O assessor econômico da Abiove, Leonardo Zilio, compartilhou as projeções de futuro da indústria de esmagamento na Conferência BiodieselBR 2013.
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O assessor econômico da Abiove, Leonardo Zilio, compartilhou as projeções de futuro da indústria de esmagamento na Conferência BiodieselBR 2013.
O assessor econômico da Associação Brasileira de Óleos Vegetais (Abiove), Leonardo Zilio, participou da Conferência BiodieselBR 2013 como representante de uma associação não só de usinas, mas, também, das principais empresas de processamento de oleaginosa. São dois elos diretamente interessados em novos aumentos da mistura obrigatória de biodiesel. Os números apresentados pelo economista indicam que temos boas condições para chegar ao B10 e, até, explorar percentuais acima.
“A proposta coloca isso [misturas superiores ao B10] como opção, mas seria bastante inteligente nós, como nação, desenvolvermos instrumentos legais que possibilitassem o uso de misturas superiores”, defendeu Zilio. É certo que se trata de um setor novo, que passou por toda uma curva de aprendizagem. Mas se tivéssemos, a critério do Executivo, a possibilidade de ir além do B5, teríamos podido, já em 2011 ou 2012 usufruído de um B6 e, agora, de um B7”, analisou. “A pergunta que fica é por que impor que nós, brasileiros, não possamos usufruir dos benefícios do biodiesel se isso for possível?”, questionou.
Soja Pelas estimativas da Abiove, no ano que vem o Brasil deve colher 86 milhões de toneladas de soja. Destes, cerca de 37 milhões serão processadas aqui resultando em 7 milhões de toneladas de óleo. É o bastante para garantir o aumento imediato da mistura para 7%.
O abastecimento do mercado seria garantido mesmo na eventualidade de uma quebra de safra. “Supomos que se repita o cenário de 2012 em que a quebra da safra de soja foi severa – talvez a maior dos últimos 20 anos. Ainda assim, sobrariam 41 milhões de toneladas de soja para processar”, salientou afirmando em seguida que fatores climáticos, embora relevantes para o setor de agronegócios, não interferem diretamente na disponibilidade do óleo. “Portanto, é bastante confortável, responsável, afirmar que essa banda mínima proposta [pela Ceib] poderia partir dos 7%”, concluiu.
Além disso, ele ponderou que o novo marco poderia funcionar como um incentivo a um maior processamento do grão da soja no mercado doméstico – posição esta que foi reiterada no debate que sucedeu a primeira rodada de palestras do segundo dia do evento. “Dadas às necessidades adicionais de biodiesel, o setor [de esmagamento] tem mais um incentivo.”
Futuro Zilio também apresentou projeções de longo prazo sobre disponibilidade do óleo de soja relacionando-as com incrementos na mistura compulsória. Na simulação feita pela Abiove, que parte da proposta do uso de uma mistura obrigatória de B10 em 2020, a produção de biodiesel passaria a absorver a maior parte do óleo que hoje é destinado ao mercado externo.
A ampliação da mistura também levaria a um aumento da participação de outras matérias-primas na produção de biodiesel. “É pouco provável que outras matérias-primas não tenham crescimento absoluto por conta da entrada de B7. Certamente, estimularia uma maior utilização do sebo bovino (...) poderíamos empregar mais óleos e gorduras residuais”, sugeriu. Aumentos ainda maiores no horizonte futuro poderiam ser o incentivo que falta para a diversificação do setor. “Nessa perspectiva, assumimos a evolução natural de outras matérias-primas destinadas à produção de biodiesel. Tomando 2020 como ponto de partida, poderíamos ter biodiesel via novas fontes, hoje não consideradas”, previu.
Balança O assessor econômico pontuou que, em termos de balança comercial, o biodiesel gera outros dividendos além da sempre lembrada redução das importações de diesel. “O biodiesel tende a gerar um processamento maior de soja, que vira 20% de farelo e 80% de óleo. Parte desse farelo incremental será exportado (...) e isso precisa ser ponderado”, observou o palestrante. Lembrou ainda que o incremento da produção de farelo serve de incentivo indireto ao mercado de carnes, criando ainda mais opções de exportação em segmentos de maior valor agregado.
“Vemos uma complementaridade muito grande do processamento da soja, a produção de biodiesel e a produção de carnes. Os estados onde processamos 94% da nossa safra de soja são os mesmos lugares onde se concentram 90% da capacidade nacional de produção de biodiesel e onde abatemos 90% dos nossos bovinos, suínos e aves”, observou.
Mas haveria mercado para exportar o farelo adicional? Segundo Zilio, sim. “Dados da FAO mostram que o consumo per capita de frango cresce de 4% a 4,5% por ano. A base alimentar do frango é farelo”, lembrou acrescentando que não só o mercado interno como também o externo pressiona por alimentos. “A pressão por proteína animal em países em desenvolvimento como China e Índia gerará (...) uma demanda por derivados da soja como o farelo. Cabe ao Brasil dar competitividade a esse produto e colocá-lo no mercado internacional”, sentenciou.
A alta das exportações de glicerina foi outro benefício apontado por Zilio num cenário de maior produção de biodiesel. Essa mesma percepção já havia sido comentada pela empresária Carla Vilas Boas Romero, que atua no ramo de exportação de glicerina, em palestra realizada no dia anterior.
Economia Um exercício semelhante de futurologia foi proposto pelo palestrante para dimensionar o impacto nas importações do diesel.
Zilio partiu de um cenário pressuposto de B7 em 2014 aumentando progressivamente até B10 em 2020. Pelas contas da Abiove, esse contexto redundaria numa economia, aos cofres da Petrobras, de R$ 2,3 bilhões já no próximo ano e de algo em torno de R$ 7,2 bilhões em 2020, com o B10 implementado.
Insignificante Pesa ainda a favor da criação do novo marco, segundo o assessor econômico, o fato dos impactos inflacionários da medida serem ínfimos perto dos benefícios produzidos. Para respaldar essa afirmação Zilio apresentou dados de um estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). “Ao avançar de B5 para B7, levando em conta valores médios históricos de 2005 a 2012, o impacto é menor que um centavo de aumento na tarifa de ônibus e de R$ 0,20 na cesta básica”, comparou.
Ainda que se dobrasse o patamar da mistura atual, passando para B10, o efeito no bolso da população brasileira continuaria sendo suave, segundo Zilio: de R$ 0,017 na tarifa ônibus e R$ 0,50 na cesta básica. “Vale salientar que, como o [diretor de energias renováveis do MME, Ricardo] Dornelles observou, as condições mudaram e a diferença de preço entre o biodiesel e diesel caiu de R$ 1 para R$ 0,38, de forma que as pesquisas indicam uma redução do impacto inflacionário de em torno de 50% em cima dessas estimativas originais da FGV”, ressalvou.
Para Zilio, esse fator somado aos outros tantos mencionados – ele citou também a boa percepção dos agricultores familiares acerca do PNPB e o incremento do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) nos Estados que concentram municípios produtores de soja – fazem com que a balança penda para a evolução do marco regulatório.
“O biodiesel agregou valor ao sebo e óleo cozinha, outrora resíduos; tem impacto ambiental bastante positivo, já que seu uso ajuda a reduzir as emissões; é um importante vetor para o setor de carne (...) gera empregos, contribui com PIB”, disse Zilio ao listar os benefícios do programa. “E está pronto, maduro para aumentar seu grau de responsabilidade na matriz energética nacional”, assegurou.