Nota técnica elaborada pela EPE projeta os impactos da Covid-19 sobre o mercado de combustíveis
O mercado brasileiro de diesel ainda vai sentir os efeitos do coronavírus durante um bom tempo. De acordo com uma nota técnica publicada esta semana pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) – braço do Ministério de Minas e Energia responsável produzir informações sobre o respeito do setor energético – o consumo do derivado não deverá voltar a apresentar crescimento antes de 2022.
E essa é a melhor das hipóteses. Na pior delas, chegaremos ao final de 2022 com uma demanda cerca de 1,7% inferior à do ano passado quando a ANP contabilizou a venda de um pouco menos 57,3 bilhões de litros de diesel no País. No cenário central elaborado pelos técnicos da estatal, o mercado vai passar os próximos dois anos numa corrida de recuperação apensar para voltar praticamente ao mesmo nível em que estava em 2019.
O mercado brasileiro de diesel ainda vai sentir os efeitos do coronavírus durante um bom tempo. De acordo com uma nota técnica publicada esta semana pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) – braço do Ministério de Minas e Energia responsável produzir informações sobre o respeito do setor energético – o consumo do derivado não deverá voltar a apresentar crescimento antes de 2022.
E essa é a melhor das hipóteses. Na pior delas, chegaremos ao final de 2022 com uma demanda cerca de 1,7% inferior à do ano passado quando a ANP contabilizou a venda de um pouco menos 57,3 bilhões de litros de diesel no País. No cenário central elaborado pelos técnicos da estatal, o mercado vai passar os próximos dois anos numa corrida de recuperação apensar para voltar praticamente ao mesmo nível em que estava em 2019.
A severidade do impacto final vai depender de quanto tempo mais vão durar as medidas de isolamento social adotadas para conter a pandemia – a nota estima que elas poderão durar entre três e sete meses – e das mudanças nos hábitos da população derivadas do período de isolamento, entre as quais o aumento do teletrabalho, do ensino a distância e do comércio virtual.
Em todos os casos elaborados pela EPE, o ano de 2020 deve fechar com uma contração na demanda. A única dúvida é qual será o tamanho do tombo. Nos três cenários traçados, a queda fica entre 2,4% até 7,7% o que pode fazer de 2020 o pior ano para o mercado nacional de diesel desde 2016 quando as vendas encolheram 5,1%.
A contração, contudo, deverá ficar restrita a este ano. Em 2021, o mercado deve rever o movimento de queda e inicia sua recuperação. No melhor dos cenários, o país encerra o ano que vem de volta ao ponto em que estava no final de 2019.
Segundo golpe
Esse seria o segundo golpe sério que o mercado leva em pouco tempo.
Até hoje, passados mais de cinco anos, as vendas de diesel ainda não voltaram aos patamares anteriores aos da crise aguda que se abateu sobre a economia brasileira no biênio 2015/2016. Em 2014, o Brasil havia ultrapassado a marca de 60 bilhões de litros de diesel consumidos – volume que nunca mais voltou a ser atingido.
Biodiesel
Apesar dos números pouco favoráveis no mercado de diesel, o setor de biodiesel deverá sofrer relativamente menos graças blindagem concedida pela Resolução 16/2018 do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) que determina o aumento gradual da política de mistura obrigatória até que todo o diesel consumido no país passe a conter pelo menos 15% de combustível renovável a partir de março de 2023.
Pelas contas da EPE, mesmo com as vendas de diesel em queda este ano, o consumo de biodiesel deverá crescer pelo menos 6,8%. As projeções até 2022 mostram que o mercado deverá demandar entre 8,1 e 7,8 bilhões de litros de combustíveis renováveis.
Antes da pandemia, a estimativa da BiodieselBR.com era que o mercado de biodiesel chegaria em 2022 movimentando um pouco mais que 8,6 bilhões de litros.
Importações
Apesar do tombo na demanda, o Brasil deverá continuar a importar grandes volumes de diesel para continuar devidamente abastecido.
Segundo a EPE, até 12 bilhões de litros em diesel importado poderão desembarcar no Brasil ainda este ano caso a queda na demanda interna seja relativamente suave.
No longo prazo, contudo, da dependência externa vai cair até o final de 2021 se estabilizando no último ano das projeções. Em 2022, as importações deverão girar entre 7,7 e 10 bilhões de litros.
Uma cópia do documento elaborado pela EPE pode ser acessada clicando aqui.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com