Brasil será autossuficiente em refino do diesel até 2030, diz Petrobras
A Petrobras espera alcançar autossuficiência na produção de diesel no Brasil até o ano de 2030. A estratégia é expandir o parque de refino nacional a fim de suprir integralmente a demanda interna por meio de projetos de ampliação.
O novo plano de negócios até 2030 prevê atingir a autossuficiência em diesel, afirmou a presidente da estatal. "Começamos a discutir essa autossuficiência em diesel e percebemos que poderia ser possível atingir até 2030. Essa foi uma discussão grande com o setor de refino, mas totalmente dentro do nosso plano de fomento do refino brasileiro e da garantia da segurança energética do nosso país", afirmou Magda Chambriard em coletiva de imprensa. O Brasil importa cerca de 25% a 30% do que consome desse combustível.
O planejamento estratégico prevê a ampliação da produção para até 330 mil barris por dia de diesel S10 até 2030. "Graças a ampliações, vamos chegar a 330 mil [barris/dia] em quatro ou cinco anos, e atingir a autossuficiência do diesel", afirmou William França, diretor executivo de processos industriais e produtos.
Atualmente, as refinarias da petroleira vêm "operando em carga máxima", de acordo com a presidente. "A utilização no parque de refino é o maior nível operacional desde dezembro de 2014", afirmou Chambriard. "Em abril e maio estamos com fator de utilização acima de 100%."
A operação acima de 100% é explicada pela diferença entre a capacidade instalada e a de referência. "Todas as nossas refinarias têm, aprovada pela ANP [Agência Nacional de Petróleo], capacidade acima da instalada e de referência", afirmou Silva. "Nossa carga processada pode ser um pouco maior que as duas capacidades." O plano atual previa elevar a capacidade da Petrobras para atender 85% da demanda local por diesel até 2030.
Produção de gasolina também será ampliada. Segundo a presidente da Petrobras, "a reboque do diesel vem a gasolina". Ela disse que a companhia está se preparando para atender também toda a demanda nacional do produto. O Brasil importa cerca de 10% desse combustível, mas as compras do exterior aumentaram neste ano. Em março, os desembarques cresceram 194%, a 335,6 milhões de litros.
A presidente prevê aumento da gasolina em breve. "Quando estamos observando aumento do preço da gasolina, fazemos isso frente ao preço do etanol no mercado brasileiro nos últimos pouco mais de 15 dias. E nós tivemos um preço do etanol baixando bastante no mercado brasileiro. Ele é competidor, sim, do nosso mercado. Então, nós estamos agora tratando desse aumento de gasolina, mas sempre de olho no nosso market share e na evolução do mercado do etanol", afirmou Magda Chambriard mais cedo.
Etanol é prioridade
Chambriard também afirmou que a prioridade no programa da estatal para transição energética é o etanol. "Apesar dos investimentos em [energia] eólica e solar, temos uma logística instalada que fala da possibilidade do etanol, biodiesel e combustíveis coprocessados com óleo vegetal. Estamos tratando o portfólio nessa direção", declarou a presidente.
Em exploração, a Petrobras espera concluir em breve a perfuração na Margem Equatorial. O poço Morpho é um dos cinco mais profundos da história da empresa, com cerca de 6.000 metros. "Estamos perto de 5.000 metros", afirmou Silvia Anjos, diretora executiva de exploração e produção. "Faltam ainda mais uns 1.000 metros para chegar ao reservatório, estamos na quinta da sexta fase."
A perfuração do poço Morpho foi retomada em março, após interrupção em janeiro por vazamento de fluido. A conclusão está prevista para meados de 2026.
A Margem Equatorial é classificada como uma área de altíssima sensibilidade biológica. O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) tem negado ou dificultado licenças para perfuração (especialmente na bacia da Foz do Amazonas) devido aos riscos para a biodiversidade, corais e manguezais, além da distância da costa dificultar a execução de planos de emergência em caso de desastre ambiental.
Lucro de R$ 32 bi
Ontem, a Petrobras informou que lucrou R$ 32,6 bilhões no primeiro trimestre de 2026. O ganho foi 7,2% menor que o apurado no mesmo período do ano passado (R$ 35,2 bilhões). Analistas esperavam ganhos em torno de R$ 29 bilhões.
Resultado financeiro ajudou a sustentar o desempenho do trimestre. A Petrobras informou resultado positivo de R$ 7,86 bilhões, beneficiado pela valorização do real frente ao dólar no fim do período, com efeito sobre dívidas entre a empresa e subsidiárias no exterior.
Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado foi de R$ 59,6 bilhões no trimestre. O resultado ficou 2,4% abaixo do registrado no primeiro trimestre do ano passado e 1% menor em relação ao quarto trimestre de 2025.
Já o resultado financeiro da estatal foi de R$ 1,75 bilhão. Houve alta de 1,2% em relação ao primeiro trimestre de 2025 e queda de 24,9% na comparação com o último trimestre do ano passado.
Wanderley Preite Sobrinho – UOL


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