Negócio

EPE publica relatório sobre biocombustíveis, mas erra ao falar de biodiesel


BiodieselBR.com - 02 jun 2015 - 09:06

Na quinta-feira passada (28), a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) tornou pública a sexta edição do relatório Análise de Conjuntura dos Biocombustíveis. O documento faz uma retrospectiva dos fatos e dos números mais relevantes na evolução dos mercados de biodiesel, etanol e bioeletricidade para o ano de 2014.

Para quem acompanha o mercado diariamente, o documento não chega a trazer novidades. Ele informa, por exemplo, que o consumo de biodiesel em 2014 foi de 3,4 bilhões de litros – crescimento de 16,7% em relação à 2014 – fato que já era de conhecimento do mercado desde fevereiro.

Como o documento aponta, esse bom crescimento é – em grande medida – derivado do aumento da mistura obrigatória implementado com a Medida Provisória 647/2014 – convertida pelo Congresso na Lei 13.033/2014 – que implementou o B6 a partir de julho passado e o B7 em novembro.

Desse volume 42,9% vieram de usinas localizadas no Centro-Oeste praticamente 40% veio de usinas da Região Sul.

A EPE também ressalta que, ao longo do segundo semestre de 2014 houve uma recomposição dos preços médios praticados pelo biodiesel nos leilões da ANP. No L37, o m³ do biocombustível foi vendido, em média, por R$ 1.884,20, mas no L40 o valor ficou em R$ 2.194 – 16,5% de elevação. “Isso contraria a expectativa de que a produção de soja em alta poderia manter os preços do biodiesel em patamares mais baixos”, ressalta a EPE sem parecer levar em conta que, da metade do ano em diante, entramos no período da entressafra da soja. Contudo os preços de biodiesel apresentados em 2014 pela EPE não contam com a margem do adquirente, enquanto os de 2013 incluem o valor, o que tornar imprecisa a comparação. Além disso é incluído o preço do L40, que comprou biodiesel para 2015 e não 2014.

Falando em soja, o relatório distribui o mix de matérias-primas do biodiesel no ano passado da seguinte forma: 74,7% óleo de soja, 20,4% sebo bovino, 2,3% óleo de algodão e 2,7% outras matérias-primas. Em larga medida – e em que pesem as falhas na informação da ANP sobre matérias-primas –, isso confirma as contas de BiodieselBR.com.

Há também informações sobre a exportação de glicerina que bruta que teria encerrado 2014 com embarques de 211 mil toneladas e faturamento de US$ 60 milhões. Além disso, a EPE também ressalta o crescimento as exportações de glicerina refinada que atingiram 30 mil toneladas e US$ 16,3 milhões. São dados que estão em linha com os divulgados por BiodieselBR.com].

Por fim, o relatório das as importações de metanol que encerraram 2014 perto das 900 mil toneladas ao custo de US$ 400 milhões.

Gafes

O relatório, aliás, contém algumas gafes no que diz respeito à informação sobre o biodiesel. Ele, por exemplo, troca as bolas ao dizer que o “volume arrematado no 40º certame não garantiu o atendimento da demanda e foi necessário um leilão complementar”, o que, na verdade, aconteceu depois do decepcionante resultado do Leilão 39.

Em todo o relatório o Leilão 40 é apontado como um leilão que comprou biodiesel para 2014, quando na verdade ele comprou para o 1º bimestre de 2015.

Outro dado incorreto diz respeito à capacidade instalada no país. Embora, em 2014, ela tenha caído pela primeira vez desde o lançamento do PNPB – de 7,82 bilhões de litros no final de 2013 para 7,62 bilhões no final de 2014. O texto da EPE afirma que teria havia um aumento de 2,9%

A relatório da EPE pode ser baixado na íntegra clicando aqui.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com

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