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Coopercau propõe parceria para unidade de esmagamento de pinhão-manso


Agência Pará de Notícias - 17 mar 2011 - 06:16 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:16

O secretário de Projetos Estratégicos, Sidney Rosa, avaliou de forma positiva a proposição de parceria da Coopercau com o governo para construção de uma usina de esmagamento de pinhão-manso (Jatropha curcas) na região da Transamazônica, município de Novo Repartimento, sudeste do Pará, localizado a 450 quilômetros da capital, Belém.

O secretário propôs uma visita ao projeto, ao lado dos técnicos espanhóis Juan Manoel Escolar e Juan Aresse - do Consórcio Florestal Pinhão-Manso (CFPM), com sede em Madri - e João de Souza Lima, diretor presidente da Cooperativa dos Produtores de Cacau e Desenvolvimento Agropastoril de Novo Repartimento (Coopercau).

A Coopercau, além do cultivo do pinhão-manso, engloba atividades com reflorestamento, produção de oleaginosa para alimentação e geração de bioenergia. Na avaliação dos técnicos espanhóis e brasileiros o caminho é o pinhão-manso, por isso "queremos construir a usina e verticalizar a produção na região em parceria com o governo do Pará", assegura Lima.

A meta da Coopercau e da empresa espanhola Biocarburantes Peninsulares é agregar 10 mil pequenos agricultores e assentados e até o final de 2011, para produzir 220 mil toneladas/ano de óleo para biodiesel a partir do plantio de 14 milhões de pés de pinhão-manso, cultivados por agricultores familiares. A Coopercau, com o processo consolidado, prevê que a remuneração mensal das famílias gire em torno de R$ 600.

Temos um "contrato de 28 anos de fornecimento de azeite de pinhão para biodiesel. Por conta disso asseguramos mercado e recebemos adiantamento da compra futura de cerca de R$ 22 milhões. Os recursos garantem investimentos em logística de transportes através de barcaças, via eclusas de Tucuruí, nove galpões de armazenagem e quatro casas de farinha em assentamentos", relata João Lima.

Investimentos
Segundo Lima, o Consórcio espanhol investiu cerca 13 milhões de dólares para o plantio de 25 mil hectares de pinhão-manso, com a participação de cinco mil famílias de agricultores para a produção de alimentos e bionergia. E "já estamos com recurso garantido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) para este ano", assegurou Lima. O projeto prevê reflorestamento de 100 mil hectares de áreas desmatadas com o plantio de 24 milhões de árvores nativas para recuperação das áreas de Reserva Legal na região. Na visão dos cooperados, o projeto pinhão-manso fortalece a agricultura familiar com sustentabilidade e envolve produtores de 150 assentamentos e 50 áreas de regularização fundiária nos municípios de Novo Repartimento, Marabá e Itupiranga, todos na região da Transamazônica.

O Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB), desde 2004, garante apoio À conversão do cultivo de biocombustíveis em alternativa de renda e inclusão social para pequenos produtores rurais. Diante disto, a Coopercau está requerendo o Cadastro Ambiental Rural (CAR) das propriedades familiares à Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Estado do Pará (Sema), ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e à Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), para efetivar o caráter legal da atividade de agrocombustiveis.