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[CBBR 2020] Biodiesel e o processamento de soja

Apesar de ter se tornado o maior produtor mundial de soja, o Brasil vem enfrentando dificuldades para abastecer seu mercado interno

BiodieselBR.com 5 min de leitura

O Brasil se meteu num verdadeiro paradoxo: embora tenha finalmente passado os Estados Unidos e se tornado o maior produtor de soja do planeta, o país está encerrando o ano com os estoques do grão praticamente zerados. A falta do produto no mercado interno chegou a tal ponto de setores que dependem do óleo e do farelo estarem enfrentando sérias dificuldades para encontrar a matérias-primas de que precisam para continuarem funcionando normalmente.

No caso do setor de biodiesel, foi preciso até mesmo mudar uma regra que obrigava os fabricantes a produzirem exclusivamente com matérias-primas nacionais. A mudança implementada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) incomodou as esmagadoras que sempre enxergaram no Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB) um incentivo para sua própria atividade.

O painel “Oferta, demanda e investimentos em biodiesel e esmagamento” da Conferência BiodieselBR 2020 tratou dessa relação de mão dupla entre as indústrias de biodiesel e de processamento de soja. Para falar do assunto foi convidada o presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), André Nassar.

Segundo o palestrante, o setor de esmagamento opera com margens bastante apertadas e grandes volumes. As margens do segmento apresentam, inclusive, uma tendência histórica de ficarem mais estreitas. Elas passaram de 1,1% no começo de 1996 para perto de 1,05% no começo deste ano. “Vimos uma ligeira recuperação nas margens neste ano o que gera um sinal positivo sobre a atividade”, ressalta André.

O Brasil se meteu num verdadeiro paradoxo: embora tenha finalmente passado os Estados Unidos e se tornado o maior produtor de soja do planeta, o país está encerrando o ano com os estoques do grão praticamente zerados. A falta do produto no mercado interno chegou a tal ponto de setores que dependem do óleo e do farelo estarem enfrentando sérias dificuldades para encontrar a matérias-primas de que precisam para continuarem funcionando normalmente.

No caso do setor de biodiesel, foi preciso até mesmo mudar uma regra que obrigava os fabricantes a produzirem exclusivamente com matérias-primas nacionais. A mudança implementada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) incomodou as esmagadoras que sempre enxergaram no Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB) um incentivo para sua própria atividade.

O painel “Oferta, demanda e investimentos em biodiesel e esmagamento” da Conferência BiodieselBR 2020 tratou dessa relação de mão dupla entre as indústrias de biodiesel e de processamento de soja. Para falar do assunto foi convidada o presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), André Nassar.

Segundo o palestrante, o setor de esmagamento opera com margens bastante apertadas e grandes volumes. As margens do segmento apresentam, inclusive, uma tendência histórica de ficarem mais estreitas. Elas passaram de 1,1% no começo de 1996 para perto de 1,05% no começo deste ano. “Vimos uma ligeira recuperação nas margens neste ano o que gera um sinal positivo sobre a atividade”, ressalta André.

Vetor de investimentos

Nesse contexto, a produção de biodiesel tem servido como um estímulo importante para dar sustentação à atividade tornando-se, portanto, um fator relevante na atração de novos investimentos produtivos. “Hoje, o biodiesel é um grande vetor”, resume o presidente da Abiove. Por esse motivo, a liberação do uso de matérias-primas importadas produziu um certo ruído no meio dos esmagadores. “Essa é uma mudança que vai ter impacto negativo sobre os investimentos futuros. Por que eu vou investir em uma unidade de esmagamento se posso importar para produção biodiesel?”, questiona.

Para o representante dos esmagadores, mudanças nos cronogramas de aumentos de mistura também teriam impacto negativo na dinâmica do segmento.

Embora reconheça que os derivados da soja estão mesmo caros e que “as empresas [de biodiesel] não integradas têm dificuldades para conseguir manter suas margens”, André se posiciona contra a adoção de políticas mais ativas para segurar uma parcela maior do grão para processamento no mercado interno. “A intervenção no mercado de soja tem outros impactos negativos”, opina apontando que na Argentina – que tributa as exportações de soja em grão justamente para estimular seu processamento no mercado interno – a produção agrícola tem crescido a pífios 1% ao ano. “Já o Brasil vem crescendo 7% ao ano”, pontua.

Ele também garante que a situação atual se deve muito mais a uma conjuntura passageira do que à problemas estruturais. Logo no começo da pandemia muitos esmagadores projetaram uma queda ainda maior e mais prolongada no consumo de biodiesel e, dessa forma, acabaram exportando um volume maior de óleo de soja. “Se esses exportadores imaginassem que teríamos uma retomada tão rápida, eles não teriam exportado tanto”, diz.

Deslocamento

André espera que a produção de biodiesel se torne uma alavanca ainda mais potente para a indústria de esmagamento. Até agora, o crescimento da produção de biodiesel vinha acontecendo simplesmente deslocando o óleo que seria exportado para o mercado interno. “A partir de 2021 esse colchão acaba e vamos ter que passar a esmagar mais para atender ao consumo das usinas”, descreve.

Esse movimento deverá ganhar força principalmente a partir de 2022 quando a demanda por biodiesel vai agregar mais 4,9 milhões de toneladas à quantidade de soja esmagada. Estimativas da Abiove indicam que – caso a mistura de biodiesel chegue a 20% em 2028 – será necessário aumentar o esmagamento em 33 milhões de toneladas elevando a atividade da indústria para cerca de 77,5 milhões de toneladas ao ano.

Para tanto seria necessário agregar ao parque nacional de processamento de grãos outras 22 unidades indústrias gerando milhares de vagas de trabalho diretas e indiretas.

Viabilizar essa expansão exigirá um cuidado maior com o farelo de soja. “A gente tem uma preocupação de acabar ficando com estoques muito grandes de farelo”, diz cobrando a criação de um programa de fortalecimento da cadeia de proteínas animais que possa dar conta de absorver esse volume extra.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com

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