Brasil Ecodiesel: parte do pessoal será realocada
A Brasil Ecodiesel Indústria e Comércio de Biocombustíveis e Óleos Vegetais (Ecod3), que anunciou na última terça-feira o fechamento de suas usinas nos municípios de Crateús (CE) e Floriano (PI), informa que parte dos 104 empregados da fábrica cearense, deve ser mantida em unidades de outros estados.
"Um total de 18 funcionários irão permanecer conosco aqui no Ceará para funções gerais de guarda de patrimônio. Para os demais, de acordo com as suas qualificações, oferecemos oportunidade de transferência para as nossas outras unidades. Eles têm até a próxima semana para darem um posicionamento", revela o diretor executivo financeiro da empresa, Eduardo De Come. No sentido de minimizar as consequências da desativação das unidades aos colaboradores, a companhia afirma que planeja, na medida do possível, realocá-los para as unidades de Iraquara (BA), Itaqui (MA) e Porto Nacional (TO). Os demais serão dispensados.
Equipamentos
Com relação ao maquinário das duas fábricas, avaliado em R$ 50 milhões, o executivo informa que a companhia ainda não decidiu o que fazer. "Podemos tanto transferir os equipamentos para uma de nossas outras quatro unidades [situadas no Maranhão, Bahia, Tocantins e Rio Grande do Sul] ou realocá-los para localidades mais próximas de polos produtores de matéria-prima", informou o diretor financeiro. O encerramento das atividades da Brasil Ecodiesel no Ceará e em Piauí foi noticiado, com exclusividade, pelo Diário do Nordeste, na edição do dia 16 de dezembro. Em comunicado, a companhia havia informado que a decisão considerou, dentre outras razões, a dificuldade logística incontornável de obtenção de matérias-primas que afetou a competitividade das duas usinas nos leilões organizados pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Inaugurada em julho de 2006 (sendo a segunda unidade da Brasil Ecodiesel a operar no País), a capacidade de produção da indústria de Crateús era de 8 mil m³/mês. No entanto, Eduardo De Come, comenta que nos últimos 9 meses, a fábrica estava inoperante.
"Por situar-se mais longe dos grandes polos de produção de óleo de soja, o custo de logística acabava se tornando mais caro. Por conta disso, desde abril, ela estava parada, não vendia mais nada", afirmou o representante da empresa.
O executivo comenta que, hoje, a oferta de biodiesel no Brasil é maior do que o volume comprado pela Petrobras no leilão trimestral da ANP. "No nosso caso, teríamos condições de produzir com as seis usinas 100 mil m³ por trimestre. Entretanto, desse total, vendíamos apenas 65 mil", frisa. Por outro lado, a Brasil Ecodiesel informa que a perda da capacidade das unidades inoperantes não altera o planejamento da produção e vendas da companhia no curto e médio prazos.
PARA HONRAR
Companhia ainda tem R$ 77 mi em empréstimos
Para a Brasil Ecodiesel, o ano de 2009 foi de reestruturação. Ao fim do segundo trimestre deste ano e antes da nova diretoria - presidida por Mauro Antonio Cerchiari - tomar posse, a companhia possuia em empréstimos e financiamentos um montante de R$ 228.914 milhões. No balanço trimestral mais recente, finalizado ao fim do terceiro trimestre, a empresa recuou seus débitos para R$ 77.978 milhões.
"Uma parte da dívida foi transformada em capital da empresa e, outra parte, foi liquidada com o processo de capitalização, concluído em agosto", salientou o diretor executivo financeiro da empresa, Eduardo De Come.
Atualmente, as dívidas são as seguintes: R$ 37.332 milhões de empréstimo tomado do ABN Amro Bank, R$ 15.988 milhões do Bradesco, R$ 11.469 do Banrisul, R$ 9.239 milhões do BMG, R$ 3.484 milhões do Banco Fibra e R$ 466 mil do Banco De Lange Landen.
Segundo o diretor financeiro, a empresa não possui nenhuma dívida a honrar com agentes de crédito públicos.
"A maior parte desses empréstimos começarão a ser pagos em julho de 2010", informou o representante da empresa. Para quem interessar, o balanço da companhia pode ser acessado através do www.brasilecodiesel.com.br (link Investidores/Informações financeiras).
Compra da produção
A Petrobras, através de sua Assessoria de Imprensa, informou que mantem negociações com os produtores de mamona da região de Crateús, onde funcionava a unidade da Brasil Ecodiesel que acaba de encerrar suas atividades. O intuito seria garantir a compra da produção desses agricultores familiares. (LB)
LÍVIA BARREIRA


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