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[CBBR 2017] Avanço nos testes

Depois de muitos percalços, os ensaios que vão garantir que os motores brasileiros estão preparados para misturas maiores que o B10 estão, finalmente, acontecendo.
BiodieselBR.com 6 min de leitura
Pelo jeito, essa vai ser uma daquelas vitórias onde o gol só sai aos 45 minutos do segundo tempo. Mesmo assim, tudo aponta para uma vitória. Quem acompanha o dia a dia do setor de biodiesel, sabe muito bem o quanto foi difícil fazer com que os testes de motores – uma exigência da Lei 13.263/2016 para que a mistura obrigatória possa avançar do B10 em diante – engrenassem. Entre dificuldades burocráticas e dúvidas para resolver quem deveria arcar com as despesas, um ano inteirinho se perdeu. Apesar dos percalços, ensaios estão acontecendo e não devem ser um obstáculo para a antecipação do B10.

Pelo jeito, essa vai ser uma daquelas vitórias onde o gol só sai aos 45 minutos do segundo tempo. Mesmo assim, tudo aponta para uma vitória. Quem acompanha o dia a dia do setor de biodiesel, sabe muito bem o quanto foi difícil fazer com que os testes de motores – uma exigência da Lei 13.263/2016 para que a mistura obrigatória possa avançar do B10 em diante – engrenassem. Entre dificuldades burocráticas e dúvidas para resolver quem deveria arcar com as despesas, um ano inteirinho se perdeu. Apesar dos percalços, ensaios estão acontecendo e não devem ser um obstáculo para a antecipação do B10.

Para explicar melhor como as coisas estão se desenrolando, a Conferência BiodieselBR 2017 contou com um painel para debater o andamento dos testes e como eles deverão impactar o futuro da indústria. O segmento contou com palestras do consultor da Abiove, Vicente Pimenta, e com o representante da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), Christian Wahnfried.

Andamento

Os primeiros relatos são animadores. “Até o momento não temos nenhum reporte de problemas”, tranquilizou Vicente ao relatar que, até o final de outubro, já tínhamos um total de 3 testes concluídos, 27 em andamento e outros 10 dependendo apenas de detalhes para começarem.

Mesmo com os trabalhos em andamento, é possível que se chegue até março de 2018 sem todos os resultados em mãos. Algo que Christian não vem como um empecilho. “Embora a situação ideal fosse a gente esperar o fim de todos os testes, entendemos que existem outras condicionantes em jogo”, admite. No fundo, boa parte do que se espera desses ensaios são subsídios para uma revisão na norma do biodiesel a ser implementada futuramente.

Demora

Sobre a demora o consultor da Abiove, diz que não há um culpado específico pelos atrasos. “Houve atrasos porque a gente não tinha como imaginar o quanto seria complicado lidar com as exigências internas das próprias empresas”, apontou Vicente. “Muitas das montadoras que desejavam testar têm requisitos internos bastante complexos”, relata.

“É uma estrutura realmente gigantesca e um volume de recursos expressivo que precisaram ser movimentados. Temos frota, laboratórios, agendas de dinamômetros que são equipamentos concorridíssimos...”, complementa Christian Wahnfried acrescentando que apenas uma montadora está investindo mais de R$ 800 mil para realizar os ensaios a que se propôs.

A demora pode até ter tido um certo lado positivo. Christian Wahnfried ressalta que, em sua primeira versão, do plano de testes era muito menos ambicioso. “A revisão [do plano de testes] que completamos em abril passado tivemos muito menos empresas preocupadas com o B10 e muito mais querendo testar o B15 e o B20”, disse. Ou seja, há uma preocupação maior com o longo prazo.

Cuidado

Para Vicente Pimenta essa dose extra de cuidado contida na Lei não é nenhum exagero, mas a prudência necessária ao lidar com uma engrenagem fundamental na economia brasileira como um todo. “Tudo o que temos em nossas casas foi, em algum ponto, transportado por um veículo diesel. Mexer no diesel é algo que exige muito cuidado”, pondera lembrando que, desde seu lançamento, o PNPB tem se pautado pela prudência. “Quando se começou a falar em biodiesel tinha gente que defendia lançar direto pelo B5, mas fizeram gradualmente e foi algo que deu muito certo”, recorda ao apontar que a forma gradual como a mistura avançou permitiu identificar problemas de qualidade com o biodiesel antes que eles adquirissem uma escala mais séria.

É algo com que Christian concorda. Segundo o representante da AEA, a indústria automotiva apoia o aumento do uso de biocombustíveis não apenas no Brasil, mas não mundo inteiro. Só que o avanço precisa ser gradual.

Mesmo o salto do B5 para o B7 realizado durante o segundo semestre de 2014 não aconteceu de maneira temerária. “Embora o aumento tenha sido feito sem testes prévios, [o governo] falou com todas as partes envolvidas”, relembra Vicente. Inclusive com o cuidado de realizar aprimoramentos da especificação do biodiesel em antecipação à mudança.

“No fim, todos os testes visam um mesmo objetivo: assegurar que os equipamentos atinjam a vida útil que se espera deles mesmo usando um volume maior de biocombustível”, resume Christian.

Mudança

Segundo o consultor da Abiove, é preciso levar em consideração que o biodiesel não foi a única coisa que mudou ao longo desses dez anos de adição obrigatória – o B2 se tornou compulsório no começo de 2008. “A gente tinha motores fundamentalmente mecânicos [naquela época]. Agora, eles são eletrônicos e passaram a ter catalisadores. Além disso o próprio diesel mudou com a chegada combustíveis de baixo teor de enxofre”, considerou Vicente.

Mesmo assim, ele ressalta que é uma parcela relativamente pequena das empresas do ramo que realmente sentiu a necessidade de realizar novos testes. “Muitas das empresas já tinham validado seus produtos ou se sentem seguras com a adoção de misturas maiores”, completa e ressalta que, finalizados os ensaios, teremos adquirido um know how valioso.

“Já temos um compromisso de que a especificação deverá ser revista refletindo os resultados dos testes”, prossegue Christian para quem uma das grandes dúvidas das montadoras diz respeito à estabilidade oxidativa do biodiesel. “Um de nossos objetivos é verificar se o parâmetro atual de estabilidade vai continuar servindo ou se ele terá que ser fortalecidos”, explica.

“Esse é um dos maiores programas de testes laboratoriais e de frotas com biodiesel do planeta. [Ao final do processo] termos um programa de biodiesel mais maduro e um produto mais confiável”, finaliza Vicente Pimenta.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
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