Univaldo Vedana

Uma proposta para o desenvolvimento do programa de biodiesel


Univaldo Vedana - 20 jun 2007 - 17:01 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:23

A partir de outubro do ano passado, no mercado interno, os preços do óleo de soja subiram cerca de 50%, saindo de R$ 1.100,00 a tonelada para R$ 1.700,00, acompanhando o mercado internacional.

Este preço do óleo de soja estreitou a margem de lucro das usinas.

A variação de preços é um dos motivos para que o biodiesel no Brasil não continue dependendo unicamente do óleo de soja, e algumas medidas devem ser tomadas para a sua substituição gradativa no decorrer dos próximos anos. Diversas correções precisam ser implementadas pelo governo para atenuar os problemas enfrentados pelo setor. Uma que acredito ser oportuna é a proposta de limitar a utilização do óleo de soja para biodiesel ao longo dos próximos anos, por exemplo, a partir de 2009, as usinas poderiam usar no máximo 80% de óleo de soja e este percentual diminuiria durante os anos seguintes até um patamar mínimo, talvez de 20% de óleo de soja.

 

"A partir de 2009, as usinas poderiam usar no máximo 80% de óleo de soja e este percentual diminuiria durante os anos seguintes até um patamar mínimo."

Uma medida desta envergadura deverá vir acompanhada de outras, como o incentivo à produção de outras oleaginosas. A formulação de uma política agrícola real, com objetivos, com um zoneamento agrícola que abranja o maior número possível de plantas e beneficie todas as regiões do Brasil. Essa política agrícola também estabeleceria linhas de crédito especiais para aos produtores, sem distinção, porque o zoneamento definiria os tipos de culturas de cada região beneficiando pequenos, médios ou grandes produtores.

O Grupo de Trabalho Interministerial criado pelo governo federal em 2003, envolvendo treze Ministérios, é o órgão que tem a competência para discutir, analisar e viabilizar propostas deste tipo, transformando-as em projetos de lei do executivo ou outras normas legais.

Soja limitada O atual programa de incentivo à produção de biodiesel criado pelo governo que beneficia somente a agricultura familiar tem se mostrado interessante, porém ineficiente para alcançar grande produção de biodiesel. Nestes quase três anos de programa, a produção de biodiesel oriundo da agricultura familiar continua insignificante e o plantio de mamona não tem aumentado. Uma nova política agrícola mais abrangente para o setor, onde a seqüência de etapas naturais e obrigatórias seria respeitada (produção de matéria-prima, industrialização e consumo), colocaria o setor no caminho certo.

Pensem nisto!

Univaldo Vedana é analista do setor de biodiesel e responsável pela primeira fábrica de biodiesel do país abrangendo todo o processo de produção.