberg; e o secretário executivo adjunto do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Marcelino Menezes.

Linha de defesa

“Nós somos a última linha de defesa para que os produtos cheguem com qualidade aos consumidores brasileiros”, resumiu o superintendente da ANP, Francisco Neves, logo no começo de sua fala ao explicar as obrigações da agência reguladora. E essa, segundo o servidor, não é uma tarefa das mais simples considerando que o Brasil tem um dos maiores mercados de combustíveis do mundo com uma matriz bastante diversificada de produtos e uma infraestrutura muito capilarizada pelo território nacional “Temos uma estrutura de distribuição gigantesca com toda a movimentação sendo feita por caminhões. A fiscalização é um grande desafio”, complementa.

Meses atrás, a questão da qualidade do biodiesel voltou aos holofotes. Poucos dias antes do governo decidir sobre retorno ao B12, um grupo composto por 9 entidades empresariais ligadas à cadeia do biodiesel publicou uma nota na qual se opunha ao aumento da mistura obrigatória com base em acusações de que o biodiesel seria o responsável pelo aumento de uma série de problemas de qualidade detectados no óleo diesel B. Os fabricantes contestam essa noção.

Essa polêmica, que encerrou os debates da Conferência BiodieselBR 2023, foi o tema do painel “Uma discussão sobre a Qualidade do Biodiesel Brasileiro” que contou com palestras do superintendente de fiscalização da ANP, Francisco Neves; o CEO da Actioil do Brasil, Gilles-Laurent Grimberg; e o secretário executivo adjunto do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Marcelino Menezes.

Linha de defesa

“Nós somos a última linha de defesa para que os produtos cheguem com qualidade aos consumidores brasileiros”, resumiu o superintendente da ANP, Francisco Neves, logo no começo de sua fala ao explicar as obrigações da agência reguladora. E essa, segundo o servidor, não é uma tarefa das mais simples considerando que o Brasil tem um dos maiores mercados de combustíveis do mundo com uma matriz bastante diversificada de produtos e uma infraestrutura muito capilarizada pelo território nacional “Temos uma estrutura de distribuição gigantesca com toda a movimentação sendo feita por caminhões. A fiscalização é um grande desafio”, complementa.

Francisco destacou que os biocombustíveis não são a única variável que impacta a qualidade dos produtos vendidos no mercado brasileiro. Os fósseis também vêm passando por mudanças como é o caso do próprio óleo diesel. O produto que, na década de 1970, chegava a ter 14 mil partes por milhão (ppm) de enxofre passou por seguidas revisões em sua especificação. Hoje, o produto vendido aos brasileiros – cerca de 70% do total – tem teor de enxofre de apenas 10 ppm.

Para levantar o quanto o biodiesel poderia ser, de fato, uma causa de incômodos, o palestrante fez um levantamento na ouvidoria da ANP – canal que recebe reclamações dos consumidores – sobre problemas relacionados ao diesel. A busca não revelou um aumento notável nas denúncias referentes ao diesel de 2017 para cá.

PMQC

Para controlar a qualidade dos combustíveis no mercado brasileiro, a ANP idealizou o Programa de Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis (PMQC) que vem tendo considerável sucesso fiscalizar o mercado brasileiro. Os números, segundo o servidor, têm se mantido razoavelmente estáveis com cerca de 4% as amostras coletadas de diesel apresentando algum problema de qualidade. “Quando a gente detalha isso, o principal problema é teor de biodiesel... falta de biodiesel nas amostras e o ponto de fulgor que costuma está ligado ao transporte”, diz. “Os problemas de qualidade do diesel b está relacionado ao mesmo problema que temos na gasolina c. Só que opostos. No diesel tem biodiesel a menos e na gasolina tem mais etanol a mais. Em ambos os casos a motivação é econômica” explica.

O elo para resolver a questão do teor de biodiesel pode estar no setor de distribuição. “Precisamos ter um [processo de] homogeneização melhor entre o biodiesel e o diesel porque a mistura acontece no carregamento dos caminhões. O carregamento é um grande desafio”, aponta.

Segundo o superintendente da ANP, a agência deverá fazer um estudo dos grandes consumidores de diesel. “Hoje eles estão fora do escopo [da fiscalização]”, diz acrescentando que um trabalho preliminar feito no Rio Grande do Sul mostra que, desde que o biodiesel atender às especificações, não surgem os problemas reportados nos debates mais acalorados do setor lembrando que ainda este ano a agência atualizou as especificações do biodiesel justamente para garantir que o produto consiga chegar ao cliente final dentro dos padrões.

Vibrar com o Brasil

Na visão do CEO da Actoil do Brasil, Gilles-Laurent Grimberg, o Brasil tem todas as condições para ter uma boa qualidade de diesel com documentos que orientam, redes de laboratórios equipados e programas de qualidade estruturados. “Estamos no caminho certo para a qualidade do biodiesel”, assegurou lembrando que, historicamente, momentos de transição energética gerem esse tipo de tensão entre atores constituídos e novos entrantes no mercado.

“Estamos passando exatamente pela mesma coisa que a indústria do petróleo sofreu nas mãos da indústria do carvão”, apontou recomendando que as usinas invistam mais em comunicação de qualidade com transparência e apostando na educação do público geral. “O problema do biodiesel não é falta de qualidade, mas de estigma (...) temos que mudar as opiniões dos influenciadores para criar uma reputação favorável para o biodiesel”, aconselhou.

Mais do que isso, esse recomentou que o setor se disponha a enfrentar mais abertamente os detratores adotando até mesmo estratégias legais. “Temos que confrontar quem esteja mentido sobre o biodiesel e divulgar mais os casos positivos”, recomendou.

Situação favorável

Embora, do ponto de vista tecnológico, o biodiesel já tenha saído campo das ações de pesquisa e desenvolvimento para o da difusão em massa, representante da Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Marcelino Menezes, ressaltou que o produto continua na agenda do ministério. “Temos uma situação política favorável com uma vontade manifesta do governo federal de retomar obras de infraestrutura (...) e uma política articulada para uma nova industrialização brasileira”, afirmou acrescentando que para alimentar esse processo será preciso aumentar a oferta de energia para o país apostando ainda na transição energética.

Marcelino ressalta que o mistério oferece linhas de financiamento facilitadas para que as empresas se apropriem de novas tecnologias. “São R$ 15 bilhões por dos quais metade reembolsáveis com juros baixos e carência de quatro anos”, diz acrescentando que está sendo lançado um novo pacote de inovação e que estão para serem lançados editais da Finep.

“Nós gostaríamos de, rapidamente, criar as condições para estabelecer a nova rota de pesquisa e desenvolvimento que possa seu um diferencial para esse produto. Há uma urgência”, reconhece solicitando ajuda para entender melhor os desafios enfrentados pelo setor. “Em parceria com a própria cadeia do biodiesel, a gente quer pactuar um entendimento para fazermos uma encomenda objetiva e específica que nos dê a rota para abordar o estado da arte e superar gargalos de infraestrutura”, arremata.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com

Compartilhar: