Com a antecipação do B10 batendo à porta, atores ligados à cadeia de biodiesel estão de se preparando para um ano de 2018 bastante agitado.
O B10 vem vindo por aí. Isso somado a uma – ainda incipiente, mas já notável – retomada no mercado de óleo diesel praticamente garante que a indústria de biodiesel do Brasil tenha um ano de 2018 dos mais agitados, com recordes sucessivos na produção e no consumo do biocombustível. Isso seguramente vai colocar um bocado pressão sobre todos os elos da cadeia seja entre os fabricantes, os distribuidores e o governo.
O B10 vem vindo por aí. Isso somado a uma – ainda incipiente, mas já notável – retomada no mercado de óleo diesel praticamente garante que a indústria de biodiesel do Brasil tenha um ano de 2018 dos mais agitados, com recordes sucessivos na produção e no consumo do biocombustível. Isso seguramente vai colocar um bocado pressão sobre todos os elos da cadeia seja entre os fabricantes, os distribuidores e o governo.
Compreender melhor quais são os desafios que estão previstos para o próximo ano e o que está já sendo feito para dar conta deles foi o objetivo do painel 5 da Conferência BiodieselBR 2017 que contou com falas do superintendente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio), Julio Minelli; do diretor da Associação das Distribuidoras de Combustíveis (Brasilcom), Sérgio Massillon; e do diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Waldyr Barroso.
De acordo com as contas da Aprobio, o consumo de biodiesel do país em 2018 deverá atingir a marca de, aproximadamente, 5,4 bilhões de litros. Ainda assim, segundo Julio Minelli, os fabricantes não estão preocupados. “Nunca faltou biodiesel”, ressaltou destacando que a indústria ainda conta com ampla capacidade ociosa capaz de dar conta – com folga – no aumento na demanda. Além disso, o representante da Aprobio garante que com sinais mais claros no horizonte os investimentos tendem a voltar.
Previsibilidade
“Temos capacidade para [atender] o B10 tanto em termos de usinas de biodiesel quanto de processamento [de soja] e, com previsibilidade, os investimentos necessários para viabilizar o B20, ou até mais, virão”, garantiu Julio lembrando que o setor de biodiesel foi o primeiro a entregar ao Ministério de Minas e Energia um planejamento integrado para a evolução do mercado no longo prazo. No começo de outubro de 2016, as três principais associações do segmento – Abiove, Aprobio e Ubrabio – entregaram um documento conjunto no qual delineavam um mapa para chegar ao B20 até o ano de 2030.
Previsibilidade também é um tema centrem para a Brasilcom – entidade que reúne 39 distribuidoras que, em seu conjunto, cobrem todo o território nacional. “Não somos contra o biocombustível, como distribuidores somos a favor de qualquer tipo de combustível. O que somos é contra mudar o jogo no meio. [...] Pode ser o ‘B’ que for desde que não tenhamos surpresas. O que não dá é a gente se preparar para um B12 e vir, digamos, um B15”, pondera Sérgio Massillon relembrando que já chegou a ter que pagar para que caminhões-tanque ficassem parados porque não tinha a tancagem necessária para armazenar biodiesel.
Segundo o representante das distribuidoras é preciso manter em mente que o tempo do setor de distribuição não é, necessariamente, o mesmo das usinas. “Aumentar a tancagem e capacidade de carregamento das bases é um desafio. São obras caras e que exigem obter aprovações de órgãos do meio ambiente”, ressalta. “Temos associadas [da Brasilcom] que levam dois anos para conseguir as autorizações do estado e do município para conseguir construir tanques novos. É uma novela”, brinca.
Curto prazo
Garantir que as usinas – e as distribuidoras – tenham um horizonte de longo prazo não é a única urgência. Há uma série de questões mais imediatas que também precisam ser solucionadas para o B10.
