O biodiesel pode promover transformações econômicas, sociais e ambientais positivas para o país nas mais diversas frentes.
Não há sombra de dúvida que o biodiesel rende diversos benefícios – tanto de ordem econômica quanto social – para o país. Alguns desses benefícios, no entanto, são bem mais complicados de medir e, por isso, quase nunca entram nos processos de tomada de decisão oficiais. São as chamadas externalidades e podem reescrever completamente a lógica do setor.
Não há sombra de dúvida que o biodiesel rende diversos benefícios – tanto de ordem econômica quanto social – para o país. Alguns desses benefícios, no entanto, são bem mais complicados de medir e, por isso, quase nunca entram nos processos de tomada de decisão oficiais. São as chamadas externalidades e podem reescrever completamente a lógica do setor.
Jogar um pouco de luz sobre algumas das externalidades geradas durante a produção de biodiesel foi o propósito do último painel da Conferência BiodieselBR 2017. O segmento contou com palestras do assistente técnico da Aprobio, Antonio Ventilli; da assessora técnica do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Alexandra Maciel; e do consultor da Ubrabio, Donato Aranda.
Ar limpo
O primeiro impacto positivo que vem à mente quando se fala em biocombustíveis é sua capacidade de reduzir as emissões de gás carbônico e, portanto, mitigar os efeitos das mudanças climáticas. Isso torna o biodiesel uma ferramenta importante no esforço do governo brasileiro para cumprir as metas assumidas como parte do Acordo de Paris – de cortar suas emissões de CO2 em, pelo menos, 37% até 2025. “Os debates que tivemos mostraram que aumentar a participação da bioenergia para 18% da matriz energética brasileira era uma das estratégias mais viáveis”, informa a técnica do MMA Alexandra Maciel.
E é aí que o RenovaBio com suas metas de descarbonização para as distribuidoras de combustíveis e incentivos para que os fabricantes de biocombustíveis produzam da forma mais limpa possível entra. “O RenovaBio é a ferramenta mais desenvolvida e que tem maior potencialidade para ser implementada no curto prazo”, prossegue Alexandra.
Mas não é só do ponto de vista da redução das emissões de carbono que o biodiesel poderá contribuir positivamente. Segundo Donato Aranda, consultor da Ubrabio, o biodiesel também pode se tornar uma forma de diminuir as emissões de uma série de poluentes locais que são nocivos à saúde humana como, por exemplo, materiais particulados finos – dados coletados por um estudo conduzido pela Câmara Setorial do Biodiesel indicam que o uso de B20 pode baixar a quantidade de particulados despejada no ar em cerca de 23%. “A adoção do B20 em São Paulo poderia evitar 7.300 mortes e 45.000 internações”, relata. “Por esse motivo eu acho que seria importante ir além do RenovaBio, que premia a descarbonização, e premiar também as reduções de outros poluentes”, complementa.
A única contraindicação seria um aumento nas emissões de óxidos de nitrogênio (NOx). Ainda assim, a elevação seria pequena. “No caso do NOx, a tendência é que, quanto mais biodiesel for usado, as emissões aumentem. Mas a diferença é pequena de, em média, 3% no caso do uso de B20”, prossegue Donato acrescentando que, no caso do Brasil a diferença seria até menor. “O NOx reage com os aldeídos emitidos pela queima de etanol e ambos se anulam”, resume.
Interiorização
Antonio Ventilli, da Aprobio, olha os benefícios da expansão do biodiesel sob um outro prisma. “Ao promover o processamento de soja e a industrialização no interior do país, o biodiesel repete algo parecido com o que a produção sucroalcooleira fez no interior do estado de São Paulo”, relata acrescentando que isso ajuda a reduzir um problema histórico do Brasil. “Temos uma população muito concentrada com 80% dos brasileiros vivendo em apenas 1% do território”, completa.
