Energia

Centro de referência de energia renovável será inaugurado no Acre


Página 20 - Acre - 12 jun 2006 - 14:01 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:22

Resultado de uma ação do senador Sibá Machado, o Centro de Referência de Energia de Fontes Renováveis apresenta, nesta segunda feira (12), as novas alternativas de geração de energia através de experimentos desenvolvidos pela Universidade Federal do Acre (Ufac) e a Funtac, Fundação de Tecnologia do Acre.

O projeto, implementado com as parcerias firmadas entre o Governo do Estado e outras instituições, passou a constituir uma das alternativas para assegurar a instalação de soluções tecnológicas que garantirão às comunidades tradicionais acesso aos processos produtivos, à educação e à cidadania. Faz parte também do esforço do governo federal, reduzir a dependência brasileira dos combustíveis fósseis e ampliar as reservas de energia, a exemplo do biodiesel.

Guiado sempre pela linha de trabalho onde ciência e tecnologia são complementares, o senador não poupa esforços e incentivos para transformar os laboratórios da Funtac, da Ufac e da Embrapa em centros de referência em tecnologia para o Brasil: “Acredito que a ciência do conhecimento é o principal e grande caminho para que o Acre se torne um estado positivamente competitivo, não só dentro da Amazônia, mas como participante ativo da economia de todo país”, defendeu o senador.

Centro de Referência

Inicialmente criado para ser referência em Biodiesel, o Centro de Referência, no entanto, acabou estendendo seus trabalhos até à energia renovável em decorrência do sucesso das pesquisas. A filosofia de estudo compreende várias linhas de trabalho desde o desenvolvimento tecnológico, como a realização de inventários de potencialidade como o estudo de cadeias produtivas de oleaginosas. Os recursos são de emendas do senador Sibá Machado e de convênios através de parcerias com instituições de pesquisa articuladas pelo mandato.

Articulação - O senador Sibá Machado foi o responsável pela articulação que garantiu a efetivação do Programa no Acre. Ele garante que o uso das energias renováveis, além das vantagens ambientais e tecnológicas, pode gerar mais de 16 mil postos de trabalho no Acre nos próximos dez anos, distribuídos em uma área que pode variar de 11 a 36 mil de hectares para um potencial produtivo de 34 milhões de litros por ano. “Essas metas são plenamente possíveis de serem conquistadas, basta que mais interesse seja despertado na iniciativa privada por que a parte do poder público e das instituições de pesquisa está praticamente concluído”, afirmou o senador.

Convênios assinados - Para o desenvolvimento deste trabalho, foram fechados convênios entre Eletronorte, Ministério de Ciência e Tecnologia, Incra, Banco da Amazônia e Banco do Brasil de mais de R$ 3 milhões. Também foram contratados profissionais com formação em Ciências Contábeis para se dedicarem à área administrativa do projeto. Para atuar na parte operacional, foram admitidos 10 estudantes da Ufac dos cursos de Engenharia Florestal que receberam bolsas no valor de 300 reais, além de alunos de nível fundamental e médio.

Para o desenvolvimento de tecnologia de transformação do óleo vegetal em biodiesel foram realizadas parcerias com a Eletronorte – no valor de $70 mil reais – para a instalação de uma unidade piloto de transesterificação que será alojada em Cruzeiro do Sul. Outra unidade de transformação de óleo vegetal, desta vez pela tecnologia de craqueamento foi apoiada financeiramente pelo Ministério da Ciência e Tecnologia/ Finep. Para esta unidade, calculada em $400 mil reais, $70 mil reais foram reservados pelo Banco da Amazônia e $20 mil pelo Banco do Brasil.

O estudo e o desenvolvimento da cadeia produtiva – com a definição de espécies de oleaginosas e a identificação de áreas de aptidão para produção – foi outra linha de apoio para o Centro de Referência. A Eletronorte vem apoiando o projeto com os recursos no valor de $1,4 milhões de reais destinados à identificação de óleos vegetais nativos como buriti e murmurú, e espécies para cultivo como dendê, mamona e girassol.

