Paulo Anselmo Ziani Suarez

2007: além de comemorarmos o 70º aniversário do biodiesel, será o ano "D" para o Biodiesel no Brasil


Paulo Suarez - 07 jan 2007 - 20:12 - Última atualização em: 06 mar 2012 - 11:41

Tanto por razões históricas como por ser chave para o nosso programa de biodiesel, o ano que estamos começando é extremamente significativo.

No que se refere à história, se comemora neste ano o 70º aniversário do primeiro pedido de patente de um processo de transformação de óleo vegetal no que hoje chamamos de biodiesel. De fato, os conflitos armados que se iniciaram na década de 1930, gerando problemas de abastecimento no mercado mundial de petróleo, assim como a tentativa de diversos países europeus de desenvolverem alternativas energéticas para as suas colônias tropicais, fez com que pesquisadores de diversos países procurassem por soluções viáveis para a substituição de derivados de petróleo. Assim, surge na Bélgica a primeira patente relatando a transformação de óleos vegetais em uma mistura de ésteres, metílicos ou etílicos de ácidos graxos, que hoje é conhecida como biodiesel [1]. Posteriormente, G. Chavanne, o inventor do biodiesel, relatou que realizou diversos testes de uso em larga escala, tendo inclusive rodado mais de 20000 km com caminhões usando biodiesel obtido pela transesterificação de óleo de dendê com etanol [2]. Nessa mesma época, outros países desenvolveram pesquisas. Por exemplo, o Instituto Francês do Petróleo realizou em 1940 diversos testes utilizando a tecnologia belga para produção de biodiesel a partir de dendê e etanol, tendo obtido resultados extremamente satisfatórios [3]. Já os pesquisadores americanos desenvolveram um processo utilizando catalisadores ácidos seguidos de catalisadores básicos para evitar a formação de sabões e viabilizar a transformação de óleos brutos, com índices de acidez elevados, diretamente em biodiesel [4]. No entanto, o final da 2ª Guerra Mundial trouxe uma normalização no mercado mundial de petróleo, fazendo com que o biodiesel tenha sido temporariamente abandonado. A partir da década de 1980, quando sucessivas crises conjunturais e, atualmente, estruturais fizeram com que pesquisadores e governantes se voltassem mais uma vez para a procura de alternativas renováveis para substituir o petróleo, o biodiesel retorna a cena, como principal alternativa ao diesel.

Já no tocante ao nosso atual programa de biodiesel, este ano é chave, pois deveremos, conforme a Lei Nº 11.097, de 13 de Janeiro de 2005, sermos capazes de produzir aproximadamente 800 milhões de litros de biodiesel por ano até o dia 31 de dezembro para garantir o nosso esperado B2 (mistura de 2 % de biodiesel obrigatória em todo o diesel consumido no território nacional). Segundo o site da Agência Nacional do Petróleo e dos Biocombustíveis (ANP, www.anp.gov.br), já existem hoje 18 empresas autorizadas a produzir biodiesel, com capacidade anual estimada em aproximadamente 600 milhões de litros. Somando-se a capacidade de diversas outras empresas que estão em fase de instalação e autorização, e assumindo que não ocorra nenhum problema de abastecimento ou preço de matéria-prima, podemos imaginar que a meta do governo será facilmente alcançada e que, já em 2008, poderemos iniciar o uso de percentuais até maiores de biodiesel do que o B2.

Encerro aqui desejando um ano produtivo para toda a nossa comunidade e que consigamos encerrar o ano com o nosso programa de biodiesel satisfazendo todas as nossas expectativas!

Paulo Anselmo Ziani Suarez é engenheiro químico, colunista BiodieselBR.com, com pós-doutorado pelo National Center for Agricultural Utilization Research dos Estados Unidos. Saiba mais sobre o autor.

E-mail: psuarez@unb.br

[1] Chavanne, G.; Patente Belga BE 422,877, 1937.
[2] Chavannes, G.; Bulletin agricole du Congo Belge, vol. XXXIII, p3-90, mars 1942.
[3] R. Stern e colaboradores, Revue de L´institut Français du Pétrole, Vol. 38, No 1, Janvier-février 1983.
[4] Keim, G. I.; Patente Americana US 2,383-601, 1945.

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