De acordo com o diretor da ANP, Waldyr Barroso, os estoques reguladores se tornaram um ponto de preocupação para a agência. “Temos tido um problema com os estoques que vêm apresentando uma redução expressiva. Estamos nos debruçando sobre essa questão em antecipação ao B10”, indica. “Os estoques vêm sendo desvirtuados”, complementa.
O problema também foi detectado por Sérgio Massillon. Segundo ele, a forma como a ANP pune as usinas que deixam de retirar volumes comprados em leilão acaba criando um incentivo para que as distribuidoras adotem uma postura mais conservadora em suas aquisições de biodiesel e acabe recorrendo aos estoques para compensar. “Os estoques deveriam ser usados apenas em situações pontuais, mas não tem sido isso que tem acontecido. [...] Isso leva a uma redução na disputa dos leilões”, critica.
Acertar o meio de campo entre os diferentes elos da cadeia também tem se mostrado relevante. Especialmente agora em que os volumes serão maiores e, portanto, as chances de erro também. Esse ajuste tem sido permitido pelas reuniões do Comitê de Monitoramento do Abastecimento do Biodiesel (CMAB) – antiga Mesa de Abastecimento do Biodiesel – que auxiliam fabricantes e distribuidores a ajustarem suas expectativas. “Essas reuniões têm sido muito importantes para equalizar as informações. Temos uma ideia sobre o volume esperado pelo mercado”, conta Julio destacando que, nesses encontros, tanto ANP quanto distribuidores apresentam às usinas suas estimativas sobre a demanda no próximo leilão o que ajuda os fabricantes a planejarem suas compras de matérias-primas.
Julio também reclama do alto custo que o setor amarga com capital de giro. “Temos que garantir a matéria-prima antecipadamente e recebemos com uma defasagem muito grande em relação aos leilões”, reclama. Encurtar os prazos de pagamento do biodiesel entregue poderia aumentar a eficiência do setor como um todo.
Qualidade
Em ano de aumento de mistura, os reflexos para a qualidade do diesel também é uma preocupação admite Waldyr. “A gente viu situações não ideias no mercado de diesel depois do B8 quando chegamos a ter 6,6% de não conformidade”, diz. “Mas foi voltando à normalidade nos meses posteriores”, prossegue.
Contudo, esse ele considera que qualquer susto deverá ser passageiro e que não há risco da qualidade do diesel brasileiro regredir. “Antes de começarmos nosso programa de monitoramento a gente tinha uma qualidade muito ruim. Hoje estamos dentro de patamares internacionais”, garante.
Foco ampliado
Dar previsibilidade a cadeia do para o mercado ajudaria ainda em outros aspectos – como incentivar o processamento de soja. “A decisão sobre o plantio de soja é tomada em função da demanda por farelo, mas, sem uma aplicação para óleo, tudo fica mais complicado. A indústria de processamento precisa de equilíbrio”, prossegue Julio.
E nem tudo está diretamente sob controle dos atores da cadeia como bem lembra Sérgio. Com mais biodiesel circulando teremos mais caminhões rodando pelas estradas do país. “Estamos falando de um aumento substancial no trânsito de veículos pesados numa malha muito ruim que acaba baixando as velocidades médias. Desde já estamos orientando nossas associadas a conversarem com suas transportadoras sobre esse aumento do biodiesel”, pontua.
O próprio preço do biodiesel responde a questões que vão bem além dos limites mais estreitos do setor. “Nosso preço é dado pelos custos dos insumos, especialmente o óleo de soja que tem muita influência do mercado internacional. E ela vai continuar sendo nosso maior balizador, até mesmo o sebo passou a variar acompanhando o óleo de soja”, afirma Julio.
