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Biodiesel

Carro "vegetariano": alternativa para motoristas americanos


Agência EFE - 01 ago 2006 - 08:10 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:22

No país que mais consome batatas fritas e gasolina, não poderia haver solução melhor: o chamado "carro vegetariano", que funciona com litros e litros de óleo vegetal.

No momento em que os preços do combustível nos Estados Unidos andam nas alturas, alguns motoristas têm optado por converter seus carros para o "sistema de combustão vegetal", uma alternativa mais econômica e que respeita o meio ambiente.

Os novos sistemas, operados apenas em carros com motor a diesel, são fabricados e instalados por várias empresas em todo o país, entre elas a Frybrid, Golden Fuel Systems, Greasecar, Plant Drive, Vegi Stroke e a Plantroleum.

Na Greasecar, cerca de 300 equipamentos de conversão são vendidos por mês por aproximadamente US$ 1.500 cada - incluindo o custo da instalação -, e, segundo um porta-voz da empresa, o negócio cresceu quase 20% desde a mais recente alta de preços da gasolina.

Dave Kandell, que mora em Nova York e um dos que optaram pelo sistema de combustão vegetal, está feliz com os resultados. No entanto, tem que enfrentar o embaraço de ir aos restaurantes à procura de óleo, ao invés de dirigir-se ao posto de gasolina.

O sistema "vegetariano" funciona em todo tipo de clima, inclusive nas mais baixas temperaturas e opera com dois tanques de combustível: um para o diesel e outro extra para o óleo vegetal.

O motor liga e desliga com o motor a diesel, que é responsável pelo aquecimento do óleo vegetal em outro tanque. Uma ligação elétrica permite a mudança entre um sistema de combustão e outro.

Embora o sistema funcione com qualquer tipo de óleo vegetal novo ou usado - desde que esteja filtrado e livre de água, bactérias ou componentes químicos -, o que é utilizado em restaurantes de luxo sempre será de melhor qualidade que o tipo hidrogenado próprio das redes de fast food.

Por outro lado, os fabricantes de sistemas de combustão de óleo vegetal esclarecem que o sistema não funciona com "biodiesel", combustível composto por óleo vegetal, diesel, químicos catalisadores e outros componentes.

Em termos de custos, os motores de combustão a óleo vegetal parecem trazer um certo alívio aos motoristas, já que enquanto o preço do galão de diesel (3,78 litros) se situa em cerca de US$ 3, um galão de óleo vegetal usado custa entre US$ 1,50 e US$ 2,49.

A economia proporcionada pelo sistema inovador também atende aos donos de restaurantes, que pagam pelo resíduo do óleo, e é apreciada pelos ecologistas, por gerar um índice de contaminação menor.

Segundo a Greasecar, a combustão do óleo vegetal, produto que também é renovável, não emana sulfeto - o principal agente cancerígeno associado ao diesel - e emite menos dióxido de carbono que os combustíveis derivados do petróleo, vinculados às mudanças climáticas.

No entanto, tais vantagens não indicam que o óleo vegetal vá substituir o petróleo como fonte de energia.

Calcula-se que os restaurantes dos EUA desprezam 100 milhões de galões de óleo por ano, mas essa quantidade só substituiria 0,07% dos 140 bilhões de galões de gasolina consumidos anualmente pelos americanos, supondo que todos usem o sistema à base de diesel, segundo Briante.

Além disso, a Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) dos EUA alertou recentemente que estes sistemas violam a lei "Clean Air Act", que estabelece padrões para emissão de gás poluentes na atmosfera, e que a conversão dos carros gera uma multa de US$ 2.750 para seus proprietários.