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Investimentos em pesquisa de bioenergia


Gazeta Mercantil - 19 set 2007 - 18:07 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:23

Ao encerrar um seminário de dois dias sobre Bioenergia na América Latina e Caribe, dentro do V Congresso Brasileiro de Biossegurança, que acontece até sexta-feira, dia 21, em Ouro Preto-MG, os participantes não tirevam dúvida sobre a firme intenção de se mobilizar os pesquisadores para se debruçarem sobre as alternativas para expandir essa produção nos países latino-americanos e no Caribe.

'Estamos destinando 30% de nossos investimentos de 2007 ao incentivo às pesquisas de biotecnologia destinadas à produção de bioenergia', anunciou o Dr. José Luis Ramirez, coordenador da Universidade Nações Unidas (UNC) - Biolac.

Univaldo Vedana, analista brasileiro da área de bioenergia, concentra suas preocupações na produção de biodiesel e, para ele, a solução seria os pesquisadores encontrarem 'a cana do etanol', uma vez que a maior dificuldade hoje, no Brasil, para que o programa de biodiesel avance é exatamente a disponibilidade de matéria-prima,ao contrário do programa de etanol que dispõe de farta oferta de cana-de-açúcar.

As usinas de biodiesel registradas atualmente na ANP apresentam uma capacidade instalada de 1,4 bilhão de litros anuais, mais do que 117 milhões de litros ao mês. Entretanto, a produção brasileira em 2007 será apenas de 300 milhões de litros. Quando se sabe que, apartir de 1º de janeiro de 2008 será obrigatória a adição de 2% de biodiesel ao diesel convencional, fica fácil entender as dificuldades atuais do setor. Serãonecessários 70 milhões de litros/mês em 2008 para atender a exigência governamental.

De acordo com Mozart Shmitt de Queirós, da Petrobras, entre 10 tipos de oleaginosas competitivas para aprodução brasileira de biocombustíveis, a soja vem em sétimo lugar e o milho em décimo. Se fosse possível extrair óleo de toda soja produzida no mundo e esse óleo fosse destinado ao biodiesel, apenas 6% da demanda mundial de biodiesel seriam atendidos, diz ele. As cinco primeiras oleaginosas competitivas e disponíveis no Brasil, segundo o executivo da Petrobras, são pela ordem: mamona, girassol, amendoim, gergelim e canola. Quase 30% dos atuais investimentos da empresa, ou US$ 1,5 bilhão, são destinados à bioenergia.