A despeito das dificuldades, Waldyr Barroso faz um apelo para que o pais se mova mais rápido para aproveitar as oportunidades abertas pela na indústria de biodiesel. “Ficamos anos parados no B5 com o mundo mudando ao nosso redor. Com políticas como essas, cada dia que você não se debruça é um dia a menos gerando riqueza. É algo que aconteceu com o pré-sal que não vamos conseguir explorar como poderíamos porque a demanda por petróleo deve começar a cair e que está acontecendo o mesmo com o biodiesel”, alerta. “Não que possamos agir com improviso, mas, decididamente, precisamos ir mais rápido”, finaliza.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
O B10 vem vindo por aí. Isso somado a uma – ainda incipiente, mas já notável – retomada no mercado de óleo diesel praticamente garante que a indústria de biodiesel do Brasil tenha um ano de 2018 dos mais agitados, com recordes sucessivos na produção e no consumo do biocombustível. Isso seguramente vai colocar um bocado pressão sobre todos os elos da cadeia seja entre os fabricantes, os distribuidores e o governo.
Compreender melhor quais são os desafios que estão previstos para o próximo ano e o que está já sendo feito para dar conta deles foi o objetivo do painel 5 da Conferência BiodieselBR 2017 que contou com falas do superintendente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio), Julio Minelli; do diretor da Associação das Distribuidoras de Combustíveis (Brasilcom), Sérgio Massillon; e do diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Waldyr Barroso.
De acordo com as contas da Aprobio, o consumo de biodiesel do país em 2018 deverá atingir a marca de, aproximadamente, 5,4 bilhões de litros. Ainda assim, segundo Julio Minelli, os fabricantes não estão preocupados. “Nunca faltou biodiesel”, ressaltou destacando que a indústria ainda conta com ampla capacidade ociosa capaz de dar conta – com folga – no aumento na demanda. Além disso, o representante da Aprobio garante que com sinais mais claros no horizonte os investimentos tendem a voltar.
Previsibilidade
“Temos capacidade para [atender] o B10 tanto em termos de usinas de biodiesel quanto de processamento [de soja] e, com previsibilidade, os investimentos necessários para viabilizar o B20, ou até mais, virão”, garantiu Julio lembrando que o setor de biodiesel foi o primeiro a entregar ao Ministério de Minas e Energia um planejamento integrado para a evolução do mercado no longo prazo. No começo de outubro de 2016, as três principais associações do segmento – Abiove, Aprobio e Ubrabio – entregaram um documento conjunto no qual delineavam um mapa para chegar ao B20 até o ano de 2030.
Previsibilidade também é um tema centrem para a Brasilcom – entidade que reúne 39 distribuidoras que, em seu conjunto, cobrem todo o território nacional. “Não somos contra o biocombustível, como distribuidores somos a favor de qualquer tipo de combustível. O que somos é contra mudar o jogo no meio. [...] Pode ser o ‘B’ que for desde que não tenhamos surpresas. O que não dá é a gente se preparar para um B12 e vir, digamos, um B15”, pondera Sérgio Massillon relembrando que já chegou a ter que pagar para que caminhões-tanque ficassem parados porque não tinha a tancagem necessária para armazenar biodiesel.
Segundo o representante das distribuidoras é preciso manter em mente que o tempo do setor de distribuição não é, necessariamente, o mesmo das usinas. “Aumentar a tancagem e capacidade de carregamento das bases é um desafio. São obras caras e que exigem obter aprovações de órgãos do meio ambiente”, ressalta. “Temos associadas [da Brasilcom] que levam dois anos para conseguir as autorizações do estado e do município para conseguir construir tanques novos. É uma novela”, brinca.
Curto prazo
Garantir que as usinas – e as distribuidoras – tenham um horizonte de longo prazo não é a única urgência. Há uma série de questões mais imediatas que também precisam ser solucionadas para o B10.
De acordo com o diretor da ANP, Waldyr Barroso, os estoques reguladores se tornaram um ponto de preocupação para a agência. “Temos tido um problema com os estoques que vêm apresentando uma redução expressiva. Estamos nos debruçando sobre essa questão em antecipação ao B10”, indica. “Os estoques vêm sendo desvirtuados”, complementa.
