Proálcool recupera o antigo prestígio
O Programa Nacional do Álcool – Proálcool -, depois de ser desativado oficialmente no início da década de 90, o governo do então presidente Fernando Collor, renasce com força. Especialistas afirmam que o setor sucroalcooleiro, começa a se disseminar por diversos países, ampliando o potencial para as exportações brasileiras do produto, ao mesmo tempo em que no mercado doméstico há uma febre de vendas de veículos motores bicombustível (movidos a gasolina ou álcool).
Em novembro, o Proálcool completou 30 anos. O programa, encarado com desconfiança quando foi lançado em 1975, enfrentou duras críticas pelas vantagens que concedia mesmo em seu auge, nos anos 1980. “Não fosse o Proálcool, não estaríamos vivendo a fase atual. Com o programa, aprendemos a produzir álcool combustível e o consumidor aprendeu a usá-lo”, afirmou Ângelo Bressan, diretor do Departamento de Cana e Agroenergia do Ministério da Agricultura.
Os incentivos do passado – como tributação menor e preços fixados em 70% do valor da gasolina, por exemplo – não existem mais, mas hoje o principal incentivo ao combustível alternativo é o mesmo da década de 1970: petróleo em alta. Daí o sucesso do produto nesta nova fase, considerada por muitos como a segunda etapa de expansão do Proálcool, movida apenas pelo mercado, e que tem ajudado a alimentar produtos como o de estimulo ao biodiesel.
“Depois de um início fantástico, quando o Brasil teve a coragem de apostar em veículos movidos 100% a álcool, hoje o Proálcool é um novo negócio”, afirmou Eduardo Pereira de Carvalho, presidente da União das Agroindústrias Canavieiras de São Paulo – Única. Ele lembra, porém, que o Proálcool teve seu fim decretado quando os preços do petróleo voltaram a cair. Para analistas, essa lembrança serve também como advertência.
No Brasil, a aposta das montadoras de veículos nos carros flexfuel ganhou fôlego há três anos, e a receptividade dos consumidores pelos lançamentos que ainda se multiplicam foi surpreendente. Em 2004, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores – Anfavea -, a participação dos bicombustível nas vendas totais foi de 21,6%. Em 2005, o percentual já chegou a 49,5%. Com toda a demanda adicional criada, já que a maioria desses carros roda com álcool em virtude da gasolina mais cara, os investimentos se multiplicaram.
INVESTIMENTOS
Carvalho estima que as usinas sucroalcooleiras aplicarão cerca de US$ 6 bilhões em novas unidades até a safra 2010/11, aumentando a produção de álcool em pelo menos 10 bilhões de litros para atender à demanda interna e externa. Com os aportes previstos, a produção brasileira de açúcar, que tem um mercado igualmente promissor, deverá crescer em mais 5 milhões de toneladas. Atualmente, o Brasil produz 16 milhões de litros de álcool por ano, dos quais 13 milhões são consumidos internamente. As exportações estão estimadas em 2,5 bilhões de litros, mas podem atingir 6 bilhões em 2010/11. O presidente da Única lembra que, no início do Proálcool, a produção brasileira de álcool hidratado não ultrapassava a marca de 500 milhões de litros.
Com o expressivo crescimento projetado será preciso ampliar a produção de cana. Dessa nova cana a ser produzida a maior parte será dedicada ao álcool, avançará sobre o açúcar. No mix atual, o percentual do álcool é de 52%. Em cinco anos, poderá chegar a 60%. São otimistas as estimativas e em grande parte dependerão das próprias usinas.
DESCRÉDITO
Julio Maria Martins Borges, da Job Economia e Planejamento, recorda que depois de ter sofrido críticas nas décadas de 1970 e 1980, o Proálcool caiu totalmente em descrédito,quando os preços do petróleo recuaram e as usinas começaram a reduzir a produção e a elevar a aposta no açúcar, que começava a despontar como protagonista na balança comercial do País. “Antes o programa precisava da forte ajuda do governo. Hoje, caminha com as próprias pernas”, disse Fernando Homem de Melo, professor titular da FEA/USP e crítico do Proálcool na década de 1970.
O Brasil vem tentando se consolidar como ator principal na produção de biodiesel e o governo federal acaba de criar seu Programa de Agroenergia, que inclui todas as cadeias de produção de combustíveis alternativos. Poucos, contudo, têm a competitividade do álcool e a boa aceitação que o produto da cana tem junto aos consumidores.
Adriano Pires, presidente do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura – CBIE -, prevê que o consumo do álcool hidratado aumentará 16,5% ao ano até 2010 no Brasil, principalmente em virtude do crescimento do mercado de veículos flexfuel. De acordo com Pires, que participou do seminário “Proálcool: 30 anos Depois”, 70% do consumo de combustível dos carros flexfuel serão de álcool hidratado. “Não acredito que o preço do petróleo (do qual é produzida a gasolina) caia mais”, disse o consultor.
