
Com os governantes preocupados mais com as eleições do que com o Brasil, o setor de biodiesel segue o cronograma regular. Leilões de biodiesel a cada dois meses, selo combustível social encolhendo, usinas lutando pelo aumento da mistura e pelo menos uma usina saindo do mercado a cada mês. Em meio a tudo isso o que mais se ouve é sobre a crise no setor. Mas uma crise já antecipada.
Com os governantes preocupados mais com as eleições do que com o Brasil, o setor de biodiesel segue o cronograma regular. Leilões de biodiesel a cada dois meses, selo combustível social encolhendo, usinas lutando pelo aumento da mistura e pelo menos uma usina saindo do mercado a cada mês. Em meio a tudo isso o que mais se ouve é sobre a crise no setor. Mas uma crise já antecipada.
Voltemos no tempo. Em 2010 o número de novas usinas crescia fortemente. Mesmo sem nenhuma perspectiva real de aumento da mistura de biodiesel, novas usinas surgiam em forte ritmo. A força propulsora dessa expansão era a enorme margem de lucro que as empresas estavam embolsando com a venda de biodiesel. Apesar de ser evidente que essa situação não permaneceria para sempre, os empresários continuaram investindo.
Mas os sinais de que o mercado seria muito mais competitivo estavam por toda a parte. Em agosto de 2009 a revista BiodieselBR trouxe em sua capa o tema da consolidação. Naquela época empresários já diziam que a produção de biodiesel seria um negócio para pouco mais de 10 empresas. Em outubro de 2010, durante a conferência BiodieselBR, membros do governo já alertavam para o cenário de excessiva capacidade produtiva que aparecia no horizonte.
O fechamento de usinas que vai continuar acontecendo este ano é uma tragédia anunciada. Essas empresas provavelmente não seriam salvas pelo B7. Apenas ganhariam uma sobrevida. Isso porque na sequência do anúncio do aumento da mistura veríamos o lançamento de novos projetos há tempos engavetados e teríamos uma expansão no parque industrial das empresas. Os que ganharam sobrevida voltariam a ter dificuldades, e o ciclo reiniciaria.
O momento atual não é o de uma crise, mas de um processo normal de amadurecimento. Um processo doloroso e custoso, mas necessário. Como a oferta está muito maior que a demanda, a luta entre as usinas para vender seu produto está bastante acirrada. As que conseguem se manter com um preço menor continuam no negócio. As que não podem oferecer biodiesel por um preço tão atrativo estão saindo do mercado. O mercado se estabilizará com as mais competitivas.
Desde o começo do programa temos usinas deixando o mercado e o governo não fez e nem podia fazer nada. Ou deveria ter aumentado a mistura para socorrer a Brasil Ecodiesel, a Soyminas, Comanche, Renobrás, CLV, DVH, B-100, Ouro Verde e tantas outras que passaram pelo setor? Olhando em retrospectiva, essas empresas não tinham os requisitos necessários para competir em um mercado eficiente e maduro.
Assim que mais usinas desistirem do mercado, a competição retornará a níveis mais saudáveis de rentabilidade. O lucro da venda de biodiesel não será fantástico como foi no passado, mas não será ruim como está sendo agora. Será o começo da maturidade do setor.
Miguel Angelo Vedana - BiodieselBR.com
Com os governantes preocupados mais com as eleições do que com o Brasil, o setor de biodiesel segue o cronograma regular. Leilões de biodiesel a cada dois meses, selo combustível social encolhendo, usinas lutando pelo aumento da mistura e pelo menos uma usina saindo do mercado a cada mês. Em meio a tudo isso o que mais se ouve é sobre a crise no setor. Mas uma crise já antecipada.
Voltemos no tempo. Em 2010 o número de novas usinas crescia fortemente. Mesmo sem nenhuma perspectiva real de aumento da mistura de biodiesel, novas usinas surgiam em forte ritmo. A força propulsora dessa expansão era a enorme margem de lucro que as empresas estavam embolsando com a venda de biodiesel. Apesar de ser evidente que essa situação não permaneceria para sempre, os empresários continuaram investindo.
Mas os sinais de que o mercado seria muito mais competitivo estavam por toda a parte. Em agosto de 2009 a revista BiodieselBR trouxe em sua capa o tema da consolidação. Naquela época empresários já diziam que a produção de biodiesel seria um negócio para pouco mais de 10 empresas. Em outubro de 2010, durante a conferência BiodieselBR, membros do governo já alertavam para o cenário de excessiva capacidade produtiva que aparecia no horizonte.
O fechamento de usinas que vai continuar acontecendo este ano é uma tragédia anunciada. Essas empresas provavelmente não seriam salvas pelo B7. Apenas ganhariam uma sobrevida. Isso porque na sequência do anúncio do aumento da mistura veríamos o lançamento de novos projetos há tempos engavetados e teríamos uma expansão no parque industrial das empresas. Os que ganharam sobrevida voltariam a ter dificuldades, e o ciclo reiniciaria.
O momento atual não é o de uma crise, mas de um processo normal de amadurecimento. Um processo doloroso e custoso, mas necessário. Como a oferta está muito maior que a demanda, a luta entre as usinas para vender seu produto está bastante acirrada. As que conseguem se manter com um preço menor continuam no negócio. As que não podem oferecer biodiesel por um preço tão atrativo estão saindo do mercado. O mercado se estabilizará com as mais competitivas.
Desde o começo do programa temos usinas deixando o mercado e o governo não fez e nem podia fazer nada. Ou deveria ter aumentado a mistura para socorrer a Brasil Ecodiesel, a Soyminas, Comanche, Renobrás, CLV, DVH, B-100, Ouro Verde e tantas outras que passaram pelo setor? Olhando em retrospectiva, essas empresas não tinham os requisitos necessários para competir em um mercado eficiente e maduro.
Assim que mais usinas desistirem do mercado, a competição retornará a níveis mais saudáveis de rentabilidade. O lucro da venda de biodiesel não será fantástico como foi no passado, mas não será ruim como está sendo agora. Será o começo da maturidade do setor.
Miguel Angelo Vedana - BiodieselBR.com