Diesel renovável

Amyris obtém aporte para fazer diesel de cana no Brasil


Agencia Estado - 01 ago 2012 - 09:31 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53
Amyris diesel-de-cana-010812
A empresa norte-americana de biotecnologia Amyris assinou nesta terça-feira um acordo que prevê um novo aporte de US$ 82 milhões da petroleira francesa Total para pesquisa e produção de uma especiaria química feita a partir de cana-de-açúcar que está sendo desenvolvida no Brasil, o farneseno.

Os recursos deverão ser aplicados nos próximos três anos para utilização do farneseno na produção de diesel e combustível para aviação renováveis. Do total dos recursos, US$ 30 milhões serão aplicados já no terceiro trimestre de 2012, com outras parcelas sendo aportadas em meados de 2013 e 2014.

A Total e a Amyris já são parceiras desde 2010 na produção de especiarias químicas e, pretendem, ao término do programa de pesquisa e desenvolvimento, criar uma joint venture para produzir e comercializar de forma exclusiva o diesel e o combustível renovável.

A joint também terá direitos não exclusivos para produção de outras especiarias feitas a partir de cana. O presidente da Amyris, John Melo, disse que, "além da produção de diesel e combustível de aviação, a parceria da Amyris com a Total cria uma plataforma global para o crescimento do negócios de combustíveis no futuro com a joint".

O farneseno, que terá o nome comercial de Biofene, é uma molécula que pode ser transformada em várias especialidades químicas, lubrificantes e combustíveis, a partir de sua mistura com fermentadores específicos produzidos pela empresa americana. Desde 2009, a Amyris tem investido em parcerias com o setor sucroenergético para a produção de especialidades químicas a partir da cana-de-açúcar. A maior parte dos investimentos começa a operar em 2013, com um atraso de um ano em relação à expectativa original, em função das perdas registradas em safras consecutivas de cana-de-açúcar no Brasil.

No Brasil, a Amyris tem parcerias com a São Martinho, Cosan, Paraíso Bionergia, Bunge, Guarani e Biomin. Com esta última, a produção é de 300 mil litros mensais ainda em escala de teste. No final de 2011, a empresa conseguiu um financiamento de R$ 22 milhões com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para construir a primeira planta em escala comercial na cidade de Piracicaba, no interior paulista, ao lado da Biomin.

A expectativa é de que a unidade que a Amyris está construindo no formato de uma joint venture com o Grupo São Martinho, a SMA Indústria Química S/A, opere também a partir de 2013. O acordo utilizará, inicialmente, um milhão de toneladas de cana-de-açúcar fornecidas pela Usina São Martinho, localizada no interior de São Paulo, para a produção do farneseno. A previsão é de uma produção de 92 milhões de litros no primeiro ano na unidade da São Martinho. Os investimentos na SMA somam US$ 35 milhões.

Na usina Paraíso Bioenergia, a expectativa é de que a nova empresa processe o caldo de até um milhão de toneladas de cana por ano. A nova unidade, que será construída pela Amyris ao lado da usina Paraíso, deve entrar em operação em 2013.

Diferentemente dos demais acordos, a Novvi, joint entre Amyris e Cosan, prevê, inicialmente, que ela obterá farneseno de outras instalações de produção da Amyris para a produção de óleos básicos, como a que será utilizada na linha de lubrificantes EvoShield.

Além do Brasil, a Amyris também produzirá o farneseno na Europa e nos Estados Unidos. A procura por essa especialidade química é grande e mesmo antes do início da produção em larga escala a Amyris já tem fechado contratos de venda de Biofene com empresas como a Procter & Gamble, do setor de higiene e limpeza, a Soliance, de cosméticos, a Firmenich, de perfumes, o Gruppo Mossi & Ghisolfi, de polímeros e aditivos plásticos, além da Shell e Total, de petróleo.
 
EDUARDO MAGOSSI