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Agropalma prevê dobrar exportação de óleo em 2011


Reuters - 31 ago 2011 - 17:21 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:17

Maior produtora de óleo de palma da América Latina, a brasileira Agropalma prevê mais do que dobrar suas exportações em 2011, num momento de maior demanda dos Estados Unidos e da União Europeia e também de maior competitividade em relação ao produto feito a partir da soja.

O crescimento nas vendas externas, aliás, deverá ser algo constante nos próximos anos, uma vez que a empresa obteve recentemente um certificado internacional de sustentabilidade, o RSPO (Roundtable on Sustainable Palm Oil), que garante um prêmio pelo produto no mercado externo que ainda não é pago pela maior parte dos clientes no mercado interno.

"Com a obtenção da certificação, a tendência é que a gente aumente mais a exportação, pois no Brasil são poucos os mercados que demandam um produto certificado", disse o diretor comercial da Agropalma, Marcello Brito, à agência de notícias Reuters.

A empresa deve exportar em 2011 cerca de um terço de sua produção, ou 50 mil toneladas, contra 20 mil em 2010.

"Com a certificação em mãos, devemos procurar aqueles mercados que dão valor a isso", acrescentou ele, observando que o prêmio pelo óleo RSPO pode chegar a US$ 10 por tonelada.

Brito disse, no entanto, que a produção da companhia poderá crescer somente 5% em 2011, uma vez que um processo de renovação de palmas antigas e menos produtivas por outras com maior produtividade terá impacto no negócio.

De olho no mercado global, a empresa que produz palma na região amazônica se prepara para duplicar sua produção de 150 mil toneladas no prazo de 15 anos, somente com uma renovação das lavouras.

"O mercado internacional está mais demandante, voltou a crescer nos últimos dois anos, voltou a demanda da Europa, mas principalmente do mercado norte-americano", disse Brito, que fala em nome da empresa controlada pelo Banco Alfa.

Colabora ainda para as vendas da companhia neste ano o fato de o óleo de palma estar mais competitivo que o de soja , além do fato de a companhia ter encerrado um contrato para refino de parte da produção que era destinada ao mercado interno.

A Agropalma, com 40 mil hectares de plantios próprios e 10 mil de parceiros, responde por cerca de 70% da produção de óleo de palma do Brasil, que está na 13ª posição entre os produtores globais. A empresa tem cinco indústrias de extração de óleo bruto situadas no Pará.

FORA DO BIODIESEL
O país, entretanto, tem um potencial imenso para produzir a palmácea, especialmente após a Petrobras investir no Pará para produzir biodiesel a partir da palma --mais produtiva que a soja--, num programa em que há parceria do governo federal para utilizar áreas degradadas e evitar novos desmatamentos.

Para o diretor da Agropalma, com 14 anos na empresa, o país poderia quintuplicar sua área plantada em dez anos, para cerca de 500 mil hectares, uma visão bem mais conservadora do que a do governo, que aposta em 5 milhões de hectares plantados.

Brito, entretanto, disse que a empresa que direcionou parte de sua produção para biodiesel até meados de 2010 manterá o foco somente no fornecimento do produto para usos que não o do biocombustível, os quais a companhia considera mais remuneradores --além da indústria alimentícia, o óleo de palma pode ser utilizado pelo setor de cosmético, tintas, de lubrificantes, entre outros.

"Atuamos em mercados que agregam mais valor do que o biodiesel", disse o executivo, criticando o atual modelo de comercialização de biodiesel do país, no qual o preço não é estabelecido pelas forças do mercado.

REUTERS