Notícias

Caminhoneiros se revoltam contra Bolsonaro após reajuste do diesel


Valor Econômico - 09 fev 2021 - 10:18

O anúncio pela Petrobras de novo reajuste no preço dos combustíveis voltou a agitar os grupos de WhatsApp de caminhoneiros nesta segunda-feira. A revolta é geral. No entanto, o que fazer diante do aumento, ninguém sabe.

“Bolsonaro prometeu reduzir os impostos do diesel e não tivemos um fim de semana de paz. Olha aí o caminhoneiro sendo penalizados de novo”, dizia o áudio de um caminhoneiro muito ativo nas redes e defensor do presidente.

Para ele, que é do Paraná, os motoristas e outras categorias profissionais devem lutar junto com o presidente para pedir aos governadores redução do ICMS em alguns Estados. “Se no Rio de Janeiro é mais caro, simples: a gente não entrega uma grama de arroz naquele Estado. Quero ver se não vão baixar os preços”, dizia.

Na outra ponta, a mulher de um caminhoneiro era a mais revoltada do dia. Ela publicou vários xingamentos ao presidente e notícias e mensagens de um ano atrás, quando Jair Bolsonaro prometeu enviar um projeto de lei ao Congresso para estabelecer um valor fixo de ICMS sobre combustíveis para dar mais previsibilidade aos motoristas. “Ele teve um ano e não fez nada. Ainda acreditam nesse presidente?”, escreveu.

Bolsonaro também defende que o imposto seja cobrado nas refinarias, e não nas bombas como é feito hoje, mas nunca mandou o projeto ao Congresso.

Nos grupos de discussão, os mais realistas apenas lamentam: “não temos força para brigar, nem greve a gente consegue fazer mais. Quem vai comemorar é a Rumo”, dizia um motorista referindo-se a empresa de logística ferroviária.

A Petrobras anunciou nesta segunda-feira que aumentará os preços do litro da gasolina, do diesel e do gás liquefeito do petróleo (GLP) nas refinarias, a partir desta terça-feira.

Segundo a companhia, o preço de venda da gasolina será elevado, na média, em R$ 0,17, para R$ 2,25. Já o litro do diesel será reajustado em R$ 0,13, para R$ 2,24, enquanto para o GLP a alta será de 0,14 o quilo. O derivado será vendido, para as distribuidoras, por R$ 2,91 por quilo (equivalente a R$ 37,79 por 13 quilos).

Fernanda Pressinott – Valor Econômico