
Nesse artigo, o colunista de BiodieselBR,com Miguel Angelo Vedana, comenta o daltonismo econômico que travou o debate em torno do novo marco.
Imaginem a seguinte situação: você mostra uma caneta para uma pessoa e diz que ela é azul. Essa pessoa discorda, e fala que é vermelha. Você então, convida alguns especialistas para definirem a cor da caneta, e, após algumas análises, eles provam que realmente a caneta é azul. Mesmo assim, a pessoa não ficou satisfeita. O que fazer, então, para convencê-la que a caneta é azul?
Situação semelhante é vivida hoje pelo setor de biodiesel. O novo marco regulatório está parado no Ministério da Fazenda porque existe o receio de que o aumento da mistura vá gerar, dentro das preocupações gerais do Brasil, mais pressão inflacionária. As associações já contrataram pelo menos dois trabalhos técnicos para mostrar que o impacto seria insignificante, e é ainda mais desprezível quando considerados os benefícios do aumento na mistura de biodiesel no diesel. Mas, mesmo assim, o ministério não permite que o projeto avance.
Existe a possibilidade de que se o aumento da mistura vier e o preço do óleo de soja disparar, haverá inflação significativa. Contudo, já foi colocado que, nesse caso, a mistura voltaria para 5%, utilizando a chamada banda flexível. Ou seja, existe um instrumento criado especificamente pelo governo para evitar esse risco.
Mas um cenário que faça uso desse mecanismo é improvável. A expectativa é que o preço do óleo de soja fique mais baixo, já que o Brasil deve colher uma safra de mais de 90 milhões de toneladas. É o segundo ano consecutivo com uma safra extraordinária, que forçará para baixo os preços de toda a cadeia da soja. Assim, com esse cenário significativamente mais produtivo do que quando os estudos foram feitos, o impacto inflacionário de um aumento da mistura será muito próximo de zero.
Todos outros ministérios integrantes da CEIB, que por anos analisam o PNPB, hoje são abertamente favoráveis ao aumento da mistura. Já passou a fase de esmiuçar as vantagens do biodiesel para a produção de soja, para a Petrobras, para o mercado de diesel, para os agricultores familiares e outros tantos. Estas questões técnicas já foram discutidas e as vantagens do biodiesel superaram os possíveis impactos negativos. A equipe do Ministério da Fazenda não está trazendo nada de novo à discussão.
Com as perspectivas atuais e munido de dados técnicos, é possível afirmar que o aumento da mistura é positivo para o país. Mesmo assim, o Ministério da Fazenda não argumenta ou desenvolve sua opinião. Enquanto isso, o setor continua tentando encontrar uma maneira de convencer o Ministro Mantega de que a caneta é realmente azul.
Miguel Angelo Vedana – BiodieselBR.com
Imaginem a seguinte situação: você mostra uma caneta para uma pessoa e diz que ela é azul. Essa pessoa discorda, e fala que é vermelha. Você então, convida alguns especialistas para definirem a cor da caneta, e, após algumas análises, eles provam que realmente a caneta é azul. Mesmo assim, a pessoa não ficou satisfeita. O que fazer, então, para convencê-la que a caneta é azul?
Situação semelhante é vivida hoje pelo setor de biodiesel. O novo marco regulatório está parado no Ministério da Fazenda porque existe o receio de que o aumento da mistura vá gerar, dentro das preocupações gerais do Brasil, mais pressão inflacionária. As associações já contrataram pelo menos dois trabalhos técnicos para mostrar que o impacto seria insignificante, e é ainda mais desprezível quando considerados os benefícios do aumento na mistura de biodiesel no diesel. Mas, mesmo assim, o ministério não permite que o projeto avance.
Existe a possibilidade de que se o aumento da mistura vier e o preço do óleo de soja disparar, haverá inflação significativa. Contudo, já foi colocado que, nesse caso, a mistura voltaria para 5%, utilizando a chamada banda flexível. Ou seja, existe um instrumento criado especificamente pelo governo para evitar esse risco.
Mas um cenário que faça uso desse mecanismo é improvável. A expectativa é que o preço do óleo de soja fique mais baixo, já que o Brasil deve colher uma safra de mais de 90 milhões de toneladas. É o segundo ano consecutivo com uma safra extraordinária, que forçará para baixo os preços de toda a cadeia da soja. Assim, com esse cenário significativamente mais produtivo do que quando os estudos foram feitos, o impacto inflacionário de um aumento da mistura será muito próximo de zero.
Todos outros ministérios integrantes da CEIB, que por anos analisam o PNPB, hoje são abertamente favoráveis ao aumento da mistura. Já passou a fase de esmiuçar as vantagens do biodiesel para a produção de soja, para a Petrobras, para o mercado de diesel, para os agricultores familiares e outros tantos. Estas questões técnicas já foram discutidas e as vantagens do biodiesel superaram os possíveis impactos negativos. A equipe do Ministério da Fazenda não está trazendo nada de novo à discussão.
Com as perspectivas atuais e munido de dados técnicos, é possível afirmar que o aumento da mistura é positivo para o país. Mesmo assim, o Ministério da Fazenda não argumenta ou desenvolve sua opinião. Enquanto isso, o setor continua tentando encontrar uma maneira de convencer o Ministro Mantega de que a caneta é realmente azul.
Miguel Angelo Vedana – BiodieselBR.com