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Esmagamento de soja em usina favorece produção de biodesel


Esalq/USP - 23 mar 2011 - 13:55 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:16

Orientado pelo professor Geraldo Sant´Ana de Camargo Barros, do Departamento de Economia, Administração e Sociologia (LES), Sarmento examinou a viabilidade da indústria de biodiesel na região sudeste do estado do Mato Grosso (MT), confrontando os principais tipos de plantas de produção a partir de óleo de soja. A pesquisa avaliou quais variáveis tem maior impacto na rentabilidade das plantas de biodiesel e o efeito do financiamento sobre a viabilidade desses empreendimentos. "Ao mesmo tempo, verificamos a importância da incorporação da etapa do esmagamento no processamento do biodiesel e observamos a precificação do biodiesel ao lado da necessidade ou não de subsídio para sua produção e consumo", conta o pesquisador.

Foram visitadas duas plantas de produção de biodiesel no MT. A primeira (Usina 1) possui toda infra-estrutura para recepção, armazenagem, esmagamento da matéria prima selecionada e produção do biocombustível. A segunda (Usina 2) não processa a etapa de esmagamento, ou seja, apenas recebe o óleo e produz o biocombustível. A análise fora desenvolvida sob dois pontos de vista. "Sob a ótica do setor privado examinamos a rentabilidade do projeto sob as condições econômicas e financeiras em vigor, incluindo possíveis subsídios creditícios e fiscais. Do ponto de vista social, observamos o preço dos insumos e produtos vinculados ao preço de mercado internacional", explica Sarmento. Os resultados mostraram que a etapa de esmagamento para a produção de biodiesel a partir de óleo de soja é vital, uma vez que permite que vários subprodutos sejam obtidos, entre estes o farelo, o óleo e a casca de soja, diminuindo o risco da operação com apenas um produto. "Aquelas usinas que compram o óleo de soja para produzir o biodiesel estão sujeitas a um risco elevado de preço deste produto e necessitam de matérias primas alternativas como o óleo de algodão e a gordura animal para que suas margens se tornem positivas".

A usina tipo 2, sem a etapa de esmagamento, não apresentou viabilidade econômica no presente estudo principalmente pelo alto custo do óleo de soja na região. Do ponto de vista privado, o atual nível de subsídio fornecido pelo governo federal somente garante a viabilidade da usina 1, com esmagamento. A usina 2, sem esmagamento, necessitaria de outras matérias primas ou de maiores somas para se viabilizar. Do ponto de vista social, utilizando o custo de oportunidade dos produtos, nenhuma das usinas traz benefícios para a sociedade, os dois projetos são inviáveis. Apesar disso, a usina 2 é mais interessante socialmente quando comparada a usina 1. O subsídio necessário para viabilizar a usina 2 é bem menor que o da usina 1.

"Sugerimos que novos estudos abordando as alternativas de matérias primas para o biodiesel sejam realizados, levando em consideração os aspectos ambientais e distributivos desse processo. Ressalta-se também a importância dos estudos de viabilidade econômica que, apesar de sua simplicidade, não são estudos triviais e contribuem fortemente para que os investidores conheçam as especificidades de cada projeto e tomem a melhor decisão", conclui o autor do trabalho.

PARA SABER MAIS
Baixe aqui a tese "Viabilidade econômica da produção de biodisel na região sudeste do Mato Grosso" (arquivo PDF - 1,43 Mb).