O Acre e as energias renováveis

Há dois anos, exatamente no dia 29 de junho de 2004, lançávamos o Programa de Biodiesel do Acre. Foram os tempos das primeiras conversas, primeiras articulações em busca de parcerias com os setores público e privado para a implementação deste Programa. Tempo de longos diálogos e de convencimento, pois o biodiesel, apesar de já apontado como prioridade do Governo do presidente Lula, ainda não estava tão difundido como nos dias de hoje. Houve quem dissesse no Acre que eu estava sonhando, e a pergunta mais freqüente era “o que é mesmo o biodiesel”? Hoje, cheios de orgulho e felicidade, anunciamos a inauguração do Centro de Referência de Energia de Fontes Renováveis do Estado do Acre, projeto sobre o qual posso afirmar ter colaborado enormemente para a sua realização.

Acredito mesmo que as energias renováveis, tendo à frente o biodiesel, representam a grande proposta energética para o Acre e para o Brasil. Neste sentido, este Centro que será inaugurado passou a constituir uma das alternativas para assegurar a instalação de soluções tecnológicas que garantirão às comunidades tradicionais, através das energias alternativas, como o fogão a lenha que gera energia, o acesso aos processos produtivos, à educação e à cidadania. Também colocará o Acre na rota de produção de biocombustíveis no país, por meio do biodiesel e pela instalação de unidades térmicas de energia movimentadas por queima de resíduoas florestais. Todos estes trabalhos são frutos de parceria da FUNTAC com a Eletronorte e outra parte de apoio via emenda parlamentar.

A implementação de um programa energético a partir dos biocombustíveis abre oportunidades para a criação de novos postos de trabalho no campo, valorizando e promovendo o trabalhador rural, possibilitando, com a utilização de mão de obra especializada, o desenvolvimento de novas tecnologias, a criação de novos laboratórios, unidades de extração de óleo vegetal e fábricas de processamento. Além de um outro componente fortíssimo: o biodiesel praticamente não contém enxofre, e, sendo renovável, não gera poluentes durante sua produção industrial.

Estudos conjuntos desenvolvidos pelos Ministérios do Desenvolvimento Agrário, da Agricultura, da Integração Nacional e das Cidades permitem simular que a cada 1% de participação da agricultura familiar no mercado de biodiesel no país, na hipótese de utilização de um percentual de mistura de 5% de biodiesel no óleo diesel em todo o território nacional, seria possível gerar cerca de 45 mil empregos no campo, a um custo médio de aproximadamente R$ 4.900 por emprego.

Tomando-se como média a possibilidade de criação de três empregos na cidade para cada emprego no campo, a participação de um ponto percentual da agricultura familiar no mercado de B5 (5% de biodiesel) permitiria a geração de aproximadamente 180 mil empregos diretos e indiretos.

Além da questão social e ambiental, o uso do biodiesel também deve ser estratégico do ponto de vista econômico. O emprego do biodiesel irá reduzir também a dependência energética do país, interferindo positivamente na balança comercial brasileira. Segundo informações do Ministério de Minas e Energia, o diesel representa um grande gargalo para o país, que tem de importar 15% do combustível consumido (6 bilhões de litros, que custam cerca de US$ 1,2 bilhão por ano). Mesmo com a auto-suficiência em petróleo, haverá necessidade de importar diesel comum. Isso porque o óleo extraído não tem qualidade para a produção daquele combustível. Com a adoção do biodiesel, aos poucos, diminuiria a dependência do diesel comprado no mercado internacional.

O novo dinamismo econômico estabelecido no Acre, com a consolidação das experiências de desenvolvimento sustentável implementadas pelo Governo a partir de 1999, favoreceu a consolidação dos fatores produtivos no meio rural. Apesar das dificuldades de acesso à floresta e a distância de algumas comunidades dos núcleos urbanos, as populações tradicionais, em sua maioria pequenos agricultores, ribeirinhos e seringueiros, exercem um importante papel no desenvolvimento de atividades produtivas, que geram renda e empregam boa parte da mão de obra do setor primário.

Superar estas dificuldades, levando os benefícios sociais do uso da energia elétrica para comunidades isoladas de todos os municípios do Acre tornou-se uma das metas prioritárias do Governo do Acre e do meu mandato. Agora teremos também como meta não só levar os benefícios para nossas comunidades, mas incluí-las no processo produtivo desta nova fonte de energia do Brasil para o mundo.