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A estreia não sonhada do B7

L37B6 300514O primeiro leilão do B7 chamou mais atenção do que se esperava, mas não pelos motivos que todos gostariam. Vejamos o que aconteceu e suas consequencias.
BiodieselBR.com 5 min de leitura
O primeiro leilão do B7 chamou mais atenção do que se esperava, mas não pelos motivos que todos gostariam. Os motivos, de uma forma sintética, foram os seguintes:
 
          • As usinas ofereceram menos biodiesel que o mercado esperava;
          • O governo e a ANP não haviam se preparado para essa situação; 
          • Às pressas tiveram que criar uma saída para minimizar o risco de faltar biodiesel e de ocorrer uma elevação excessiva do preço.

Esses acontecimentos não agradaram ninguém. O governo claramente não gostou de saber que poderia faltar biodiesel logo no primeiro leilão de B7 e as usinas não gostaram de receber um anúncio de um leilão complementar no meio do leilão regular. Foi com esse misto de frustração, descontentamento e até um pouco de indignação que o 39º leilão de biodiesel se desenrolou.

O primeiro leilão do B7 chamou mais atenção do que se esperava, mas não pelos motivos que todos gostariam. Os motivos, de uma forma sintética, foram os seguintes:

         • As usinas ofereceram menos biodiesel que o mercado esperava;
         • O governo e a ANP não haviam se preparado para essa situação;
         • Às pressas tiveram que criar uma saída para minimizar o risco de faltar biodiesel e de ocorrer uma elevação excessiva do preço.

Esses acontecimentos não agradaram ninguém. O governo claramente não gostou de saber que poderia faltar biodiesel logo no primeiro leilão de B7 e as usinas não gostaram de receber um anúncio de um leilão complementar no meio do leilão regular. Foi com esse misto de frustração, descontentamento e até um pouco de indignação que o 39º leilão de biodiesel se desenrolou.

Mas a disputa ainda não terminou. O leilão complementar para o 6º bimestre deve acontecer nas próximas semanas e o edital com mais detalhes será lançado amanhã. Enquanto o governo termina de preparar as regras para o novo certame, as usinas também vêm trabalhando. Cartas e muitas ligações foram feitas esta semana para o governo demostrando insatisfação. Mas as usinas não pararam por aí. Distribuidoras também receberam ligações de usinas. Nelas os compradores de biodiesel foram informados que seria melhor comprar todo o biodiesel do próximo bimestre no leilão regular, pois o leilão complementar seria embargado.

A atitude intimidadora de algumas usinas é, no mínimo, impensada. Primeiro porque acharam que as distribuidoras iriam se preocupar se o leilão complementar iria acontecer ou não. Se não houver o novo certame e elas não tiverem biodiesel suficiente para a mistura de 7%, elas não sofrerão pena alguma. Se tivessem avaliado um pouco mais, perceberiam que avisar que não teria o leilão complementar talvez fosse um incentivo para elas comprarem menos agora. Segundo, porque acharam que a ANP não seria avisada da intimidação que as distribuidoras sofreram. Eles já estão sabendo e, imagino, não foi uma notícia que alegrou o dia deles.

Mas quero acreditar que essa atitude impensada das usinas não será levada adiante. Elas vão perceber que o resultado do L39 não foi tão ruim quanto parecia que seria quando o aviso do novo leilão foi colocado. Acredito também que elas verão que no lugar do leilão regular, o governo poderia ter adotado saídas mais indesejadas. Mas, principalmente, acredito que elas perceberão que se as distribuidoras não tiverem como comprar biodiesel para atender o B7, a saída provável do governo é reduzir o teor de mistura para 6%. Isso ninguém quer.

É fato que o governo errou ao não ter uma rede de segurança para quando a oferta ficasse justa demais. A consequência disso foi outra medida muito questionável, ao convocar um novo leilão no meio da disputa, alterando as regras no meio do jogo. Por mais que o edital do leilão regular não tenha sido alterado, o objeto do leilão foi, pois quando as usinas fizeram suas ofertas sabiam que as distribuidoras comprariam toda a demanda de B7. Quando as compras começaram, a demanda já era 20% menor. Essa questão levanta um belo debate jurídico.

Todo esse imbróglio terá consequências positivas para o aperfeiçoamento dos leilões. Hoje o sistema está suscetível a variações bruscas nas ofertas. É difícil ficar tranquilo quando uma empresa multinacional com a Noble oferece 30 mil m³ em um leilão e zero no leilão seguinte. Quanto ela vai ofertar no L40? Um planejamento tem que trabalhar com qualquer volume entre os dois extremos.

Da mesma forma é ruim depender da regularidade no Sicaf a cada dois meses. A Bunge se mostrou bastante interessada em vender no leilão mas não podia por que um braço da empresa sem ligação alguma com biodiesel estava passando por alguma intempérie burocrática. A JBS passou pelo mesmo problema. No próximo leilão pode ser qualquer outra grande usina. Se a habilitação para os leilões tivesse uma validade anual a segurança no abastecimento seria maior.

Agora o setor como um todo deve olhar para frente. Deve se preocupar em como serão os leilões de 2015. A ocupação da capacidade das usinas com o B7 é a maior de toda a história do setor, o que deve refletir em margens de lucro satisfatórias. E continuará sendo até que a capacidade de produção aumente, o que não deve acontecer nos próximos 18 meses.

A estreia do B7 não foi aquela que sempre sonhamos, mas transformá-la em um pesadelo não vai ajudar.

Miguel Angelo Vedana - BiodieselBR.com
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