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Biodiesel

Agronegócio baiano consolida pólos e inicia crescimento


Secretaria de Agricultura - Bahia - 29 nov 1999 - 22:00 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:22

O progresso contínuo do agronegócio na Bahia tem motivos para projetar crescimento em áreas como a produção de mamona para o biodiesel e a pecuária de corte, cuja cadeia produtiva evoluirá com a implantação de um frigorífico voltado à exportação. Merecem destaque também os cultivos de mamão e banana, através da expansão do mercado externo e do status sanitário.

Para respaldar esse desenvolvimento do agronegócio, o governo baiano tem usado várias estratégias. "Além dos programas voltados às diferentes atividades agropecuárias, a maioria em parceria com instituições financeiras e de pesquisa, o Estado usa a atração direta de investimentos e participa de eventos nacionais e internacionais", afirmou o secretário da Agricultura, Pedro Barbosa.

Competitividade – Essas ações, disse, visam tornar os pequenos produtores mais competitivos e inseri-los na economia de mercado, através do fomento, implantação de infra-estrutura produtiva e assistência técnica. Essa dupla vertente da expansão da agropecuária baiana (empresarial e familiar) foi ressaltada na abertura de uma série de matérias sobre a evolução do setor na Bahia, divulgada na edição de julho da revista IstoÉ Dinheiro Rural.

Os empreendimentos de maior porte contam com o apoio de programas como o Agrinvest, que arca com metade dos encargos na fase de carência dos financiamentos, período em que os projetos estão em fase de estruturação e consolidação. A modernização das fazendas baianas é outro aspecto em ascensão, de acordo com o diretor de Política e Economia Agrícola da Seagri, José Mário Carvalhal. Em 2004, a Bahia comprou 42% das máquinas e implementos agrícolas adquiridos pelo Nordeste e 3% do total nacional. E em 2003, o estado registrou índices de 38% e 2% nesses rankings.

Hoje, a Bahia lidera a produção nacional de guaraná, coco, cacau, sisal, mamão, manga e mamona e se está em segundo lugar em algodão, banana, citros e mandioca. Detém ainda o maior rebanho de caprinos e o segundo de ovinos do país.

Mamão, banana e pecuária – Dois fatos devem ampliar o cultivo do mamão e da banana. Presente em pólos como o Vale do São Francisco e extremo sul, o mamão – com predominância da espécie papaia – passou este mês a ser exportado para os Estados Unidos e já tramita no Ministério da Agricultura um processo para que a fruta seja vendida ao Chile.

"Com essa chancela da exportação para os Estados Unidos, a atividade deve ser incrementada, com a retomada da área de produção e atração de investimento para mobilizar toda a parte da agroindústria voltada para essa cultura", explicou o secretário da Agricultura.

Em 25 de julho, a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) encaminhou ao Ministério da Agricultura os resultados de pesquisa da EBDA/Seagri que atestam a não-existência na Bahia da sigatoka-negra, praga que afeta os bananais.

"O levantamento fitossanitário de campo foi realizado através dos centros de diagnose da Embrapa, do governo federal", disse o diretor de Defesa Vegetal da Adab, Cássio Peixoto. Em 2004, o Plano de Prevenção da Sigatoka-Negra foi intensificado, após a disseminação da praga em todo o Brasil. Na Bahia, a banana é plantada no Piemonte da Diamantina, no nordeste, no sudoeste, na região cacaueira, no litoral sul e no extremo sul.

Com o recente anúncio da compra do Matadouro-Frigorífico de Itapetinga (Mafrip) pela empresa paulista Bertin, a pecuária se prepara para um novo ciclo de desenvolvimento, porque a adquirente pretende reinaugurar ainda este ano o novo Mafrip, voltado à exportação.

Para o diretor de Pecuária da Seagri, Plínio Moura, a criação bovina do estado tem condições de fornecer os animais requisitados pelo empreendimento. "Além de sediar o Mafrip, o estado apresenta defesa sanitária do rebanho com resultados exitosos e possui quantidade e qualidade/tecnologia de carne", afirmou.

A Bahia conta hoje com 10 milhões de bois (eram 8 milhões há 10 anos) e grande parte desse rebanho é distribuída pelo oeste, região de Itapetinga e extremo sul – que se destaca pela criação do novilho precoce, animal abatido com três e não quatro anos e que apresenta carcaça de melhor qualidade.

Grãos – O setor de grãos, que registrou um crescimento de 0,97% e cuja maior produção (77,81%) sai da região oeste, dá pistas de que continuará em expansão. "A última safra de verão teve aumentos de produtividade", informou Carvalhal, mas os grãos da Bahia sofreram uma diminuição da área plantada por causa da seca. Um exemplo foi o feijão na região de Irecê, que é cultivado em regime de sequeiro e cujo cultivo não foi possível em 90 mil hectares, mas houve um ganho de produtividade de 40,18%.

SOJA – Com o Programa Estratégico de Manejo da Ferrugem Asiática da Soja no Oeste da Bahia, que reúne órgãos públicos, empresas privadas e associação de classe, a sojicultura voltou à produção plena no estado a partir do ano passado. Em 2004, a Bahia obteve uma colheita recorde, com um crescimento de 42,5% no volume produzido do grão, a despeito da redução da área plantada, de 3,41%. Para este ano, a projeção é de uma expansão da safra total de 2,36 milhões de toneladas (2004) para 2,5 milhões.

A mamona, com forte presença em Irecê, registrou uma produtividade 35,35% melhor. Visando o fornecimento de matéria-prima para o biodiesel, este ano foi experimentado no oeste o plantio da oleaginosa em 5 mil hectares, em regime industrial. A Bahia responde por 80% do total da mamona do país. Há ainda a expectativa do girassol, outra matéria-prima para o biodiesel, ser testado na região.

Carvalhal explicou que outra política adotada pelo Estado é a redução da carga fiscal, a partir do acompanhamento de cada atividade. Foi o caso do milho, com área plantada diminuída, devido à concorrência de Mato Grosso e Goiás, que tiveram incentivos de programas federais. Ao lado da negociação com a União para incluir a Bahia nesses incentivos, houve uma redução da pauta fiscal estadual para o milho, anunciada em junho, para estimular o produtor a voltar a retomar o fôlego do plantio.