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Biodiesel: muitas questões no cenário atual


Simoni P. Meneghetti - 18 mar 2007 - 21:35 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:23

Nos últimos meses vários fatos têm chamado à atenção mundial para o tema energia. E não poderia ser diferente.... O relatório sobre o aquecimento global e suas eminentes conseqüências, a recente visita do Presidente Bush ao Brasil, entre outros, ocupam grande espaço na mídia falada e escrita.

Cada vez mais é discutida a inserção de formas sustentáveis, e preferencialmente renováveis, de energia nas matrizes energéticas dos diversos países e vários interesses, que dizem respeito a grupos ambientalistas até grupos econômicos, estão em pauta.

Porém, no que tange ao Biodiesel, que nasceu em 1937, ano no qual o belga Chavanne que concebeu e estudou pela primeira vez a reação de transformação de óleos vegetais em ésteres biocombustíveis, várias questões permanecem no ar.

Quando se tem contato com agricultores e suas associações e com potenciais investidores industriais, a sensação que se tem é de que o Programa Nacional de Uso e Produção de Biodiesel está “parado”.

E a partir desta constatação lanço aqui várias questões para nossa reflexão!!!!

O Programa de Biodiesel está mesmo parado ou será nossa mentalidade assistencialista que não permite maiores avanços? Evidentemente temos muitos exemplos positivos de empreendedores que estão “em campo”. Afinal, o governo federal criou e garantiu um mercado ao autorizar, inicialmente o B2, e gerou um arcabouço legal, que apesar de questionado por muitos, regulamenta o setor. Pouquíssimos setores da economia tiveram essa base de partida!!! Ou será que fabricar biodiesel não é economicamente viável? Em termos de rotas tecnológicas, existe uma única que seja melhor aplicável em todas as situações em nosso país??

Fala-se que não existe óleo de mamona disponível no mercado!!! E quando esse estiver disponível, será que o biodiesel poderá ser fabricado com a qualidade requerida a um custo competitivo? E essa qualidade??? Estamos preparados para alcançá-la e controlá-la???

Logicamente, para nenhuma dessas questões existem respostas e fórmulas prontas!!! E nem uma pessoa única que tenha todas as respostas. Cabe aos pesquisadores, aos técnicos, aos agricultores e a todos os empreendedores do setor uma ampla discussão, que deve ser prática, objetiva, efetiva e com base na busca incessante por informações técnicas sólidas baseadas em dados e não em opiniões passionais e, infelizmente em certos casos, tendenciosas.

E para alguns que acreditam que discutir, debater, pesquisar e desenvolver não são atos necessários, gostaria de salientar que não esqueçamos de seguir o exemplo de setores que nunca pararam de debater, de procurar e de investir em tecnologia e que hoje são gigantes, como a indústria petrolífera mundial. Essa indústria tem, pelo menos, 100 anos de constantes investimentos em tecnologia, nas mais diversas etapas de sua cadeia produtiva e que são traduzidos em excelência e grande lucratividade.

Simoni P. Meneghetti. Saiba mais sobre a autora.

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