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Negócio

Donos de postos dizem receber metade do diesel solicitado às distribuidoras em Ribeirão Preto


G1 - 24 mar 2022 - 09:29

Donos de postos de combustíveis em Ribeirão Preto (SP) afirmam que têm recebido metade da quantidade de diesel comprada das distribuidoras desde o início de março.

Há duas semanas, a Ipiranga enviou um comunicado à rede de revendedores sobre mudanças na venda do produto diante da importação do suprimento e da disparada do preço do petróleo.

“A partir de hoje (8/3/22), para diesel, os pedidos do dia para o mesmo dia e a antecipação de pedidos serão submetidos à análise antes da liberação. Reforçamos que já estamos priorizando o atendimento dos pedidos da rede de revendedores Ipiranga e clientes empresariais com contrato em todo o Brasil e que, para os postos Ipiranga que colocarem pedidos dentro da habitualidade de compra, trabalharemos de forma diligente para manter a normalidade do fornecimento”, diz o comunicado.

Procurada nesta quarta-feira (23), a empresa informou que está ciente do cenário de suprimentos amplamente divulgado pela mídia e que trabalha para manter a regularidade do abastecimento.

Risco de desabastecimento

De acordo com o presidente do Sindicato Nacional das Distribuidoras de Combustíveis, Valdemar de Bortoli Júnior, o problema está na baixa capacidade de refino da Petrobras. Ele afirma que há um risco de desabastecimento no país.

O Brasil produz mais petróleo do que consome e se declara autossuficiente. Porém, devido ao tipo de petróleo extraído e a insuficiência na capacidade de refino, ainda precisa importar tanto petróleo cru quanto derivados como a gasolina.

“As refinarias da Petrobras não conseguem atender a capacidade de refino que a demanda exige no mercado, e realmente vai acontecer um desabastecimento. [Tenho] estoque para dois dias no máximo. Até as distribuidoras também estão recebendo cotas reduzidas da Petrobras. Então, a curto prazo, está problemática a situação”, diz o presidente do sindicato das distribuidoras.

Por causa da guerra na Ucrânia, o cenário do abastecimento fica ainda mais incerto. A Rússia, alvo de sanções econômicas, é o terceiro maior produtor de petróleo do mundo, atrás apenas dos EUA e da Arábia Saudita.

Segundo Bortoli, o risco de desabastecimento também existe para a gasolina, de novo por causa da deficiência de refino da Petrobras.

“As distribuidoras estão recebendo menos da metade do que vinham recebendo nos seus pedidos. O problema é o refino, a demanda sempre crescente. Após a pandemia, ela {demanda] está muito acelerada, e a Petrobras não fez investimento nas refinarias e elas não conseguem refinar o petróleo para atender o consumo interno.”

Procurada pelo g1, a Petrobras informou que está cumprindo integralmente suas obrigações contratuais junto às distribuidoras.

“Destaca-se, ainda, que atualmente o mercado brasileiro é atendido por diversos atores além da Petrobras (distribuidoras, importadores, refinadores, formuladores), que produzem e importam derivados com frequência e têm plena capacidade de atender demandas adicionais.”