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Biodiesel

Coplacana constrói usina de biodiesel


Jornal de Piracicaba - 15 abr 2007 - 22:13 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:23

O investimento inicial da cooperativa na usina, que está sendo construída na região do bairro Taquaral, em Piracicaba, é de R$ 8 milhões

As obras da usina de biodiesel da Coplacana (Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo), que está sendo instalada na região do bairro Taquaral, em Piracicaba, já começaram e a moagem da soja, que será usada no processo, deve ser iniciada no mês de janeiro de 2008. O investimento inicial da instituição é de R$ 8 milhões. Para o coordenador do Pólo Nacional de Biocombustíveis, Weber Antonio Neves do Amaral, o projeto é uma oportunidade para que os pequenos e médios agricultores passem a vender produtos com valor agregado.

A terraplenagem, levantamento topográfico, sondagem, estudo da licença ambiental, entre outras ações, estão em andamento. O nome da empresa responsável pela montagem industrial da planta não foi divulgado, mas o projeto deve ser concluído no mês de dezembro de 2007.

A usina terá capacidade de produção de 45 mil litros ao dia (13,5 milhões de litros/ano). Utilizado para a alimentação animal, o volume de farelo de soja produzido diariamente será de 240 toneladas. A soja será a principal matéria-prima e a demanda estimada para a oleaginosa é de 300 toneladas por dia, considerando a capacidade máxima. A área de plantio correspondente à demanda é de 35 mil hectares.

Os dados técnicos são do gerente de compras da Coplacana, Klever José Coral. Segundo ele, o grande diferencial da usina é a utilização de rota etílica na fabricação do biodiesel, além de um catalisador de quarta geração. Um laboratório completo para análise da produção também será construído, a fim de atender às normas da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás natural e Biocombustíveis) e normas européias de qualidade do biodiesel, informou o gerente.
O fomento à diversificação de cultura por parte da cooperativa deve merecer atenção especial por parte do governo federal. De acordo com o presidente da Afocapi (Associação dos Fornecedores de Cana de Piracicaba), José Coral, a inauguração da usina deve trazer à cidade o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A importância da usina da Coplacana para os fornecedores de cana é resumida pelo coordenador do pólo –– instalado na Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz). “É a única oportunidade para pequenos agricultores de cana terem controle de uma etapa importante da cadeia, que é a etapa da produção”, relata Amaral, referindo-se à entrada dos fornecedores na venda de produtos com valor agregado.
A equipe do pólo colaborou com o plano de negócios da usina do ponto-de-vista agrícola, com relação às áreas necessárias, matérias-primas, o momento da Coplacana entrar no mercado e sobre como os agricultores poderiam estar diversificando a sua produção.

“Demos essas contribuições estratégicas. Mas para o produtor agrícola chegar a vender efetivamente o biodiesel e seus subprodutos ainda resta um longo caminho”, destaca Amaral.

De acordo com Klever José Coral, na primeira fase de operação dessa usina, o biocombustível produzido não será suficiente para a venda no mercado. “Toda a produção do biodiesel será destinada à movimentação das máquinas e equipamentos da nossa frota cativa, da Coplacana e dos cooperados”, informou Coral.

Weber Amaral, do polo, disse que o “papel da cooperativa é buscar alternativas para os agricultores”. “Esse é o conceito: agregar valor colocando uma atividade industrial por trás de uma matéria-prima. Na prática, isso quer dizer vender uma soja que custa, por exemplo, US$ 12 a saca por um preço três vezes maior. Acredito que as perdas que o setor canavieiro vem reclamando podem ser sim revertidas com a usina de biodiesel. Esse passo vai dar um grau de flexibilidade ao setor”.

Tags: Coplacana