Diesel renovável

Bosch estuda investimentos em tecnologia para uso de HVO


Diário do Transporte - 03 dez 2019 - 10:18

A Bosch está de olho no uso do óleo vegetal hidrotratado (HVO), um novo substituto renovável para o óleo diesel, como alternativa para reduzir a poluição gerada pelos ônibus e caminhões. A multinacional estuda investimentos em soluções tecnológicas voltadas para este tipo de combustível.

A informação é do presidente da Bosch para a América Latina, Besaliel Botelho, em conversa com o Diário do Transporte na manhã desta segunda-feira (02). O executivo classificou o combustível, que ainda não é homologado no País, como oportunidade.

“Todas as alternativas de propulsão que o Brasil tem estão sendo pesquisadas, não somente pela Bosch, como por várias parcerias, inclusive algumas parcerias com governo e universidades. HVO sem dúvida é uma. É uma oportunidade interessante. É algo que é bastante promissor”, disse.

A entrevista ocorreu logo após o anúncio da Mercedes-Benz e da Bosch da construção, no campo de provas da produtora de ônibus e caminhões em Iracemápolis, interior de São Paulo, de um centro de testes veiculares, que deve custar R$ 70 milhões e ter as obras concluídas em 2021.

O HVO tem sido uma aposta da Mercedes-Benz e de empresas de ônibus, como as da capital paulista, onde uma lei municipal exige reduções de emissões com zero carbono até 2037.

No anúncio, na manhã desta segunda-feira, o presidente da Mercedes-Benz do Brasil e CEO América Latina, Philipp Schiemer, em resposta ao questionamento do Diário do Transporte, descartou em curto e médio prazos para o Brasil, ônibus elétricos da marca alemã, que na Europa já comercializa o modelo com baterias e-Citaro.

De acordo com o presidente da Bosch, a maior questão da escolha das alternativas ao diesel para ônibus e caminhões não é a tecnologia em si, mas a viabilidade econômica, em especial custos de infraestrutura para distribuição e abastecimento ou carregamento.

Besaliel Botelho disse ainda que além de desenvolver produtos voltados para o uso de combustíveis alternativos, como sistemas de ignição e de abastecimento, a Bosh está com vistas para a criação de tecnologia eletrônica, como softwares e sensores nos veículos, inclusive para o HVO.

O executivo comentou ainda que o melhor caminho para que ônibus e caminhões sejam menos poluentes está na diversificação de alternativas.

“Nós vamos ter várias soluções. O Brasil pode nessa corrida de redução de CO2 ter várias soluções. Uma solução talvez para o campo seja mais interessante do que uma solução para a cidade. Centros urbanos devem ter o elétrico ou o híbrido muito mais rapidamente que no campo. O país é enorme e temos de ter as soluções mais diversas na área de propulsão”, opinou.

HVO em três anos

O Diário do Transporte trouxe com exclusividade, em outubro de 2019, entrevista com o diretor geral de ônibus América Latina da Mercedes-Benz, Sérgio Magalhães, na qual o executivo disse que o HVO deve começar a ser comercializado no Brasil em até três anos após a regulamentação.

O executivo ainda falou que existe uma campanha por diversos agentes da indústria e da mobilidade urbana para mais esta opção.

“A partir do momento em que a gente conseguir uma regulamentação e a gente conseguir aprovação, em torno de dois a três anos a gente conseguiria ver esse biocombustível nos postos e nas garagens, em todos os nossos ônibus e caminhões. (…) Existe uma campanha que, não a Mercedes em si, mas associações em conjunto realizam. Estamos trabalhando forte com todas as entidades no sentido de viabilizar essa regulamentação e o uso do HVO no Brasil, usando isso como uma forma de promover empregos, virar um hub de exportação desse produto e assim a gente consegue melhorar bastante a condição climática do país.”

São Paulo

No Arena ANTP – Associação Nacional de Transportes Públicos, como mostrou o Diário do Transporte, em 24 de setembro de 2019, o presidente do SPURBANUSS, o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo, Francisco Christovam, disse que o HVO é uma oportunidade para a frota de ônibus da capital paulista.

“São 14 mil ônibus, que consomem 1,5 milhão de litros de óleo diesel por dia. E temos o compromisso, com os novos contratos assinados, de reduzir a emissão de CO2 em 50% em dez anos”, afirmou Francisco

A vantagem do HVO, segundo os defensores, é que é possível tornar um ônibus ou caminhão ecologicamente amigável, com reduções de emissões, sem fazer qualquer alteração nos motores, inclusive nos modelos mais antigos, de tecnologia anterior ao padrão atual brasileiro com base nas normas internacionais Euro V.

Porém, entre as dúvidas sobre o HVO estão os custos de produção, de venda e para o consumidor final, além do tempo para que o combustível ganhe escala. Questões que para as quais, não há ainda respostas definitivas.

Adamo Bazani – Diário do Transporte