O problema também foi detectado por Sérgio Massillon. Segundo ele, a forma como a ANP pune as usinas que deixam de retirar volumes comprados em leilão acaba criando um incentivo para que as distribuidoras adotem uma postura mais conservadora em suas aquisições de biodiesel e acabe recorrendo aos estoques para compensar. “Os estoques deveriam ser usados apenas em situações pontuais, mas não tem sido isso que tem acontecido. [...] Isso leva a uma redução na disputa dos leilões”, critica.
Acertar o meio de campo entre os diferentes elos da cadeia também tem se mostrado relevante. Especialmente agora em que os volumes serão maiores e, portanto, as chances de erro também. Esse ajuste tem sido permitido pelas reuniões do Comitê de Monitoramento do Abastecimento do Biodiesel (CMAB) – antiga Mesa de Abastecimento do Biodiesel – que auxiliam fabricantes e distribuidores a ajustarem suas expectativas. “Essas reuniões têm sido muito importantes para equalizar as informações. Temos uma ideia sobre o volume esperado pelo mercado”, conta Julio destacando que, nesses encontros, tanto ANP quanto distribuidores apresentam às usinas suas estimativas sobre a demanda no próximo leilão o que ajuda os fabricantes a planejarem suas compras de matérias-primas.
Julio também reclama do alto custo que o setor amarga com capital de giro. “Temos que garantir a matéria-prima antecipadamente e recebemos com uma defasagem muito grande em relação aos leilões”, reclama. Encurtar os prazos de pagamento do biodiesel entregue poderia aumentar a eficiência do setor como um todo.
Qualidade
Em ano de aumento de mistura, os reflexos para a qualidade do diesel também é uma preocupação admite Waldyr. “A gente viu situações não ideias no mercado de diesel depois do B8 quando chegamos a ter 6,6% de não conformidade”, diz. “Mas foi voltando à normalidade nos meses posteriores”, prossegue.
Contudo, esse ele considera que qualquer susto deverá ser passageiro e que não há risco da qualidade do diesel brasileiro regredir. “Antes de começarmos nosso programa de monitoramento a gente tinha uma qualidade muito ruim. Hoje estamos dentro de patamares internacionais”, garante.
Foco ampliado
Dar previsibilidade a cadeia do para o mercado ajudaria ainda em outros aspectos – como incentivar o processamento de soja. “A decisão sobre o plantio de soja é tomada em função da demanda por farelo, mas, sem uma aplicação para óleo, tudo fica mais complicado. A indústria de processamento precisa de equilíbrio”, prossegue Julio.
E nem tudo está diretamente sob controle dos atores da cadeia como bem lembra Sérgio. Com mais biodiesel circulando teremos mais caminhões rodando pelas estradas do país. “Estamos falando de um aumento substancial no trânsito de veículos pesados numa malha muito ruim que acaba baixando as velocidades médias. Desde já estamos orientando nossas associadas a conversarem com suas transportadoras sobre esse aumento do biodiesel”, pontua.
O próprio preço do biodiesel responde a questões que vão bem além dos limites mais estreitos do setor. “Nosso preço é dado pelos custos dos insumos, especialmente o óleo de soja que tem muita influência do mercado internacional. E ela vai continuar sendo nosso maior balizador, até mesmo o sebo passou a variar acompanhando o óleo de soja”, afirma Julio.
A despeito das dificuldades, Waldyr Barroso faz um apelo para que o pais se mova mais rápido para aproveitar as oportunidades abertas pela na indústria de biodiesel. “Ficamos anos parados no B5 com o mundo mudando ao nosso redor. Com políticas como essas, cada dia que você não se debruça é um dia a menos gerando riqueza. É algo que aconteceu com o pré-sal que não vamos conseguir explorar como poderíamos porque a demanda por petróleo deve começar a cair e que está acontecendo o mesmo com o biodiesel”, alerta. “Não que possamos agir com improviso, mas, decididamente, precisamos ir mais rápido”, finaliza.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com