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[BiodieselBR 2013] Glicerina: de problema a solução

BiodieselBR2013 CarlaVilasBoas_081113O mercado global de glicerina foi o tema da palestra que Carla Vilas Boas Romero apresentou ao púlbico da Conferência BiodieselBR 2013.
BiodieselBR.com 6 min de leitura
O mercado global de glicerina foi o tema da palestra que Carla Vilas Boas Romero apresentou ao púlbico da Conferência BiodieselBR 2013.

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O público da Conferência BiodieselBR 2013 foi brindado com uma detalhada visão mercadológica sobre a glicerina de Carla Vilas Boas Romero. Ela é proprietária da Lumina Trading, empresa brasileira especializada na comercialização de produtos químicos e petroquímicos. Segundo ela a evolução desse coproduto do biodiesel foi notável. “Há oito, nove anos, a glicerina era um problema. O produtor pensava ‘o que eu vou fazer com isso?’. E hoje, o cenário é muito diferente. A glicerina contribui bastante para a rentabilidade do negócio biodiesel”, afirmou.

A glicerina mais produzida pela indústria de biodiesel é a chamada “glicerina loira” – chamada assim por sua tonalidade amarela. As exportações vêm crescendo no Brasil desde 2008, impulsionadas pela melhora na qualidade do produto. “A projeção para este ano é que sejam exportadas mais de 180 mil toneladas”, informou.

Ela salientou como uma das principais revoluções desse mercado as mudanças na demanda por qualidade. “O fato de o Brasil utilizar uma gama ampla de matérias-primas na produção não favoreceu um produto muito uniforme”, expôs.

Segundo ela, a glicerina mais aceita pelo mercado internacional tem, no mínimo, 80% de glicerol. “Entretanto, muitos produtores de biodiesel não conseguem fazer a glicerina com esses 80%”, disse Carla ressalvando que é possível exportar glicerina com teores menores (70% e até 60%). “Mas depende de fatores diversos. Se a demanda está aquecida, por exemplo, favorece a flexibilização na aceitação do produto com um teor de glicerol um pouco menor”, ponderou.

Boa imagem
A China tem sido o principal destino das exportações de glicerina produzida não só no Brasil como também em outros países sul-americanos. Em 2012, o país recebeu 90% do produto brasileiro enviado ao exterior e, neste ano, já importou até agosto mais de 78% da glicerina loira fabricada no Brasil. A Malásia aparece como o segundo maior mercado consumidor do produto brasileiro.

Entre os fatores apontados pela palestrante que fazem da China um mercado bastante interessante para exportação de glicerina estão o fato de o país demandar um volume grande do produto e ter uma logística muito favorável. “O melhor retorno de mercado que temos é quando exportamos para a China”, avaliou.

Apesar do volume robusto já exportado, este ano o Brasil disputa nariz com nariz a primeira posição do ranking com a Indonésia, que aumentou seu volume de exportações para o mercado chinês. Juntos, os dois países respondem por quase 60% das importações de glicerina do gigante asiático.

E as importações chinesas que – em 2012, ficaram na faixa de 530 mil toneladas – devem continuar crescendo nos próximos anos. Isso quer dizer que, mesmo que o Brasil adote o B7 no curto prazo, há espaço no mercado. “Existe espaço para esse volume adicional de glicerina que será gerado porque o Brasil tem uma imagem muito positiva na China por ser um fornecedor consistente”, afirmou Carla.

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Carla classificou o custo logístico interno do Brasil como “caro” para um produto que, segundo ela, não tem um valor agregado dos mais altos. “Os produtores do Sul têm uma vantagem em relação aos do Centro-Oeste, embora nem todas as usinas daquela região estejam próximas ao porto.”

Carla observou que a Argentina consegue enviar a glicerina para destinos mais diversificados que o Brasil. Segundo ela, tal fato deriva da vantagem logística que os fabricantes argentinos detêm sobre os brasileiros. “As plantas de biodiesel ficam muito próximas aos portos fluviais de Rosário e San Lorenzo, o que faz os produtores consigam colocar seu produto”, explicou. “Além disso, o biodiesel argentino é produzido 100% com óleo de soja, o que torna a qualidade da glicerina desses produtores muito similar. Então, dá para juntar glicerina de diferentes produtores e colocar num mesmo tanque sem comprometer a qualidade.”

Bem renumerada
O preço pago pela glicerina loira nas operações comerciais para o exterior também se tornou mais atraente, tornando-se mais um incentivo para fabricantes enviarem o produto para fora de seus países. “De 2008 até 2012, o preço oscilou bastante. De lá para cá, têm apresentado menor variação, atingindo um patamar, historicamente, bem mais interessante e consistente”, constatou Carla.

Até 2011, a Argentina superava o Brasil em volume de exportações de glicerina loira. No ano passado, esse número quase que se equiparou e, em 2013, os brasileiros ultrapassaram os argentinos nas remessas do produto para o exterior. “As exportações argentinas despencaram neste ano”, informou a empresária.

Top de linha
Melhor que a glicerina loira, o produto refinado ainda não é tão comum no país. Segundo Carla, é difícil dimensionar o tamanho do mercado de glicerina refinada. “Trata-se de um produto que não tem um mercado próprio, pois é muito flexível, com diversas aplicações”, esclareceu. “Mesmo no Brasil é complicado estimar a produção”, admitiu. Estima-se que o país produza algo em torno de 50 a 60 mil toneladas. Mas essa produção deve ser ampliada com o início da operação de três novas plantas de refino, cujas capacidades produtivas, somadas, giram entre 100 e 150 mil toneladas.

Ela destacou que, além das aplicações tradicionais, essa glicerina de melhor qualidade também tem sido muito utilizada para a produção de epicloridrina – substância usada na fabricação de resinas epoxy. “A gente percebe muitos investimentos na construção de plantas de epicloridrina na China. A capacidade instalada mais que dobrou de 2011 para 2013.” De acordo com a empresária, para essa aplicação, é exigida uma glicerina com 95% de glicerol.

Reverso
A Argentina foi apontada por Carla como um dos grandes players do mercado de exportação de glicerina refinada. Até agosto, o país já tinha enviado ao exterior mais 72,6 mil toneladas do produto. A previsão é que, até o final do ano, esse volume passe da casa das 100 mil toneladas.

A empresária observou ainda que a Argentina concorre com os demais players em condição de vantagem, pois fez os investimentos necessários para que sua glicerina alcançasse uma altíssima qualidade, com elevado grau de pureza.

Normalmente, a glicerina refinada costuma ser mais valorizada. Segundo Carla, a ela pode ser pago de US$ 10 a 20 dólares a mais que o oferecido à glicerina mista.

Cátia Franco – BiodieselBR.com
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