Na opinião de Pires, em 2008 todos os veículos leves vendidos no Brasil serão movidos a álcool e/ou gasolina. Em contrapartida, o consumo da gasolina no mercado interno deve cair 0,1% ao ano até 2010, de acordo com estimativas do CBI. Já a queda da demanda é álcool anidro, que é misturado em 25% à gasolina vendida nos postos, deve cair 3,9%ao ano no período avaliado.
Considerando que o gás natural não terá problemas de oferta no Brasil, Pires estima que a demanda pelo combustível deve crescer 11,8% ao ano até 2010. “Entendo que em 2006, pelo que o governo já demonstrou, deverão ocorrer elevações grandes nos preços do GNV, por exemplo”, afirmou.
ALERTA
Pires alertou para a falta de uma política pública que determine o papel dos combustíveis e ainda a falta de normas para preços na matriz energética brasileira. “O Brasil é o único país do mundo que tem um programa de biomassa viável economicamente e o preço é uma questão fundamental, que as autoridades deveriam avaliar quando discutem energia”, disse.
Em relação à matriz energética, o CBIE estima que a participação de derivados de cana-de-açúcar deve saltar de 13% para entre 15,2% e 15,6% em 2010 e a do petróleo deve cair de 40% para entre 34,8% e 36,8% no período. Já a participação do gás natural na matriz energética deve subir de 9% para entre 14,5% e 11,2%. O percentual em 2010 é viável, segundo o CBIE, em virtude da restrição, ou não, na oferta do gás natural.
O Óbvio, um projeto que levou quatro anos para ser desenvolvido e que acaba de ser desenvolvido e que acaba de ser negociado para ter distribuição no mercado norte-americano. É um minicarro movido a bicombustível, com capacidade para três pessoas em um único banco, totalmente desenvolvido e produzido no Brasil, equipado com um motor traseiro refrigerado a ar de 1.6 litros de 80cv e custando entre R$34.300,00 (US$ 14 mil, modelo esportivo) e RS$68.600,00 (US$ 28 mil, modelo para uso urbano) deve ser vendido na Califórnia, nos Estados Unidos, já a partir do ano que vem.
CONTRATO INÉDITO
A empresa carioca Óbvio Automoto Veículos conseguiu fechar um contrato inédito no País, destinado à exportação direta para distribuição futura de 50 mil carros por ano para o mercado norte-americano. O contrato, válido por 21 anos, foi fechado com a empresa ZAP, dos Estados Unidos, em setembro, mas a empresa brasileira pretende exportar para Europa e Ásia, também a partir do ano que vem.
O carro teve apoio financeiro da Financiadora de Estudos e Projetos – Finep -, do Ministério da Ciência e Tecnologia, que estimulou o desenvolvimento do protótipo. O presidente da Óbvio, Ricardo Machado, disse que a Finep, que apoiou no passado um outro carro de design nacional, o Gurgel, vê com bons olhos o Óbvio, cujo “formato é diferenciado e favorece muito a implantação de diversas indústrias automobilísticas no Brasil”.
O veículo teve também a colaboração de especialistas da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro na parte de desenvolvimento interno. Os componentes são fornecidos pelas empresas do setor automotivo, instaladas no País. “Nunca vai ter problema de fornecimento de produtos”, disse Machado, lembrando que a carroceria será feita pela Marcopolo.
Apesar do seu porte reduzido, o Óbvio possui motor de alta potência, fabricado pela Tritec, do Paraná. A potência varia entre 115, 170 e 250 cavalos, o que significa aceleração igual à de qualquer automóvel esportivo internacional, segundo Machado.
O presidente da Óbvio, disse que a produção da companhia é totalmente destinada à exportação e poderá chegar, com novos contratos, a 80 mil carros anuais. Os dois sócios da empresa são Ricardo Machado e o designer Anísio Campos, autor do desenho do famoso carro brasileiro Puma, fabricado a partir de 1967, e também Gurgel. A Puma produziu 22 mil carros em 20 anos, dos quais dois mil foram exportados.
USINAS ANTECIPAM CORTE
Atender o mercado de álcool combustível no período de entressafa da cana-de-açúcar não será tarefa fácil para as usinas. Para não faltar combustível nas bombas, as usinas vão antecipar o inicio da safra de 2006/07 em até 45 dias. A prioridade para a indústria do álcool é o mercado interno. A escassez do produto pode ter como contrapartida os preços, que deverão se manter elevados pelo menos, até maio, quando começa oficialmente a próxima safra.Para garantir o atendimento do mercado, as usinas deverão iniciar o corte da cana em meados de março, quando oficialmente deveria começar em 1º de maio. Segundo especialistas do mercado, as usinas terão capacidade de produzir em torno de 800 milhões de litros nesse período.


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