João Tenório

Biodiesel: rumo indefinido


Senador João Tenório - 20 ago 2007 - 15:17 - Última atualização em: 19 dez 2011 - 11:30

O mercado do etanol no Brasil vive uma realidade tanto positiva quanto preocupante. Por um lado, o setor apresenta grande expertise para a produção de um álcool competitivo e de qualidade. Por outro, os produtores do ramo se vêem diante de uma situação em que o excedente da produção não encontra destino certo.

Este é um fato que foi sendo construído ao longo dos últimos anos, período em que houve um grande descompasso entre o investimento na produção e o investimento na abertura de novos mercados para o etanol brasileiro. 

Diante do grande crescimento da produção de biodiesel no país e da aproximação da obrigatoriedade da adição de 2% de biodiesel ao diesel brasileiro, creio que uma certa precaução se faz extremamente necessária para que não ocorra com o biodiesel o que já se verificou com o etanol.

Em um primeiro momento da vigência da lei acima citada, já há relatos de especialistas de que os produtores brasileiros de biodiesel não seriam capazes de suprir toda a demanda. Isso poderá ocorrer, é verdade. Porém, durante um espaço reduzido de tempo. Temos que pensar mais além, no médio e no longo prazo.

Com tantos investimentos que vêm sendo feitos no biodiesel neste país, é possível que não consigamos vender toda esta produção no futuro se não for feito um planejamento adequado de divulgação no mercado externo. O mercado do etanol está deprimido. E não podemos esperar o mesmo para o biodiesel.

Para tanto, é necessário que o país faça os planejamentos corretos e busque relações comerciais mais estáveis com outros países. O que o mercado externo procura é produção garantida. E isso o Brasil tem condições de suprir. A palavra-chave é planejamento. Sem ele, estaremos andando em um círculo vicioso, sem sair do lugar.

Senador João Tenório (PSDB-AL) é engenheiro químico e preside a subcomissão dos Biocombustíveis do Senado Federal (Crabio).

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