Os efeitos de uma usina vão muito além da própria produção de biodiesel, segundo o palestrante. “Temos o estimulo à ampliação da rede de recebimento e armazenamento de grãos. [...] Além disso, o maior nível de processamento aumenta a oferta de rações alavancando a produção de aves e suínos”, avalia Antonio acrescentando que esse é um movimento que beneficia especialmente os pequenos produtores familiares. “O biodiesel é mesmo um grande agregador de valor em diversas cadeias econômicas”, arremata.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
Não há sombra de dúvida que o biodiesel rende diversos benefícios – tanto de ordem econômica quanto social – para o país. Alguns desses benefícios, no entanto, são bem mais complicados de medir e, por isso, quase nunca entram nos processos de tomada de decisão oficiais. São as chamadas externalidades e podem reescrever completamente a lógica do setor.
Jogar um pouco de luz sobre algumas das externalidades geradas durante a produção de biodiesel foi o propósito do último painel da Conferência BiodieselBR 2017. O segmento contou com palestras do assistente técnico da Aprobio, Antonio Ventilli; da assessora técnica do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Alexandra Maciel; e do consultor da Ubrabio, Donato Aranda.
Ar limpo
O primeiro impacto positivo que vem à mente quando se fala em biocombustíveis é sua capacidade de reduzir as emissões de gás carbônico e, portanto, mitigar os efeitos das mudanças climáticas. Isso torna o biodiesel uma ferramenta importante no esforço do governo brasileiro para cumprir as metas assumidas como parte do Acordo de Paris – de cortar suas emissões de CO2 em, pelo menos, 37% até 2025. “Os debates que tivemos mostraram que aumentar a participação da bioenergia para 18% da matriz energética brasileira era uma das estratégias mais viáveis”, informa a técnica do MMA Alexandra Maciel.
E é aí que o RenovaBio com suas metas de descarbonização para as distribuidoras de combustíveis e incentivos para que os fabricantes de biocombustíveis produzam da forma mais limpa possível entra. “O RenovaBio é a ferramenta mais desenvolvida e que tem maior potencialidade para ser implementada no curto prazo”, prossegue Alexandra.
Mas não é só do ponto de vista da redução das emissões de carbono que o biodiesel poderá contribuir positivamente. Segundo Donato Aranda, consultor da Ubrabio, o biodiesel também pode se tornar uma forma de diminuir as emissões de uma série de poluentes locais que são nocivos à saúde humana como, por exemplo, materiais particulados finos – dados coletados por um estudo conduzido pela Câmara Setorial do Biodiesel indicam que o uso de B20 pode baixar a quantidade de particulados despejada no ar em cerca de 23%. “A adoção do B20 em São Paulo poderia evitar 7.300 mortes e 45.000 internações”, relata. “Por esse motivo eu acho que seria importante ir além do RenovaBio, que premia a descarbonização, e premiar também as reduções de outros poluentes”, complementa.
A única contraindicação seria um aumento nas emissões de óxidos de nitrogênio (NOx). Ainda assim, a elevação seria pequena. “No caso do NOx, a tendência é que, quanto mais biodiesel for usado, as emissões aumentem. Mas a diferença é pequena de, em média, 3% no caso do uso de B20”, prossegue Donato acrescentando que, no caso do Brasil a diferença seria até menor. “O NOx reage com os aldeídos emitidos pela queima de etanol e ambos se anulam”, resume.
Interiorização
Antonio Ventilli, da Aprobio, olha os benefícios da expansão do biodiesel sob um outro prisma. “Ao promover o processamento de soja e a industrialização no interior do país, o biodiesel repete algo parecido com o que a produção sucroalcooleira fez no interior do estado de São Paulo”, relata acrescentando que isso ajuda a reduzir um problema histórico do Brasil. “Temos uma população muito concentrada com 80% dos brasileiros vivendo em apenas 1% do território”, completa.
Os efeitos de uma usina vão muito além da própria produção de biodiesel, segundo o palestrante. “Temos o estimulo à ampliação da rede de recebimento e armazenamento de grãos. [...] Além disso, o maior nível de processamento aumenta a oferta de rações alavancando a produção de aves e suínos”, avalia Antonio acrescentando que esse é um movimento que beneficia especialmente os pequenos produtores familiares. “O biodiesel é mesmo um grande agregador de valor em diversas cadeias econômicas”, arremata.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com