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[Vídeo] Prós e contras do pinhão-manso são discutidos no Paraná


. - 14 out 2011 - 07:19 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:18

Lavouras de pinhão-manso estão sendo implantadas no Paraná. Os agricultores estão comercializando a produção com uma indústria que fica no Estado. Por isso, Londrina, no Paraná, foi escolhida para sediar o segundo circuito nacional da cultura. Destinada à produção de biocombustível a oleaginosa ainda tem problemas de adaptabilidade ao clima frio. Mas os pesquisadores estão trabalhando no melhoramento genético da planta.

O pinhão-manso pode se tornar uma das opções para a produção de biodiesel. No Brasil a lei prevê que o óleo diesel deve conter 5% de biodiesel, o que garante mercado para as novas matrizes energéticas.

Originário da América Central ele está no país desde 2005. Com potencial de render em média cinco mil quilos por hectare, o que equivale a três mil litros de óleo vegetal. Na comparação com a soja chega a render duas vezes mais quando transformada em combustível. Os números e informações estão sendo apresentados a produtores e técnicos no seminário realizado em Londrina.

"Ele vai ter que entrar na lavoura como complementação. Vai precisar de mão de obra para colheita e cuidados contra fungos, insetos, doenças" relata o pesquisador de melhoramento genético, Rüdiger Boye.



Estudos da Embrapa mostram que o biodiesel a partir do pinhão-manso tem as mesmas características do óleo diesel feito de petróleo, com menor emissão de gases poluentes. Para o produtor uma das vantagens é que a planta é perene, pode produzir por até 40 anos.

"Não compete com alimento e tem produtividade razoável para produtividade da planta. Vai contribuir com receita, melhorando a renda do produtor" aponta o engenheiro agrônomo Gumercindo Fernandes.

A produtora Adalgisa da Silva apostou na cultura como cobertura de solo há três anos e hoje vem colhendo alguns dos benefícios com a cultura. A semente que ela entrega na usina, volta para a propriedade em forma de combustível.

"Tenho 2,5 mil pés em 16 hectares, tenho quatro floradas por ano. A produtividade ainda é pouca porque está no inicio. Toda a colheita volta como combustível. Já usei na nossa frota e o resultado é positivo e polui menos" relata.

A oleaginosa é mais uma opção para diversificar a matriz de bioenergia, o que faria com que a soja, que hoje é responsável por quase 90% do biodiesel de origem vegetal no país, estivesse disponível no mercado como alimento. Mas ainda existem questões a serem consideradas em relação a cultura, de acordo com os pesquisadores. Uma delas é a sensibilidade da planta a geada.

"Eu acredito que ele vai se tornar uma alternativa, porque nós vamos resolvendo os problemas que ele apresentou. E nós só fazemos isso graças a pesquisa e ao fomento. O pinhão-manso tem o seu lugar, acredito que no norte e oeste do Paraná" conta o pesquisador.

Eduardo Silva
Canal Rural