Energia

A energia que move o mundo


Clipping Brasil@gro - 05 mai 2006 - 09:23 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:22

Se no século XVI, a busca pelo ouro em outros lugares e continentes movia os navegadores europeus, a partir do século XX, com a indústria moderna de veículos e com os motores das fábricas movidos a óleo, o petróleo passou a ser o ouro negro, principal produto estratégico do mundo moderno, já que dele depende o crescimento da economia mundial. Por isso, o petróleo sempre foi fonte de conflitos entre países e motivador de crises internacionais.

Já na década de 70 foram dois “choques do petróleo”, com repercussões em todo o mundo. No primeiro, em 1973, após da guerra de Yom Kippur (conhecida como a quarta guerra Árabe-Israelense), os países árabes decretaram o bloqueio total no fornecimento de petróleo aos aliados de Israel, atingindo principalmente os Estados Unidos. Os preços do barril explodiram e desestabilizaram o mundo. Em 1979, como decorrência da Revolução Islâmica no Irã, o aiatolá Khomeini obrigou uma ampla renegociação de contratos para exploração de petróleo por companhias estrangeiras. No ano seguinte foi iniciada a Guerra entre Irã e Iraque e os preços voltaram a subir.

Para alguns especialistas, o mundo passou por outros “choques do petróleo” nas décadas seguintes. A terceira crise teria sido desencadeada pela Guerra do Golfo, em 1991, quando os Estados Unidos invadiram o Iraque para restabelecer a soberania e a produção de petróleo do Kwait, que havia sido ocupado pelas tropas de Saddam Hussein um ano antes. Em março de 2003, os Estados Unidos comandaram uma nova intervenção no Iraque e ainda podem deflagrar uma ação contra o Irã, o quarto maior produtor mundial de petróleo.

O domínio sobre as reservas naturais também causou constrangimentos entre a Bolívia e o Brasil nesta semana por conta do decreto do presidente Evo Morales que nacionalizou companhias que exploram o gás natural em solo boliviano, entre elas a Petrobras. Dependente do produto boliviano, o Brasil investiu US 1,7 bilhão na operação de extração e transporte do gás e agora vai amargar prejuízos e o brasileiro irá arcar com o aumento no preço do gás, utilizado em indústrias, nas residências e como combustível de carros.

O certo é que o iminente esgotamento das reservas de petróleo e o crescimento acima da média das economias colocaram o mundo em alerta para uma crise energética. As fontes naturais de energia são jazidas de ouro. E nesse cenário, o Brasil apresenta vantagens. Atingiu a auto-suficiência na produção de petróleo e, dentro de alguns anos, poderá reduzir drasticamente sua dependência ao gás natural boliviano e, principalmente, soube, com as crises do petróleo, implementar e consolidar o mais importante projeto de produção de energia renovável e limpa do mundo, com o etanol e o biodiesel.

Países importantes já despertaram para o álcool brasileiro. Além do Japão e Estados Unidos, a Alemanha sinalizou, nesta semana, que poderá adotar a mistura de biocombustíveis a combustíveis fósseis a partir de 2007. São oportunidades que se abrem e que o setor produtivo brasileiro já percebeu e se prepara para ocupar seu espaço, realizando um esforço concentrado de todos os elos da cadeia para ampliar a produção. Enquanto alguns países se armam e se enfrentam pelo ouro negro, o Brasil oferece ao mundo uma alternativa energética que não polui e que não tem fim.

Manoel Carlos de Azevedo Ortolan - Presidente da Canaoeste e Orplana