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[BiodieselBR 2016] O futuro dos leilões de biodiesel

O futuro dos leilões num momento em que o mercado espara novos avanços da mistura foi o tema do 3º painel da Conferência BiodieselBR 2016.
BiodieselBR.com 8 min de leitura
O sistema de leilões de biodiesel se tornou uma unanimidade dentro do setor: todo mundo envolvido na cadeia concorda que eles cumprem muito bem seu papel de organizar o meio de campo entre as usinas e as distribuidoras. Logicamente isso não foi construído do dia para noite – os processos foram aperfeiçoados durante um longo processo de tentativa e erro. E, no momento, há quem suspeite que o modelo pode chegar ao limite conforme a mistura obrigatória avance e passemos a negociar mais de um bilhão de litros por bimestre.

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O sistema de leilões de biodiesel se tornou uma unanimidade dentro do setor: todo mundo envolvido na cadeia concorda que eles cumprem muito bem seu papel de organizar o meio de campo entre as usinas e as distribuidoras. Logicamente isso não foi construído do dia para noite – os processos foram aperfeiçoados durante um longo processo de tentativa e erro. E, no momento, há quem suspeite que o modelo pode chegar ao limite conforme a mistura obrigatória avance e passemos a negociar mais de um bilhão de litros por bimestre.

Essa inquietação foi o tema do painel “Os leilões de biodiesel e o mercado autorizativo: como as compras de biodiesel serão impactadas pelos novos mercados” que abriu o segundo dia da Conferência BiodieselBR 2016 e contou com falas de representantes do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), do Ministério de Minas e Energia (MME) e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

O coordenador-geral de biodiesel do MME, Ricardo Gomide, recordou um pouco da história do processo de evolução dos leilões de biodiesel. Muito antes dos leilões bimestrais nos quais das distribuidoras podem comprar tanto biodiesel quanto precisarem das usinas que bem entenderem, tivemos certames nos quais as usinas se comprometiam a entregar o biodiesel a preço fixo por até um ano inteiro. “Muitos de vocês viveram fortes emoções nessa fase”, brincou apontando o simbolismo de que nenhuma das quatro usinas que participaram do primeiro leilão – Agropalma, Brasil Biodiesel, Granol de Campinas e Soyminas – continua no mercado.

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“Lá atrás, tinha um discurso muito forte de que os leilões atrapalhavam o setor. Hoje, todo mundo concorda que está funcionando bem”, ressalta o servidor do MME. Ele destaca que o mercado “evoluiu muito” ao longo de um período que já se prolonga por 9 anos – a contar do primeiro leilão da fase autorizativa em 2005.

Entre os motivos dos leilões terem se tornado um sucesso de público e crítica está o fato de que ele acaba permitido que a ANP compare as compras de biodiesel com as vendas de diesel de todas as distribuidoras. Esse balanço de massa garante afasta os riscos de fraudes, um fantasma que sempre assusta as distribuidoras. “Precisamos continuar tendo um ambiente ético de trabalho com controle sobre a cadeia para que não tenhamos fraudes na comercialização e transporte do biodiesel”, preocupa-se o diretor de Abastecimento e Regulação do Sindicom, Leandro de Barros Silva.

Ainda assim, o panorama sobre o qual o sistema atual foi concebido está em mudança. “Se pegarmos uma máquina do tempo e formos direto até 2030, vamos ter duas coisas: vai ter muito mais biodiesel sendo negociado e a Petrobras vai ter um novo papel no mercado brasileiro”, pondera Gomide. Uma das premissas não declaradas do sistema de leilões é que, como praticamente todo o diesel comercializado no Brasil já passa pela Petrobras faz sentido que todo o biodiesel também passe pela estatal. Acontece que a Petrobras está redesenhando sua atuação. “[Em 2030], a Petrobras terá aproximadamente 50% do mercado brasileiro de óleo diesel. A outra metade virá de importações e de outros atores. Será que, nesse outro papel, a Petrobras ainda será compatível com os leilões de biodiesel?”, questiona.

Mudanças

O setor não está parado esperando o futuro chegar. Segundo Gomide, o ministério, a ANP, fabricantes e entidades do setor de distribuição têm mantido um diálogo mais próximo. Especialmente do ponto de vista da garantia de abastecimento do mercado. “Estamos todos no mesmo barco. Temos funções diferentes nele, mas todos trabalhamos para que ele tenha uma trajetória tranquila”, descreve.

