Diesel renovável

Amyris foca em fábrica menor


O Estado de S. Paulo - 24 ago 2012 - 10:04 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53
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A empresa americana de biotecnologia Amyris decidiu redesenhar sua estratégia para produzir especiarias químicas com base na cana-de-açúcar no Brasil. Em um primeiro momento, a Amyris se apoiou em parcerias com grandes grupos sucroalcooleiros do País. Agora, a empresa decidiu se focar em plantas menores e concentrará seus esforços na Usina Paraíso, em Brotas, no interior de São Paulo.

A estratégia tem o objetivo de acelerar a produção de farneseno, uma molécula que pode ser transformada em vários produtos químicos utilizados pela indústria de higiene, limpeza e cosméticos, além de lubrificantes e combustíveis, a partir de sua mistura com fermentadores específicos produzidos pela empresa norte-americana.

A Amyris tem parcerias com empresas como São Martinho, Cosan, Guarani e ETH, e já iniciou a construção de uma fábrica, resultado de uma joint venture com a São Martinho, a SMA Indústria Química. A unidade deveria entrar em operação no segundo trimestre deste ano, mas sua inauguração foi adiada para depois que a Paraíso estiver operando, em meados de 2014.

"A decisão de focar esforços na Paraíso ajuda no sucesso do projeto na São Martinho, pois vamos ter mais experiência e confiança para operar uma planta de farneseno duas vezes maior", disse o presidente da empresa, Paulo Diniz.

Segundo ele, a planta na Usina Paraíso Bioenergia equivale a metade da unidade que está em construção na Usina São Martinho. Diniz afirma que, quando estiver em sua capacidade plena, a fábrica produzirá 50 milhões de litros de farneseno, o equivalente a 1 milhão de toneladas de cana-de-açúcar. A expectativa do presidente da Amyris é de que a unidade em construção na Usina Paraíso comece a operar no início de 2013.

O executivo informa também que a planta que está sendo construída em Pradópolis, ao lado da Usina São Martinho, está com cerca de 45% das obras completas. Essa unidade foi projetada para processar cerca de 2 milhões de toneladas de cana, que serão fornecidas pela São Martinho, produzindo quase 100 milhões de litros da especiaria química. A planta está avaliada em cerca de US$ 35 milhões.

Fontes do mercado acreditam que a mudança da estratégia da Amyris se deve à necessidade de obter rapidamente o farneseno em escala comercial para atender contratos já fechados.

Entre as empresas que teriam acordos de compra de farneseno com a Amyris estariam a Procter & Gamble, do setor de higiene e limpeza, a Soliance, de cosméticos, a Firmenich, de perfumes, o Gruppo Mossi & Ghisolfi, de polímeros e aditivos plásticos, além da Shell e Total, de petróleo. Diniz não confirma a informação, mas garante que a demanda atual segue bem maior que a oferta pelo farneseno.

Os recursos para a construção da planta de Brotas vêm de um financiamento que está sendo coordenado pelo Banco Pine, de R$ 52 milhões. Desse total, R$ 22 milhões vieram de linha de crédito subsidiada do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e, o restante, do Desenvolve SP, antigo Nossa Caixa de Desenvolvimento do Estado de São Paulo.

A taxa de juros do empréstimo é de 5,5% ao ano e o prazo é de 10 anos, sendo dois de carência e oito de amortização.

Eduardo Magossi