Guerra do Irã faz preços do metanol dispararem
BiodieselBR.com
É a tempestade perfeita. Por mais que a expressão esteja desgastada depois anos de abuso, ela se encaixa como uma luva à situação atual do mercado de metanol. De um mês para cá, a capacidade de oferta do produto encolheu, a logística de distribuição se complicou, e o custo do gás natural – sua principal matéria-prima – disparou. E tudo isso, ao mesmo tempo em que a demanda pelo produto aumentou.
O resultado dessa situação se tornou dramaticamente óbvio nos últimos dias quando as duas maiores fornecedoras do produto para o Brasil – a Methanex e a Valenz – atualizaram os preços de referência que servirão como base para as negociações do insumo ao longo mês de abril. Ambas reajustaram seus preços em mais de 30% de uma só vez. Isso fez com que o preço médio da tonelada atingisse inéditos R$ 1.250,3.
Foi a primeira vez na história em que os preços do metanol superam a marca dos mil reais.
O golpe ainda deve demorar um pouco para ser devidamente sentido pelas usinas. O modelo de comercialização de biodiesel vigente no Brasil incentiva os fabricantes a operarem em ciclos bimestrais. Isso quer dizer que a maioria das empresas ainda está usando o metanol que negociou antes dos últimos reajustes. Também é verdade que nenhum comprador de grande porte que se preze paga o valor cheio – a prática do mercado é oferecer descontos generosos. Mas a tendência é clara: os preços que, desde a virada do ano, já vinham subindo rapidamente devem acentuar sua escalada.
Há mais de uma razão para essa aceleração. Mas a principal delas é a guerra no Irã.