PUBLICIDADE
padrao padrao
Negócio

Petróleo sobe mais de 2% EUA mercado cético sobre acordo entre EUA e Irã


Exame - 22 mai 2026 - 10:16

O mercado de petróleo voltou a operar em alta nesta sexta-feira, 22, com investidores recalibrando expectativas sobre um possível acordo de paz entre Estados Unidos e Irã. O conflito iniciou em 28 de fevereiro.

Por volta das 6h45, o Brent para julho subia 2,83%, para US$ 105,48 por barril. O West Texas Intermediate (WTI), referência do petróleo estadunidense, avançava 2,34%, para US$ 98,60.

Após a sessão anterior com queda de 2%, os preços reagiram em meio à percepção de que ainda existem grades obstáculos nas negociações sobre o programa nuclear iraniano e a retomada do fluxo energético no Oriente Médio.

A recuperação ocorre depois de um pregão marcado por perdas próximas de 2% para Brent e WTI. Os dois contratos, porém, seguem mais de 40% acima dos níveis registrados antes do início das tensões, segundo a CNBC.

Na quinta-feira, 21, o líder supremo do Irã, Aiatolá Mojtaba Khamenei, proibiu o envio de urânio enriquecido para o exterior, impactando também a volatilidade do mercado.

Estreito de Ormuz é principal foco do mercado

O principal foco do mercado continua sendo o Estreito de Ormuz, corredor marítimo por onde passa 20% da oferta global de petróleo e gás natural liquefeito (GNL). O tráfego na região foi afetado após o Irã fechar o canal.

A Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês) alertou que o mercado pode entrar em uma "zona vermelha" nas próximas semanas, diante da combinação entre redução dos estoques e aumento da demanda por viagens.

O CEO da agência, Fatih Birol, vê que a reabertura plena e incondicional do Estreito de Ormuz seria a medida mais importante para aliviar o choque energético provocado pela guerra.

Além da questão nuclear, persistem divergências relacionadas às condições de navegação e aos pedágios em Ormuz. E, na visão do especialista, países emergentes da Ásia e da África devem sentir "o maior impacto desta crise."

Negociações diplomáticas cercadas de incertezas

Enquanto isso, as negociações diplomáticas seguem cercadas de incertezas. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta semana que Washington estaria nos "estágios finais" de um acordo com Teerã.

Em relatório divulgado hoje, estrategistas do ING afirmaram que o mercado continua procurando sinais concretos de avanço nas negociações, mas destacaram que muitos investidores ainda demonstram cautela.

O MUFG também afirmou que executivos do setor energético avaliam que a normalização total do fornecimento de petróleo no Oriente Médio pode levar até 2027, diante da dimensão das interrupções, conforme a CNBC.

Ana Luiza Serrão – Exame