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Diesel renovável

Bunge e Solazyme anunciam parceria para fabricar óleo da cana


Folha Online - 04 abr 2012 - 09:02
cana-solazyme
A holandesa Bunge e a norte-america Solazyme anunciaram na manhã desta terça-feira, em Washington, nos Estados Unidos, a formação da joint venture para a produção anual de 100 mil toneladas de óleo renovável a partir da cana-de-açúcar. A aliança vai operar sob o nome de Solazyme Bunge Produtos Renováveis.

Os detalhes financeiros do acordo não foram revelados, mas em fevereiro a Folha publicou que o investimento seria feito em uma usina da Bunge que fica em Orindiúva (524 km de SP), com investimento de cerca de R$ 200 milhões. Ela entrará em operação só no ano que vem.

A Solazyme domina uma tecnologia que usa algas para transformar açúcares, presentes na cana, em óleos variados. Esses óleos entram na composição da fabricação de plásticos, especialidades químicas, cosméticos, produtos de limpeza, de higiene, de beleza e alimentos.

Em fevereiro, a Folha informou que os canaviais brasileiros estão despertando o interesse de gigantes setor sucroalcooleiro, em busca da matéria-prima para fazer novos produtos a partir da cana, além do etanol e do açúcar.

Na época, Walfredo Linhares, gerente da Solazyme no Brasil, disse que com essa joint venture as empresas vão entrar inicialmente no mercado químico para, depois, fornecer produto para a indústria de alimentos e lubrificantes.

Segundo a Solazyme, este tipo de óleo é um produto escasso e tem bom preço no mercado. Uma tonelada de óleo chega a remunerar quase três vezes mais do que a mesma tonelada de açúcar, segundo Linhares.

Após o anúncio da joint venture, a Solazyme informou que não iria se pronunciar. A Bunge Brasil ainda não se posicionou.

Com um mercado de combustíveis instável, com preços de etanol sendo regulados pelo mercado enquanto a gasolina é subsidiada pelo governo federal, as empresas sucroalcooleiras buscam alternativas para equilibrar as contas. Ter maior variedade de produtos a partir de uma mesma matéria-prima é uma delas. Resta equilibrar o fornecimento de cana-de-açúcar para a produção de etanol anidro e combustível, para não desabastecer o mercado. 

ELIDA OLIVEIRA