Uma mudança que pode estar mais próxima do que se imagina é no processo de habilitação dos leilões. Conforme o superintendente de abastecimento da agência, Francisco Castro Neves, reconhece a exigência de que as empresas encaminhem cópias novas de sua documentação a cada leilão de biodiesel se tornou uma fonte de dores de cabeça. “Temos o risco de atrasos e de extravios causados pelos Correios o que nos leva a um aumento no número de recursos. Estamos tentando modernizar isso”, adiantou. Acrescentou que, embora seja estritamente “cartorial”, o processo de habilitação é o que mais consome tempo nos leilões. “Cerca de 45% do tempo gasto por nossos funcionários com os leilões de biodiesel é consumido pela habilitação”, reclama.

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A ANP também está olhando para mudanças capazes de tornar o processo de negociação mais dinâmico de modo a encurtar um pouco negociações que – não raro – entram madrugada adentro. “A Etapa 4 já deixou de acontecer logo depois da Etapa 3 e passou para o dia seguinte para encurtar e, também, estamos estudando aumentar o intervalo de lances de R$ 5 para R$ 10”, completa.

Outra proposta menos pontual e que pode chegar logo é a ideia de adaptar – ao setor de biodiesel – uma mesa tripartite nos mesmos moldes da que foi criada para acompanhar as andanças do setor de etanol com reuniões a cada dois meses para nivelar informações a respeito da oferta de matérias-primas, estoques e capacidade de oferta do mercado. “Nossa proposta é que, a partir de 2017, a gente tenha uma mesa de abastecimento do biodiesel”, diz Gomide. Esse seria um fórum interessante para a elaboração de propostas para o futuro do sistema de comercialização do biodiesel. “Se o futuro seria a negociação direta entre fabricantes e compradores ou uma câmara de comercialização autorregulada... não temos a resposta, mas temos que resolver os desafios de fazer essa transição da forma mais saudável possível”, completa.

Autorizativo

Além de mudanças nos leilões. O mercado também tenta descobrir formas de fazer o mercado de misturas autorizativas deslanchar. Para Gomide, desde a aprovação do novo marco regulatório do setor, as usinas ficaram menos propensas a investir nesse nicho. “O autorizativo era visto como uma válvula de escape para o excedente de capacidade produtiva, com o aumento de mistura esse excedente já não é mais visto como um problema tão grande”, admite. Aponta ainda que, nos últimos leilões, as usinas vêm pedindo mais para o biodiesel no mercado autorizativo do que suas ofertas no leilão regular. “Para fechar negócio tem que ter disposição e preço compatível. Por que eu, como consumidor de diesel, pagaria mais no autorizativo do que pago no obrigatório?”, questiona.

“O problema maior no autorizativo é preço”, concorda Casto Neves ao analisar a baixa adesão ao mercado autorizativo. Apesar disso, ele acredita que haja potencial a ser desenvolvido. “Tem uma oportunidade para que as empresas usem um combustível mais limpo e agreguem valor à sua marca por terem uma produção mais ambientalmente correta”, diz lembrando que ainda antes do lançamento da mistura obrigatória uma distribuidora obteve bons retornos ao usar o biodiesel em sua estratégia de marketing.

Pós-venda

Para as distribuidoras o processo de comercialização é só mais um elo da cadeia. O Sindicom, está bastante preocupado com tudo o que vem depois. Com mais biodiesel sendo transportado significa um número maior de caminhões-tanque rodando pelos quatro cantos do país o que é importante não apenas porque gera um custo relevante como, também, porque aumenta os riscos. “Teremos um aumento significativo de exposição porque o número de acidentes nas estradas é bastante preocupante e isso exige um olhar mais atento e responsável porque não queremos operar causando vitimando pessoas e o meio ambiente”, garante Barros da Silva.

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O Sindicom já está caminhando para tentar reduzir os riscos. Seja incentivando o desenvolvimento de arranjos logísticos inovadores que permita tirar o máximo possível de biodiesel dos caminhões para transportá-lo por via férrea, cabotagem e/ou dutos. Nesse sentido, o diretor do sindicato destaca o investimento feito em Rondonópolis (MT) que permitiu a movimentação de parte do biodiesel fabricado pela ADM e pela Cofco por trilhos. “Ter uma infraestrutura que permita modais alternativas ao rodoviário é um dos grandes desafios que temos pela frente”, arremata.

Enquanto essa revolução não chega, o Sindicom vem mapeando as estradas mais problemáticas de forma a evitá-las sempre que possível. “Estamos monitorando os acidentes para que a gente transite mais pelas estradas mais seguras”, anima-se.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
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