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[BiodieselBR 2013] Chega de usinas novas

BiodieselBR2013 ErasmoBattistella_041113Veja aqui como foi a palestra de ao presidente do Conselho da Aprobio, Erasmo Battistella, na edição de 2013 da Conferência BiodieselBR.
BiodieselBR.com 6 min de leitura
Veja aqui como foi a palestra de ao presidente do Conselho da Aprobio, Erasmo Battistella, na edição de 2013 da Conferência BiodieselBR.

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A palestra de Erasmo Battistella na edição de 2013 da Conferência BiodieselBR ficou dentro do esperado de uma liderança que estava lá para representar a linha de frente da cadeia de biodiesel: os produtores. Além de diretor-presidente da gaúcha BSBios, Erasmo é presidente do Conselho da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio). Coube a ele o papel de identificar “O principal desafio para o setor”, título de sua palestra.

Há poucos meses, a BSBios conseguiu superar uma barreira histórica do setor produtivo e se tornou a primeira usina brasileira a exportar biodiesel. “Os produtores precisam fazer a lição de casa, buscar as certificações necessárias para poderem suprir a demanda da Europa, que certamente surgirá”, vaticinou. Ele se referia à janela de oportunidade que está se abrindo para as usinas brasileiras agora que a União Europeia anunciou que irá punir a Argentina e Indonésia, até poucos meses atrás principais exportadoras do biocombustível, com a imposição de taxas antidumping que deverão afetar sua competitividade no mercado de biodiesel.

Também aproveitou a deixa para destacar o uso do transporte ferroviário para o escoamento da produção. Ele reconheceu que os investimentos na matriz ferroviária podem ter um impacto positivo na logística do setor e para que o produto final mantenha sua qualidade ao longo de toda a cadeia.

B20
Erasmo também manifestou seu descontentamento com a ausência de um anúncio por parte governo do aumento imediato da mistura obrigatória. A entidade foi uma das que encabeçou o pleito pela criação do novo marco regulatório.

“Confesso que vim para cá, aliás, nós, produtores, viemos para cá para ouvir coisas melhores para o setor”, disse. Ele se referia a palestra de Rodrigo Rodrigues, coordenador da CEIB, que foi feita pouco antes, onde informou que a proposta do novo marco ainda não tinha sido objeto de deliberação definitiva por parte do governo. “Poderíamos estar ouvindo aqui que o B7 seria implementado no próximo leilão”, cobrou.

Em sua explanação, Erasmo destacou os efeitos negativos do estacionamento da mistura obrigatória, com perdas no PIB, ausência de geração de empregos na cadeia e gastos com importação do diesel, a fim de reforçar a necessidade de uma evolução. “Não podemos ficar parados”, enfatizou, salientando, que na análise da entidade, há um atraso de dois anos no estabelecimento do novo marco.

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Ele defendeu a criação de um marco regulatório, fixado num intervalo de teores mínimo e máximo de biodiesel entre 7% e 10%, com uma banda autorizativa para o B20. “Daqui a cinco, seis anos, podemos ter óleo de palma, de girassol, de algodão mais baratos e usar B15, B18 em alguns mercados”, expôs. “Mas é importante já termos uma previsão legal para evitarmos de voltar a bater na porta do Rodrigo [Rodrigues, coordenador da Ceib], do [Ricardo] Dornelles [diretor de energias renováveis do MME] e pedir a revisão do marco regulatório”, alerta.

Saturação
Ciente de que boa parte do público com o qual falava era composto por produtores, Erasmo direcionou a eles um apelo para que não tomassem a proximidade do novo marco regulatório como um sinal verde para iniciarem a construção de usinas novas ou a ampliação das antigas. O que, em sua opinião, acabaria atrapalhando o setor como um todo. “A gente respeita os investimentos e toda estratégia de cada empresário. Mas temos que fazer mea culpa: construímos muitas usinas”, admitiu.

Embora feita em tom de brincadeira, a declaração denota a preocupação da indústria de biodiesel com a saturação do mercado. “Agora com esse aceno do B7, dado pelo Rodrigo aqui, não vamos querer ser um mais esperto que o outro e ficar fazendo fábrica nova de biodiesel. Se aumentarmos a capacidade instalada, o setor vai sofrer nos próximos anos”, alertou.

Erasmo sustentou também que, no momento atual, o biodiesel já poderia ser vendido a preço mais barato do que o diesel. “A conta que o governo para mostrar o estreitamento da diferença entre o preço do biodiesel e diesel é com base nos valores do biodiesel que sai das usinas e do diesel nas refinarias. E nós respeitamos”, afirmou. “Mas, como consumidor de diesel, o importante para mim é outra conta, que mostra que o diesel S10 na bomba está mais caro que o biodiesel”, ressalvou.

Para o empresário, estados como o Mato Grosso poderiam trabalhar com teores de misturas maiores. Isso porque existe um custo maior para trazer o diesel e um custo de produção do biodiesel mais barato, em função da ampla disponibilidade da matéria-prima. “Temos nichos de mercado que poderiam ser explorados e dar mais oportunidades para a indústria de biodiesel.”

Unificação
Erasmo também defendeu a criação de uma pauta única para o setor. “Hoje temos três representações do setor [Aprobio, Ubrabio e Abiove]. Está na hora de termos uma pauta única, de unir os representantes para defender nossos interesses com linguagem uníssona, para que esse setor seja ainda maior do que já é e consigamos vitórias de forma mais fácil”, discursou. 

Vindo de que vem, o aceno na direção de uma liderança unificada tem peso simbólico. Não custa lembrar que Erasmo foi um dos principais protagonistas no racha da Ubrabio acontecido em maio de 2011 que, poucos meses mais tarde, acabaria levando à criação da Aprobio. Para esclarecer em que termos ele esperava ver essa união, o diretor executivo de BiodieselBR, Miguel Angelo Vedana, indagou ao presidente do Conselho da Aprobio se a proposta de pauta única é amparada pela ideia de se criar apenas uma entidade e se ela seria presidida por ele.

Adotando um tom conciliador, Erasmo rebateu afirmando que não estava fazendo campanha e que era preciso deixar a vaidade de lado, pois o que importava eram os interesses das as usinas. “O mais importante é ter uma entidade que representa a indústria de biodiesel, liderada pela pessoa que o setor achar mais capacitada. E de forma alguma tem que ser o Erasmo”, respondeu.

A apresentação de Erasmo Battistella pode ser acessada clicando aqui.

Cátia Franco – BiodieselBR.com

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