PUBLICIDADE
Notícias

Commodities: Soja lidera quedas na bolsa de Chicago


Valor Econômico - 03 mai 2022 - 09:07

Incertezas sobre a oferta e também sobre a demanda pressionaram as cotações da soja na bolsa de Chicago nesta segunda-feira. O contrato da oleaginosa para julho, o mais ativo, fechou em queda de 2,34% (39,50 centavos de dólar), a US$ 16,4525 por bushel.

O impacto da política chinesa de “covid zero” sobre a demanda por soja ainda preocupa, disse Jack Scoville, analista de grãos do Price Group, em relatório recente. Além disso, o clima frio nos Estados Unidos pode influenciar os produtores americanos a aumentarem a área de plantio da oleaginosa, reduzindo a de milho.

Também em relatório, a AgriVisor lembra que a janela para cultivo da soja nos EUA é mais ampla e que se a cultura for plantada no início de junho, o risco de perdas é baixo. “Com base nos modelos de previsão atuais, parece que a maior parte da safra será semeada dentro desse prazo”, diz a empresa.

A StoneX divulgou hoje sua nova estimativa para a safra 2021/22 de soja no Brasil. A consultoria projeta agora colheita de 123,4 milhões de toneladas, um aumento de 1,1% em relação à estimativa de abril, mas 9% inferior à produção da temporada anterior e 15% abaixo do que se esperava para este ciclo.

A empresa também aumentou - de 76 milhões para 77 milhões de toneladas - sua projeção para as exportações brasileiras de soja em 2022. A StoneX disse que, mesmo com a elevação, o volume será consideravelmente mais baixo que as estimativas anteriores à quebra de safra, quando a consultoria previa embarques de mais de 90 milhões de toneladas.

Na sexta-feira, a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês) disse que os fundos especulativos diminuíram em 3,5% a aposta na alta dos preços da soja na bolsa de Chicago. Na semana móvel encerrada em 26 de abril, o saldo líquido de posições compradas era de 173.477 contratos.

Milho

O contrato do milho para julho, o mais negociado na bolsa de Chicago, encerrou o dia em baixa de 1,23% (10 centavos de dólar), a US$ 8,035 o bushel. Os investidores embolsaram os ganhos da semana passada, mas seguem monitorando o plantio da safra americana, que está atrasada por causa das baixas temperaturas.

A demanda pelo milho americano, por sua vez, deve continuar firme, especialmente em um cenário sem a participação da Ucrânia, que era o quarto maior exportador do grão antes do início da guerra com a Rússia.

Hoje, a StoneX reduziu sua estimativa para a segunda safra brasileira, devido, principalmente, ao baixo volume de chuvas em Mato Grosso e Goiás. A consultoria projeta agora colheita de 88,1 milhões de toneladas, volume 4,1% menor que o da estimativa de abril. “Apesar da contração, caso se confirme, esse volume ainda representaria um recorde de produção”, frisa a empresa.

Com pequenos ajustes para cima nas perspectivas para a primeira e a terceira safras, a StoneX passou a prever colheita de 116,45 milhões de toneladas no país, uma redução de 1,8% em comparação com a estimativa de abril.

Trigo

Em dia de correção técnica, o contrato do trigo para julho, o mais negociado no momento, fechou perto da estabilidade, em queda de 0,02% (0,25 centavos de dólar), a US$ 10,555 o bushel.

Os fundamentos limitaram uma desvalorização mais significativa. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) estima que, neste ano, a área de cultivo de trigo no país crescerá apenas 1% em relação a 2021.

José Florentino e Fernanda Pressinott – Valor Econômico