PUBLICIDADE
cremer cremer
Negócio

Preço do diesel deve se manter em alta em 2022


Valor Econômico - 17 ago 2022 - 08:47

Os preços do diesel podem voltar a subir até o fim deste ano, segundo especialistas. A diferença entre as cotações do petróleo cru e dos derivados, conhecida pela expressão em inglês “crack spread”, cresceu em 2022, o que levou a um aumento dos preços dos combustíveis aos consumidores finais.

O cenário é um reflexo da guerra na Ucrânia, que restringiu as exportações russas, combinada com a redução da capacidade de refino global e com o aumento da demanda depois das restrições mais severas para combater a pandemia.

Para o gerente de preços do petróleo e perspectivas regionais da S&P Global Commodity Insights, Lenny Rodriguez, no caso do diesel, o “crack spread” pode voltar ainda em 2022 ao patamar de US$ 70 por barril, nível alcançado no primeiro semestre do ano. No momento, essa cotação está próxima aos US$ 35 por barril.

“Esses valores vão seguir relativamente altos provavelmente até o próximo ano. Os estoques em todas as regiões importantes, como Estados Unidos, Cingapura e Amsterdã, estão muito baixos”, disse Rodriguez.

Segundo o especialista, esse cenário levou a um aumento das margens no setor de refino, o que pode seguir pelos próximos três anos. Como consequência, a S&P Global estima que os investimentos em refino vão crescer. A previsão é que, entre 2021 e 2025, a capacidade global de refino tenha uma adição de 3,1 milhões de barris por dia de processamento.

Em apresentação ontem no Rio, Rodriguez mostrou que nesse cenário o nível de utilização das refinarias brasileiras está alto. Segundo ele, o consumo de diesel no Brasil está “resiliente”.

“Existe estímulo para produzir o máximo possível [nas refinarias brasileiras], dado o alto custo das importações e o crescimento da demanda”, afirmou.

Essas variáveis, no entanto, podem não ser suficientes para atrair investimentos para o refino brasileiro. O estrategista de downstream (refino) da consultoria para a América Latina, Felipe Perez, afirmou que cerca de metade dos custos operacionais de uma refinaria corresponde aos custos de energia, o que reduz a competitividade desses investimentos no Brasil, por exemplo.

Por causa dos baixos investimentos nesse setor nos últimos anos, a dependência brasileira das exportações aumentou. Atualmente, o país depende de importações para atender de 20% a 30% da demanda nacional por diesel, segundo Rodriguez.

Perez disse que, a longo prazo, com a transição energética, as margens de refino devem voltar a cair. “As margens do refino vão ficar cada vez mais apertadas e isso faz com que a janela de oportunidade para o refino no Brasil fique cada vez mais estreita”, disse.

Gabriela Ruddy – Valor Econômico