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Cientista faz cruzamento entre soja e pinhão-manso [1º de abril]


BiodieselBR.com - 01 abr 2011 - 00:18 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:16
Pesquisadores brasileiros criaram uma nova planta a partir do cruzamento entre a soja e o pinhão-manso que pode revolucionar o mercado energético.

A discussão sobre qual a melhor oleaginosa para produzir biodiesel pode estar perto do fim. Quem afirma isso é uma empresa de melhoramento genético até então desconhecida do setor de biodiesel, a Hoax Brasil. A empresa trabalhou no cruzamento de pinhão-manso com soja e obteve uma planta híbrida semelhante à soja, mas que produz grãos de pinhão-manso.

“Conseguimos reunir as qualidades de cada uma das espécies para fazer uma nova, que chamamos de soja-mansa”, explica o presidente da Hoax Brasil, Gene T. Icista, que esteve envolvido com a clonagem da ovelha Dolly na década de 90. Ele explica que a ideia de unir as duas plantas surgiu depois de ver as discussões sobre as vantagens do pinhão-manso e a baixa produtividade de óleo por hectare da soja. “O objetivo sempre foi unir o ciclo curto da soja com a alta produtividade de óleo do pinhão-manso e criar uma planta que não competisse com o mercado de alimentos”, esclarece Icista. 

Olhando de longe, a soja-mansa não difere em nada de um pé de soja comum. As folhas, o tamanho e a coloração são iguais. A diferença surge quando ela é vista de perto, depois que começam a aparecer os primeiro frutos. Logo abaixo das folhas estão frutos praticamente idênticos aos do pinhão-manso que todos conhecem. (Veja imagem ao final do texto.)

Segunda a empresa, cada hectare pode produzir até 17,1 mil litros de óleo. “Essa alta produtividade já era esperada quando iniciamos as pesquisas, pois os genes separados carregavam a possibilidade de alto adensamento da soja e a produtividade do pinhão-manso” diz o cientista. Além da alta produtividade, a colheita e plantio são feitas de maneira totalmente mecanizada. Os mesmos equipamentos usados no cultivo da soja podem ser usados com a soja-mansa, bastando apenas pequenas adaptações nas peneiras, já que os frutos são maiores que os da soja tradicional.

A nova espécie é bastante resistente ao frio e não necessita de chuva como o pinhão-manso, por isso a recomendação é que seja plantada após a colheita da soja tradicional. “Se a soja-mansa competisse com a área de plantio da soja, é muito provável que a Europa encontrasse um motivo ecossocial para barrar o biodiesel produzido com ela”, ironiza Icista.

Rejeição
Mas nem todo mundo está gostando da nova espécie. Empresas petrolíferas, montadoras e distribuidoras de combustíveis estão preocupadas com o potencial de expansão do biodiesel com esta nova oleaginosa. As empresas do petróleo já começam as fazer as contas de quanto óleo poderá ser produzido num prazo de cinco anos. “Nossos cálculos iniciais mostram que o Brasil poderá produzir 171 bilhões de litros de óleo de soja-mansa já nos próximos cinco anos, pois existe muita terra que cultiva soja no verão e não planta nada no inverno. Esse pessoal tem maquinário e funcionários à disposição. O limitante ao cultivo será a disponibilidade de sementes e armazenagem da colheita, mas nossas projeções mostram que esse limitante não durará muito”, esclarece Golfos Ujo, analista mundial de mercado da PB Petróleo. 

Já a preocupação das montadoras e distribuidoras de combustíveis é com o aumento da mistura de biodiesel no diesel. Eles acreditam que o governo pode se empolgar com a soja-mansa da mesma forma que se empolgou com a mamona. “Já estou até vendo a Dilma segurando um pé de soja-mansa em seu próximo discurso”, preocupa-se Pedro M. Otor, representante da Associação das Montadoras de Carros a Diesel (Amcard). “Antes de qualquer coisa, é preciso fazer testes de longo prazo com o biodiesel dessa oleaginosa para saber se os motores se adaptam. No que depender da Amcard, só depois de concluído testes de longa duração com veículos nas ruas é devemos começar a pensar em usar esse grão para fazer biodiesel”, finaliza Otor.

Sem se preocupar com essas discussões, a Hoax Brasil já está pensando em seus próximos desafios. “Estamos trabalhando em várias novas espécies, mas temos uma que já está bem avançada, a cana-de-óleo. É bem parecida com a cana-de-açúcar, mas dentro tem óleo”, explica Icista, sorridente.

A soja-mansa deve chegar ao mercado brasileiro dentro de dois meses e a Europa e EUA no próximo ano.

A notícia acima tratou-se apenas de uma brincadeira de 1º de abril. Saiba mais aqui

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Soja-mansa

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