Biocombustível de bactérias modificadas ainda não atendem expectativas
Utilizando da engenharia genética os cientistas acreditam que será possível utilizar bactérias e leveduras para produzir biocombustíveis de segunda geração.
BiodieselBR.com ··4 min de leitura
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Tendo ainda muito que evoluir, a indústria de energias renováveis vive em grande parte em função do seu potencial. Com poucas inovações revolucionárias nas últimas décadas, o que move o setor são as ideias sobre o que é possível fazer.
A biologia sintética é um ótimo exemplo disso. Utilizando os princípios da engenharia genética avançada e mudando radicalmente a maneira como os organismos funcionam, os cientistas acreditam que é possível utilizar bactérias e leveduras para produzir biocombustível, biodiesel e combustíveis hidrocarbonetos de forma eficiente. Esses combustíveis sintéticos seriam praticamente idênticos à gasolina, ao diesel e à querosene de aviação que pretendem substituir, com um impacto ambiental mínimo.
Tendo ainda muito que evoluir, a indústria de energias renováveis vive em grande parte em função do seu potencial. Com poucas inovações revolucionárias nas últimas décadas, o que move o setor são as ideias sobre o que é possível fazer.
A biologia sintética é um ótimo exemplo disso. Utilizando os princípios da engenharia genética avançada e mudando radicalmente a maneira como os organismos funcionam, os cientistas acreditam que é possível utilizar bactérias e leveduras para produzir biocombustível, biodiesel e combustíveis hidrocarbonetos de forma eficiente. Esses combustíveis sintéticos seriam praticamente idênticos à gasolina, ao diesel e à querosene de aviação que pretendem substituir, com um impacto ambiental mínimo.
Uma ideia revolucionária, sem dúvida, mas que infelizmente não se concretizou do modo como planejaram os investidores, capitalistas de risco e empresas envolvidos na criação da tecnologia. Antiga luminar da causa, a LS9, companhia com cientistas de alto gabarito financiada pelos melhores e mais brilhantes capitalistas de risco do Vale do Silício, acabou de vender para o Renewable Energy Group, a preço de ocasião, o que restava do seu patrimônio.
Incapaz de transformar suas teorias e slogans para atração de investimentos em retorno financeiro real, a empresa não sobreviveu ao lúgubre cenário econômico dos renováveis. Dizendo-o claramente, não conseguiu competir com os combustíveis tradicionais no quesito preço.
Isso é resultado direto do maior desafio que as firmas de energia limpa precisam superar se quiserem seguir em frente: as economias de escala. A LS9 não foi capaz de aumentar sua escala de operações com eficiência de custos, o que a condenou a uma terra-de-ninguém financeira onde o lucro é quase impossível.
Os custos de pesquisa e desenvolvimento são simplesmente altos demais para que as empresas de biologia sintética ofereçam mesmo um pequeno retorno de investimento. Elas podem até provar a viabilidade de seu produto em pequena escala, mas o ingresso num mercado maior provou-se impraticável devido a altos custos de capital, margens baixas e um preço de venda pouco atrativo aos consumidores. Simplesmente não há como se sustentar.
Jay Keasling, cofundador da LS9 e atual CEO do Joint BioEnergy Institute, do Departamento de Energia dos EUA, reconhece que o avanço dessas empresas foi mais lento do que esperavam os investidores. E adverte contra a expectativa de que a bioenergia possa oferecer preços mais baixos que os combustíveis fósseis num futuro próximo. Segundo ele, a fabricação de combustíveis a custos competitivos usando micróbios geneticamente modificados requer avanços tanto científicos como de engenharia. “Jamais teremos biocombustíveis competindo com o barril de petróleo a US$ 20 – ponto final”, diz o executivo. “O que eu espero é termos biocombustíveis competitivos com o barril de petróleo a US$ 100.”
Keasling afirma que são necessárias novas técnicas para acelerar o processo de manipulação de organismos geradores de combustível. Se os engenheiros pudessem isolar traços genéticos desejados e prever de que forma uma combinação de alterações na via metabólica afeta determinado microrganismo, projetar células seria muito mais rápido. “Precisamos ser tão bons em engenharia biológica quanto somos em engenharia microeletrônica.”
Discutir e acompanhar os avanços em energia renovável é muito bom, mas enquanto não for possível torná-la um negócio viável e aumentar a escala para competir com o petróleo, situações como a da LS9 continuarão a ocorrer, atrasando o progresso necessário. Uma vez alcançada a escalabilidade, porém, o céu é o limite.
Danny Harper – The Green Optimistic Tradução e adaptação BiodieselBR.com