Miguel Angelo

16º leilão: relação entre oferta e demanda no limite


BiodieselBR.com - 05 nov 2009 - 14:35 - Última atualização em: 07 mar 2012 - 18:49

O 16º leilão de biodiesel da ANP, que marcará o início do B5 no Brasil, demandará um volume muito próximo da capacidade real de produção de biodiesel brasileira.

A capacidade de produção autorizada pela ANP hoje é de pouco mais de 4,1 bilhões de litros de biodiesel, mas esse número diminui consideravelmente conforme vamos estudando esses valores.

Critérios
Só podem vender nos leilões usinas que tenham autorização de comercialização do biodiesel e registro especial na Recita Federal. Com esses dois critérios a capacidade brasileira diminui para 3,6 bilhões de litros de biodiesel.

Desse número ainda precisamos retirar as usinas que não participam dos leilões ou que não participam com todo esse volume, seja por falta de capacidade real ou qualquer outro problema da empresa. A Biocapital é uma que nunca vendeu mais que 27 milhões de litros em um leilão mesmo podendo vender quase 55 milhões. Por esse motivo assumo que a capacidade real da empresa é de 150 milhões de litros. Outro exemplo são as usinas da Brasil Ecodiesel de Crateús e Floriano. Ambas venderam apenas 100 mil litros nos últimos leilões, apenas para não ficarem de fora de possíveis leilões da Petrobras. Essas usinas são um dos focos principais do planejamento estratégico que a empresa vai divulgar até o final do ano, e seus dirigentes vem demonstrando ter pouco interesse em continuar operando com essas unidades. Além dessas usinas ainda temos a Ouro Verde, que não participou do último leilão e pretende vender a usina, a Araguassú Óleos Vegetais que não participou dos dois últimos leilões e a SSIL que nunca participou de um leilão.

Tirando essas empresas e reduzindo a capacidade da Bicapital, temos uma oferta de biodiesel de 3,26 bilhões de litros, ou 815,8 milhões de litros por trimestre. Contudo desse volume as usinas podem vender apenas 80%, o equivalente a 652,7 milhões de litros. E esse é o nosso número.

Dessa forma, no próximo leilão teremos uma demanda de 575 milhões de litros e uma oferta de 652 milhões de litros. Uma ociosidade de apenas 77 milhões de litros. Se todo o biodiesel comprado no 16º leilão fosse dividido proporcionalmente à capacidade de cada uma das usinas, a ocupação seria de 70,48%. Um número muito bom para as usinas, principalmente se contarmos que para produzir 100%, uma usina precisa operar durante 360 dias por ano.

Somando e dividindo
Essa divisão equânime obviamente não acontecerá. Principalmente por que a Petrobras e a ADM tem como objetivo vender os 80% possíveis. Além disso a Granol e a Ecodiesel devem vender menos de 70% de suas capacidades. Para atingir essa ocupação a Granol teria que vender 98 milhões de litros e a Ecodiesel 91 milhões de litros. É mais provável que essas usinas vendam 80 e 75 milhões de litros respectivamente.

Com base nesses números e assumindo que a Biocapital irá vender 30 milhões de litros, todas as demais usinas poderiam vender 76,2% de sua capacidade autorizada sem nenhum problema. E ainda, se uma usina do tamanho da Comanche ficar de fora, todas as outras poderão vender seus 80% e a Ecodiesel ou a Granol terão que vender um pouco mais do que o projetado acima para não termos uma falta de ofertas.

Ressalvas
Lembro que essa projeção leva em conta que as ampliações da ADM e da Binatural não serão concluídas até o dia do leilão e que os volumes podem ser bem diferentes se a Ecodiesel ou a Granol objetivarem um volume de biodiesel maior do que o projetado.

Tendo em vista a particular situação entre oferta e demanda, esse leilão deverá ter o menor deságio de todos. E muito provavelmente o preço médio do litro de biodiesel, excluindo ADM e Petrobras, não ficará nem um centavo abaixo do preço máximo de R$ 2,35 estipulado pela ANP.

Miguel Angelo Vedana - BiodieselBR.com
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