Petróleo sobe 3% com risco de bloqueio naval prolongado ao Irã
Os preços do petróleo sobem mais de 3% diante de relatos de que os Estados Unidos se preparam para um bloqueio naval prolongado ao Irã, enquanto as tentativas de retomar negociações parecem ter estagnado. Investidores avaliam ainda a notícia de que os Emirados Árabes Unidos deixarão a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) a partir de primeiro de maio.
Por volta das 7h30 (de Brasília), na Intercontinental Exchange (ICE), o petróleo Brent para entrega em junho subia 3,07% a US$ 114,68 por barril, após fechar ontem em seu maior nível em quase um mês. Já na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para junho ganhava 3,69% a US$ 103,62. O WTI acumula ganhos de mais de 49% desde o início da guerra.
O The Wall Street Journal noticiou que Trump instruiu seus assessores a se prepararem para um bloqueio prolongado ao Irã, buscando intensificar a pressão sobre a economia e as exportações de petróleo do país, impedindo a entrada e saída de mercadorias de seus portos. Trump também ameaçou o Irã nas redes sociais, dizendo que o país “precisa se ligar logo!” e acusando a liderança de Teerã de não “se organizar”.
“No curto prazo, o principal fator determinante dos preços do petróleo continua sendo os acontecimentos no Golfo Pérsico e o momento da retomada do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz”, dizem os estrategistas de commodities do ING, Warren Patterson e Ewa Manthey, em nota.
Sem sinais de uma retomada iminente do fluxo de petróleo, o ING revisou para cima suas projeções para o restante do ano, e agora vê Brent com uma média de US$ 104 por barril no segundo trimestre de 2026 e de US$ 92 por barril no quarto trimestre de 2026.
Os estrategistas do ING dizem ainda que a saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep reduzirá a eficácia do grupo em gerenciar e influenciar o mercado global de petróleo por meio de medidas de oferta e que o momento da saída foi bem planejado. “Anunciar a saída durante um período de significativa interrupção no fornecimento limita o impacto no mercado. Se o anúncio tivesse sido feito em outro momento, provavelmente teríamos visto uma pressão de baixa maior sobre os preços do petróleo.”



