Diesel renovável

Clima extremo, biocombustíveis e a corrida pelo óleo vegetal


EPBR - 11 jun 2021 - 11:24

O alerta dado pela Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês) nesta quarta (8), que a corrida para atingir as metas do clima é uma corrida contra o tempo, fica cada dia mais claro.

Quebras de safra ameaçam a produção e a viabilidade econômica dos biocombustíveis. Crises hídricas impactam a geração hidrelétrica de energia e motivam acionamento de térmicas a combustíveis fósseis, para citar alguns exemplos.

Uma das alternativas para substituir os fósseis, a produção de biocombustíveis e biomassa está fortemente atrelada a condições climáticas que afetam a safra, os preços e, por fim, a viabilidade econômica do uso.

Nos Estados Unidos, a agenda verde de Joe Biden está incentivando as maiores tradings de commodities agrícolas do mundo se prepararem para o boom do setor de diesel renovável.

Mas a combinação de planos de aumento na produção de combustíveis renováveis nos Estados Unidos e Europa – especialmente o diesel verde – com a queda no fornecimento de óleo de palma da Malásia e Indonésia por conta de inundações que prejudicaram a safra, está elevando a demanda pelo óleo de soja e a matéria-privma já registra o maior valor histórico na bolsa de Chicago.

A soja destinada aos tanques de combustível está tendo um desempenho três vezes maior do que a usada para alimentação.

Os preços do óleo de soja registram alta de 66% no ano. A soja em grão — matéria-prima utilizada mais para a fabricação de óleo e ração animal do que propriamente para alimentação humana — já subiu 20% desde o início de janeiro.

A demanda global aquecida por óleos vegetais, aliada à expectativa de restrição de oferta de óleo de soja nos próximos anos, tem mantido o mercado futuro em níveis históricos.

Exemplos de projetos nos EUA
- Cargill decidiu investir US$ 475 milhões para aumentar a capacidade de processamento de soja, essencial para a produção do óleo usado no diesel renovável;
- Archer-Daniels-Midland e Bunge trabalham para tornar as usinas mais eficientes, e a Andersons planeja uma mesa para negociar matérias-primas para o combustível verde;
- As tradings miram o crescimento do mercado quando refinarias americanas, como Phillips 66, Marathon Petroleum, HollyFrontier e Valero Energy, apostam na onda do diesel verde;

No Brasil, cerca de 70% do biodiesel é produzido a partir de óleo de soja. O país é o maior produtor e exportador da oleaginosa, mas o avanço no preço do óleo fez o governo recuar na política pública para o biocombustível.

Com o corte no percentual de mistura de biodiesel ao diesel fóssil nos meses de maio a agosto determinado pelo governo, a estimativa é que 1,14 milhão de toneladas de CO2 a mais sejam lançadas na atmosfera, calcula a Ubrabio (associação do setor de biodiesel).

O efeito da mudança do clima também chegou à produção de matéria-prima para o etanol brasileiro.

O início da safra de cana 2021/2022 registrou uma piora na qualidade da matéria-prima, consequência de chuvas abaixo da média histórica que prejudicaram o desenvolvimento na lavoura.

De acordo com o último Índice de Preços Ticket Log (IPTL) divulgado na segunda (7), os preços do etanol subiram 50,4% nos últimos 12 meses.

Nayara Machado – EPBR